
Ultimamente ando querendo mudar meu estilo. Não só estilo de vestir, mas de forma geral, me libertar desse jeito menininha de ser. O blog todo rosa e lilás tem me causado certo desconforto. Vou segurar o desejo de mudança por mais um tempo. Primeiro porque nem sei direito o que quero. Segundo, não vou ficar pentelhando o Paulo Henrique pra mudar quinhentas coisas agora e mês que vem querer transformar tudo de novo.
Também dei pra ficar encucando se essa profusão de cor-de-rosa e essa foto perua não vão espantar leitores. Pessoas que vão abrir a página, passar os olhos e pensar “ah, é uma patricinha, periguete, que escreve um diário on-line, nem vou perder tempo”! Claro que perderiam a oportunidade de ver que é possível uma mulher lindíssima como eu ser tão inteligente e boa escritora. (Vocês podem notar que a crise é só de identidade, não de auto-estima). Que nada! Parece que me acho o máximo, mas às vezes penso se não estou me enganando o tempo todo.
Gostaria de não ser tão óbvia visualmente, tão clichêzinha: luzes nos cabelos desde os 16 anos, estampas de oncinha, rímel e blush usados à exaustão. O pior é que isso nem representa exatamente o que eu sou. Queria externar meu lado mais rebelde, rock`n roll, intelectual, descolada, cool! Usar menos lilases, florzinhas e strass, talvez me vestir como uma escritora. (Como se veste uma escritora, hein, Bia?)
Aí vejo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e decido: quero vestir-me como uma francesa! Penso em chamar a Bibi pra me ajudar a renovar o guarda-roupa, mas cadê dinheiro pra renovar o guarda-roupa? E depois eu sei, EU SEI, que quando eu estiver andando por aí de sapatilha e roupas indies vou encontrar aquela minha amiga peruíssima e vou querer correr para os meus saltos, meus brincos gigantes de strass, meu jeans “mamãe sou gostosa” e aquela blusa amarelo-ouro!
Depois de ruminar todos esses pensamentos é claro que concluo que não tenho estilo próprio, nem personalidade na hora de me vestir. Mas logo lembro que talvez meu estilo seja esse mesmo: uma mistura de Patricinhas de Beverlly Hills com Britney Spears na fase trash? Talvez eu seja tão radical, mas tããoo radical, que minha rebeldia está em ser uma intelectual-escritora-descolada-cool, leitora de Nietzsche e, ao mesmo tempo, contrariando as expectativas de quem conhecesse apenas meus gostos, escrever num blog todo rosinha, calçar scarpins para ir ao banco, fazer as unhas toda semana e adorar intervenções estéticas. Já sei: tenho uma identidade secreta! A peruíce é meu disfarce.
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Juliana Dacoregio