
Li trechos da entrevista dela e vim correndo escrever aqui. Não conheço seus poemas - isso é algo que pretendo fazer em breve - e pensei que talvez devesse primeiro me informar sobre a autora, ler suas obras, ler críticas sobre suas obras, etc., mas o que li em sua entrevista me basta para querer falar dela aqui. Nada contra os textos bem elaborados, concebidos sob árdua pesquisa, mas afinal, eu escrevo um blog e não um compêndio literário, ora bolas, e tenho pressa de dividir algo legal com quem "me lê"!
Vamos aos fatos:
Ana Elisa Ribeiro. Não a conhecia e ainda não posso dizer que a conheço. Era apenas mais um nome na página do Digestivo Cultural. Pois Ana Elisa é poeta. E diz que não se pode deixar de ser poeta. Da mesma forma que não existe ex-gay, não existe ex-poeta, ela compara. É mineira, doutora e mestre em Lingüística, mora em BH e de lá escreve crônicas exclusivamente para o Digestivo, lança livros de poemas e dá aulas. Ana se define como uma "professora fanática" e "escritora por absoluto amor à língua".
Mas o que me fez correr para escrever sobre Ana foi um "causo" que ela contou de quando era aluna de Teoria da Literatura e ainda não tinha publicado nenhum livro. Resolveu mostrar seus poemas para a professora (não para receber aprovação se deveria publicar ou não, pois ela já havia encasquetado que publicaria e pronto), mas para ter uma apreciação de alguém com cacife para isso. A professora não só gostou como levou para outra autora mais experiente, a escritora e jornalista
Laís Corrêa de Araújo Ávila.
Laís se empolgou tanto com o trabalho de Ana Elisa que lhe enviou um bilhete com palavras de incentivo e deu sugestões em relação aos poemas. Dentre estas sugestões uma delas era que a jovem escritora cortasse todos os poemas "engraçadinhos". Ana Elisa ficou lisonjeada com o interesse e a ajuda de uma poetisa tão bem conceituada como Laís e guarda até hoje o bilhete com as palavras de ânimo que ela lhe enviou. Porém, Ana não cortou nenhum dos poemas "engraçadinhos"! Disse que considerou com carinho a sugestão, mas preferiu mantê-los e hoje ela vê que é esta veia cômica que dá a seus escritos um certo tom "incômodo, mas consistente".
E é verdade, é um tanto cômico, mas é também incômodo ler…
"Eu sei, meu bem/ que seu sonho é comer uma sueca/ alta loura e boa//
mas finge/ meu amor/ fecha o olho e finge/
o meu cabelo/ a gente tinge"

Ainda não li a poesia de Ana Elisa Ribeiro. Começarei pelas
crônicas do Digestivo, que é o que mais está ao meu alcance agora. Pode ser que eu goste, pode ser que não, não sei. A julgar pelo que ela mesma fala sobre seu estilo de ser cronista, creio que vou amar.
"Eu fui ajustando um jeito de escrever o que eu queria, de preferência evitando temas chatos, polêmicas baratas, discussões que estão na crista da onda e bate-bocas que causam profundo desgaste com gente que nem conheço direito. Vou falando de chicletes, manias, festas, gravidez, etc."
De qualquer forma, só de saber que ela ouviu a opinião de uma renomada escritora, e mesmo assim decidiu não acatá-la, decidiu manter a sua posição, apostar no que acreditava e lançar sua obra daquele jeito mesmo, com o tom "engraçadinho" que julgou necessário, só isso já me fez admirá-la por demais! Não sei se eu teria a mesma firmeza. É bom ver gente que aposta no que faz e que não tenha medo de arriscar para "ver no que é que dá". Baita inspiração!
Ana Elisa, quando eu crescer quero ser como você.
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