
Não preciso nem dizer que não tenho preconceito contra homos, bis, trans e afins, afinal fui numa festa GLS, né... (ou seria GLBTS?). Nem sou do tipo que faz cara de nojo ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Se bem que só tinha visto em filmes e, claro, só gente bonita! Então, poderia ser que ao ver gente normal se atracando com espécimes do mesmo gênero eu ficasse um pouco mais chocada. Que nada! Achei tudo lindo na verdade. Aquele povo todo, meninos com meninos, meninas com meninas, aos beijos, abraços, chamegos e amassos é bonito de se ver.
E falando em beleza, muitos, muitos homens bonitos como não se vê em uma balada hetero. Alguns deles bem novinhos. Acho que muitas meninas sabem disso, porque, ou elas são mais discretas, ou a maioria das que estavam lá eram heteros que foram apenas para matar a curiosidade, ver os gogo boys, tentar “converter” algum gatinho gay ou, sei lá, aproveitar os bis ou caçar os votos brancos, nulos e indecisos.
Uma coisa é certa: quem diz que festas gays são alegres e divertidas está coberto de razão. Adorei ir a um lugar onde não tem aquele povinho se achando, sem guris marrentos e loiras todas iguais, com cabelo piastrado e metade do silicone aparecendo! Nada daquela galera matando e morrendo por uma pulseirinha de ala “vip” ou dos meninos que se acham tão gostosos que não chegam em menina nenhuma. Nada disso. Dava pra ver que o pessoal estava lá para se divertir mesmo. Algumas meninas bem arrumadinhas, outras mais à vontade, mas nada daquele padrão "saia curtíssima, decotão na frente, decotão atrás e 400 quilos de strass" que se vê pelas baladas mais badaladas de Criciúma!
Era mesmo um local de diversidade: diversidade nos estilos, nas roupas, cabelos, no jeito de dançar e, claro, nas opções sexuais. Genteeemmm.... e as músicas?! Deliciosas! Músicas com batidas eletrônicas sim, mas aquelas que se ouve no rádio, umas mais antiguinhas, todas gostosas de dançar e não só aquele house que deixa a gente com a impressão de que tocou a mesmíssima música durante a noite inteira. Músicas sexys, músicas de mulherzinha, como diz uma amiga minha. Aliás, essa é uma das maiores reclamações da turma mais ou menos da minha idade nas baladas atuais: queremos ouvir beyoncé, madonna, pussy cat, coisas embaladinhas, que quando começa a gente já reconhece qual é e corre pra pista gritando “huuurrruuullll".
Ah, e o povo chega junto mesmo! No nosso grupo todos os heteros foram paquerados e os não-heteros acharam alguém pra dar uns beijões. Mas nada de promiscuidade. O pessoal se beija, se abraça, dança junto, mas não é Sodoma e Gomorra, galera tirando a roupa e acasalando na frente de todo mundo! O único toque mais "pecaminoso" são os gogo boys e gogo girls dançando voluptuosamente no palco pra quem quisesse ver; e não só ver, como pegar, apalpar, encostar...
Eu adorei tudo e me diverti horrores! E ainda saí orgulhosa de ter sido xavecada a torto e a direito por algumas meninas. Além de ter que proteger meu namorado de um ataque mais afoito de uma bichinha enlouquecida. Aliás, ele gostou mesmo foi da bombeira que apareceu lá pelas tantas, depois de horas de gogo boys dançando. Eu achei a tal da bombeira bem caidinha, mas diz ele que depois de olhar pro palco e só ver marmanjos rebolando, a bombeira, com celulite ou sem celulite, com cara bonita ou feia, era a visão do paraíso!
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Cantora gospel beija meninas. - E você, beijaria alguém do mesmo sexo, "só por curtição"?
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Juliana Dacoregio