15.12.08

Profissão: Perua

23:28:31, Categorias: Comportamento, Egotrip, Beleza  

Ultimamente ando querendo mudar meu estilo. Não só estilo de vestir, mas de forma geral, me libertar desse jeito menininha de ser. O blog todo rosa e lilás tem me causado certo desconforto. Vou segurar o desejo de mudança por mais um tempo. Primeiro porque nem sei direito o que quero. Segundo, não vou ficar pentelhando o Paulo Henrique pra mudar quinhentas coisas agora e mês que vem querer transformar tudo de novo.

Também dei pra ficar encucando se essa profusão de cor-de-rosa e essa foto perua não vão espantar leitores. Pessoas que vão abrir a página, passar os olhos e pensar “ah, é uma patricinha, periguete, que escreve um diário on-line, nem vou perder tempo”! Claro que perderiam a oportunidade de ver que é possível uma mulher lindíssima como eu ser tão inteligente e boa escritora. (Vocês podem notar que a crise é só de identidade, não de auto-estima). Que nada! Parece que me acho o máximo, mas às vezes penso se não estou me enganando o tempo todo.

Gostaria de não ser tão óbvia visualmente, tão clichêzinha: luzes nos cabelos desde os 16 anos, estampas de oncinha, rímel e blush usados à exaustão. O pior é que isso nem representa exatamente o que eu sou. Queria externar meu lado mais rebelde, rock`n roll, intelectual, descolada, cool! Usar menos lilases, florzinhas e strass, talvez me vestir como uma escritora. (Como se veste uma escritora, hein, Bia?)

Aí vejo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e decido: quero vestir-me como uma francesa! Penso em chamar a Bibi pra me ajudar a renovar o guarda-roupa, mas cadê dinheiro pra renovar o guarda-roupa? E depois eu sei, EU SEI, que quando eu estiver andando por aí de sapatilha e roupas indies vou encontrar aquela minha amiga peruíssima e vou querer correr para os meus saltos, meus brincos gigantes de strass, meu jeans “mamãe sou gostosa” e aquela blusa amarelo-ouro!

Depois de ruminar todos esses pensamentos é claro que concluo que não tenho estilo próprio, nem personalidade na hora de me vestir. Mas logo lembro que talvez meu estilo seja esse mesmo: uma mistura de Patricinhas de Beverlly Hills com Britney Spears na fase trash? Talvez eu seja tão radical, mas tããoo radical, que minha rebeldia está em ser uma intelectual-escritora-descolada-cool, leitora de Nietzsche e, ao mesmo tempo, contrariando as expectativas de quem conhecesse apenas meus gostos, escrever num blog todo rosinha, calçar scarpins para ir ao banco, fazer as unhas toda semana e adorar intervenções estéticas. Já sei: tenho uma identidade secreta! A peruíce é meu disfarce.

Permalink 454 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (18)

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Angela

Parabéns pela crítica à mini-série da Globo. Muito pertinente.
Muito corajosa sua atitute de definir-se como "sem estilo".
Pelo pouco que te conheço, pelos textos que pude ler acho que é uma mulher muito centrada e que sabe muito bem o que quer. É que às vezes a mídia ou a opinião dos outros nos deixa um pouco balançada. Somos mulheres e sempre ficamos indecisa, principalmente na hora de nos apresentar aos outros. Levamos horas decidindo qual a melhor roupa e depois quando estamos prontas decidimos trocar novamente aquela blusa, ou aquele par de brincos... coisas de mulher que gosta de si mesma e que por isto se importa com sua aparência. Você é jovem e linda e com toda sua intelectualidade pode fazer e ser o que quiser. Aliás todos nós podemos.
Mudar a "cara" do blog e depois "desmudar"... tudo isto é saudável. Sinal que sonhas em melhorar, em apresentar-se sempre bela aos seus leitores. Se no dia seguinte mudar de idéia, mude... e daí?!.
O que importa mesmo é o conteúdo, aquilo que escreves. E isso tem valor, não mudará.
Beijos
Angela

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 08:37



Comentário de: joao~grando · http://joaogrando.wordpress.com

Olha, diante dos modismos apreendidos quase didaticamente das revistas de moda e afins, "sem estilo" talvez seja ter estilo, talvez seja o termo que sobre para designar espontaneidade.
E sua versão Clark Kent perua lhe põe na manga a carta da surpresa, o que, para servir de metáfora, somente espantaria aqueles leitores preguiçosos que julgam pela capa - que fiquem julgando, que continuem com as capas.

Torna-te quem tu és.
Nada mais clichê e propício para uma leitora de Nietzsche.

Afinal, jeans “mamãe sou gostosa” com um cérebro em cima é massa. Inteligência e beleza misturadas é estilo certo (ficou meio final de reportagem isso, mas era isso).

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 09:28



Comentário de: Silvia · http://www.degaiato.blogspot.com

Adoreeeeei o post, hahahahaha!
Mas não nega mesmo que é uma criciumense nata, com todos esses scarpins, strass, luzes e muito rosa! hahahahahaha
Aproveita que tu és peça rara: linda, inteligente e boa escritora, e se joga no saltão, sem culpa! ;)

Beijo!

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 09:55



Comentário de: Verônica Mambrini · http://aduplavida.blogspot.com

Ju, será que isso é tão importante? Será que discutir seu estilo e sua aparência muda alguma coisa para você e para seus leitores? Sinto que antes da mudança para o o Interney os looks, strass, rosinha e lilases eram pano de fundo, um jeito sutilo de mostrar sua parsonalidade. E outras discussões ganhavam o primeiro plano.
Eu já dei minhas cabeçadas também. Dos 14 aos 18, vivia fantasiada de hippie, com calças d eboca-de-sino chiquérrimas, tie-dies estilosos e um cabelão de Bündchen que era o máximo. Quando comecei a trabalhar em assessoria de imprensa, tive que adotar looks corporativos que eu odiava. E finalmente, em redação, eu sou uma de Carrie Bradshaw, fazendo misturinhas sem medo de ser feliz. Um dia estou esportiva, no outro francesa, depois perua, vintage, cool. Tem muito a ver com uma paixão por brechós e pelos guarda-roupas de família. Mas o bacana é que essa coisa do estilo veio de uma forma até meio política: acho que nunca me vesti tão bem e com tanta atitude como esse ano, e foi o ano da minha vida economicamente ativa que eu menos comprei roupas. Na verdade, o que comprei foram achados de brechó. Em resumo, acho que estilo é quando o que você é por fora e o que é por dentro se equilibram e contam a história da sua vida.

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 11:57




Ju? Para né?!! Tu podes tudo, meu bem!!!

E sabia que eu já fui num festival de metal de rosa e salto agulha?
Não precisa mudar nadinha! t[a tudo MARA assim!

beijão, fina flor!!!

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 13:21



Comentário de: Gusta

Olha, o importante para quem não te conhece pessoalmente, é que não mude o estilo do blog (rs). Eu travei conhecimento com ele inicialmente de bobeira no blog do Saloma - adoro automobilismo - e o título "Heresia Loira" nos blogs preferidos chamou a atenção de imediato. Entrei na curiosidade, chamou a atenção a foto da bonita moça a esquerda e iniciei a leitura, ora! Mas que textos e assuntos bem construídos eu pensei, nunca embarquei nessa lorota preconceituosa que loira é burra pois a minha mulher é loira e de tonta não tem nada...(em meio a milhares de outros exemplos). Enfim, gostei do nível das discussões e dos comentários sempre sensatos do pessoal que visita esse espaço. Gostei bastante também das críticas de alguns filmes e até anotei alguns que vou ver meio que por influência do seu blog. É um belo refresco cultural e informativo sem apelar para literatices ou pretensões eruditas sem sentido, é leve e agradável de ler e acompanhar. Continue assim a despeito do estilo que quiser adotar, patricinha, perua, gótica...o que seja! O meu respeito já conquistou!

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 13:53



Comentário de: claudson

Sabe eu não conhecia seu blog até outubro, encontrei por acaso no google, realmente quando eu vi todo esse rosa pensei, "patricinha, mais uma pobre menina rica", estava errado,houve uma surpresa as discussões em seus posts, o desespero dos irmãos, a ironia, Carl Sagan, memes e quando lembro do seu comentário sobre o barulhinho do macarrão ainda morro de rir, sssssshhh!kkkk!

"Se ouço barulho de cascos, penso em cavalos, não em zebras." Se leio um texto interessante, devo pensar em um escritor(a) todo formal, não em uma loira fashion?! Seu relato me lembrou da Reese Witherspoon em "Legalmente Loira", ela mostrou que aparência não é tudo.

Seja apenas vc mesma, se possível, (somos todos cópias da cultura), não aconselho que force uma transformação em seu estilo, o autoconhecimento vem com o tempo, e junto, a mudança dos paradigmas e conceitos, portanto continue sendo "intelectual-escritora-descolada-cool, leitora de Nietzsche". O tempo fará sua parte.

Bjos Penelope Charmosa!
Ops!
Bjos Juliana Dacoregio!

Ps: Enquanto escrevia mha mãe perguntou pq todo esse rosa na tela!É mole?!rsrs!

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 14:28



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Britney Trash? Tu anda com uma bermuda daquelas? Acho que não vou mais te ler!!! :P

Falando sério, não me importo muito com o visual do blog, uso feed.

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 17:16




ter um estilo nada mais é do que se vestir bem, e se sentir bem com o que está vestindo. Se a moda pede cintura alta mas vc fica mais linda e confiante de cintura baixa, porque nao dar uma banana para as "regras" e ousar? ^^ É bom se vestir "como o seu dia pede". É bom mudar de vez em quando... mas não adianta tentar algo que não tenha muito a ver com você.
boa sorte com seus disfarces. Beijo!

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 20:37



Comentário de: André HP · http://formigueirocomunista.net23.net/

Você é estilosa e inteligente, coisa difícil. Não mude nada. :)

PermalinkPermalink 16.12.08 @ 22:54



Comentário de: Maia - a Póka · http://www.ganguedohipertexto.blogspot.com/

Olá Ju!

Obrigada pelo coment no blog da Gangue e no post "hedonista".

Não fique assim não! Eu realmente senti "medo" quando acessei o blog (será endereço errado?), como qualquer mortal, há algo de preconceito dentro de mim. Pórem, lendo um pouquinho já dá pra gostar de como escreves.

E, se pudesse (tivesse "cacife"), eu também iria toda semana fazer as unhas (inveja!), e olha que tenho poucas roupas rosas! (risos). Então, continue sendo você mesma (ou não!), ou o que quiser ser. (que romântica essa frase ¬¬;)

Abraços

PermalinkPermalink 17.12.08 @ 02:19



Comentário de: Tatiana · http://esperandopormim.wordpress.com

É muito chato ver uma pessoa bonita e burra, assim como é ainda mais chato ver uma pessoa inteligente de aparência relaxada. É como se ficasse faltando algo em ambas as situações. Não importa se tu gosta de rosa, scarpins e oncinhas, e sim o que se passa dentro da sua cabeça pq a aparência, estilo, preferências, inevitavelmente mudarão com o tempo, para todos nós.

Fica tranquila e curta bastante suas onças.

Bjão.

PermalinkPermalink 17.12.08 @ 13:29



Comentário de: Raquel · http://raquelelbacha.blogspot.com

Concordo com a pessoa que falou acima que é bom mudar, mas não é bom se a mudança não tiver a ver com vc.
Eu nunca gostei de rosa e lilás, mas estou numa fase de querer tudo nessas cores. Até meu quarto eu pintei de lilás. Meu template também é lilás.
Voltando ao assunto, o importante é que vc se sinta bem.
Beijos.

PermalinkPermalink 17.12.08 @ 22:11



Comentário de: Beatriz · http://www.cartasaoavesso.blogspot.com/

Achei interessante esse post.. Mas sabe que o melhor é aquele em que você se sente bem.Eu, por exemplo gosto de bege.. que nem sempre me deixa estonteante.. mas eu gosto e pronto
Adoro verde..Tem dias que adoro acessórios.. outros poderia queimá-los todos..
Importante é estar bem dentro.. o resto é resto!
bjão

PermalinkPermalink 18.12.08 @ 14:29



Comentário de: Mary West · http://www.deferiasnesteplaneta.blogspot.com

Eu apenas queria ter peitos maiores. \o/

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 10:42



Comentário de: Sabrina · http://www.bibidivagaemlorota.blogspot.com

he he he he... a peruíce é meu disfarce...
aii credo, imaginei uma Juliana sem os cabelos loiros, os saltos, os vários tons de rosas, os tigrados, os cuidados consigo mesma...
uma Juliana de óculos fundo de garrafa, saias abaixo do joelho, cardigã até a cintura, meias claras e botinha rasteira, toda desleixada e comunista, sem falar do loiro desbotado e com a raíz por fazer... uii uiii...uiiiiii!!!Credo!
[:o]

PermalinkPermalink 28.12.08 @ 15:26



Comentário de: Carol · http://clindenblog.blogspot.com

Ju, tudo o que eu tinha pensado em te dizer alguém já disse antes.
Então tive que pensar tudo de novo pra encontrar alguma criatividade. :-)
E lembrei de algo que eu li ontem, no site do padre cuja missa eu assistia quando morava no Rio. Era um texto sobre os jovens terem vergonha de rezar.
Não tenha vergonha de vc. Vc tem uma personalidade sim, a SUA! Eu mesma estou escrevendo do trabalho, minha mesa é cheia de coisas cor-de-rosa e de brinquedinhso do McDonalds e acabei de colocar nela um calendário 2009 que comprei no Ebay cheio de filhotinhos de gato. A minha onda é "sou loira, perua, uso rosa e oncinha e sou nerd" e não tô nem aí pra quem faz aquelas caras de "nuóóóóóssa, ela tem tantas coisinhas da Hello Kitty e sabe ligar um computador e programa um HTMLzinho básico".
Não tenha vergonha de rezar. ;-)
Nem de ser vc.
Bjs.

PermalinkPermalink 05.01.09 @ 09:59



Comentário de: Putzgraça!!! · http://www.putzcri.blogspot.com

Oi Ju. Procuramos em todo o blog um post adequado onde pudéssemos fazer um comentário que servisse, inclusive, para apresentar nosotros à blogueira top ten do Brasil, e porque não dizer, do mundo.
Aí, tomamos por base seu próprio perfil Herege e comentamos.

Primeiro o perfil:
"Quem sou eu. Por que preciso saber me definir se todas as definições são, de certa forma, mentirosas? Pessoas que sabem se definir quase sempre mentem ou não se conhecem completamente. Eu também não me conheço completamente. Mas me conheço o suficiente para não me definir."

Agora nós:
Pois é. Aqui não é bem assim. Todo mundo se conhece e tem perfil psicopatológico bem definido. Todos são imbecis, tem em seu histórico uma frustração bem marcante, sentem prazer mórbido em escrever bobagens pseudo críticas com um viés pretensamente irreverente. Depois de ler seu perfil herege, onde parece claro a autodefinição um erro, decidimos: vamos buscar acompanhamento psiquiátrico.

PermalinkPermalink 18.04.09 @ 20:32



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Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
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Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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