
Na entrada da balada, conversando com um grupo de amigos, passa uma menina e fica me olhando. Primeiro eu acho que é alguém que eu conheço. Ela era mesmo parecida com uma antiga conhecida: formato do rosto, cabelo, altura... Fico olhando e percebo que não, não era quem eu estava pensando. Mas ela continua me observando. Então penso, “deve trabalhar no comércio”, já que meu cérebro está programado para só reconhecer vendedores, garçons, caixas de supermercados ou secretárias de médicos em seus “habitáts naturais”. Quando encontro um deles em outro local, demoro horas para me ligar quem é a criatura, mesmo que seja a secretária do meu dentista, que freqüento há anos. “Só pode! Essa menina me olha tanto, só pode ser alguma conhecida... E agora, cumprimento ou não? Ou será que tem algo esquisito no meu rosto? No cabelo?” Estava eu entretida, com a cabeça já saindo fumacinha de tanto puxar pela memória, quando me ligo num detalhe: estou na entrada de uma balada gay e a menina não está me reconhecendo de algum lugar, ela está me EN-CA-RAN-DO!!!
Santa inocência, hein, Maria Juliana!
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Juliana Dacoregio