15.08.08

Uma entrevista inspiradora - Ana Elisa Ribeiro

06:51:00, Categorias: Leitura  


Li trechos da entrevista dela e vim correndo escrever aqui. Não conheço seus poemas - isso é algo que pretendo fazer em breve - e pensei que talvez devesse primeiro me informar sobre a autora, ler suas obras, ler críticas sobre suas obras, etc., mas o que li em sua entrevista me basta para querer falar dela aqui. Nada contra os textos bem elaborados, concebidos sob árdua pesquisa, mas afinal, eu escrevo um blog e não um compêndio literário, ora bolas, e tenho pressa de dividir algo legal com quem "me lê"!

Vamos aos fatos: Ana Elisa Ribeiro. Não a conhecia e ainda não posso dizer que a conheço. Era apenas mais um nome na página do Digestivo Cultural. Pois Ana Elisa é poeta. E diz que não se pode deixar de ser poeta. Da mesma forma que não existe ex-gay, não existe ex-poeta, ela compara. É mineira, doutora e mestre em Lingüística, mora em BH e de lá escreve crônicas exclusivamente para o Digestivo, lança livros de poemas e dá aulas. Ana se define como uma "professora fanática" e "escritora por absoluto amor à língua".

Mas o que me fez correr para escrever sobre Ana foi um "causo" que ela contou de quando era aluna de Teoria da Literatura e ainda não tinha publicado nenhum livro. Resolveu mostrar seus poemas para a professora (não para receber aprovação se deveria publicar ou não, pois ela já havia encasquetado que publicaria e pronto), mas para ter uma apreciação de alguém com cacife para isso. A professora não só gostou como levou para outra autora mais experiente, a escritora e jornalista Laís Corrêa de Araújo Ávila.

Laís se empolgou tanto com o trabalho de Ana Elisa que lhe enviou um bilhete com palavras de incentivo e deu sugestões em relação aos poemas. Dentre estas sugestões uma delas era que a jovem escritora cortasse todos os poemas "engraçadinhos". Ana Elisa ficou lisonjeada com o interesse e a ajuda de uma poetisa tão bem conceituada como Laís e guarda até hoje o bilhete com as palavras de ânimo que ela lhe enviou. Porém, Ana não cortou nenhum dos poemas "engraçadinhos"! Disse que considerou com carinho a sugestão, mas preferiu mantê-los e hoje ela vê que é esta veia cômica que dá a seus escritos um certo tom "incômodo, mas consistente".

E é verdade, é um tanto cômico, mas é também incômodo ler…

"Eu sei, meu bem/ que seu sonho é comer uma sueca/ alta loura e boa//
mas finge/ meu amor/ fecha o olho e finge/
o meu cabelo/ a gente tinge"

Ainda não li a poesia de Ana Elisa Ribeiro. Começarei pelas crônicas do Digestivo, que é o que mais está ao meu alcance agora. Pode ser que eu goste, pode ser que não, não sei. A julgar pelo que ela mesma fala sobre seu estilo de ser cronista, creio que vou amar.

"Eu fui ajustando um jeito de escrever o que eu queria, de preferência evitando temas chatos, polêmicas baratas, discussões que estão na crista da onda e bate-bocas que causam profundo desgaste com gente que nem conheço direito. Vou falando de chicletes, manias, festas, gravidez, etc."

De qualquer forma, só de saber que ela ouviu a opinião de uma renomada escritora, e mesmo assim decidiu não acatá-la, decidiu manter a sua posição, apostar no que acreditava e lançar sua obra daquele jeito mesmo, com o tom "engraçadinho" que julgou necessário, só isso já me fez admirá-la por demais! Não sei se eu teria a mesma firmeza. É bom ver gente que aposta no que faz e que não tenha medo de arriscar para "ver no que é que dá". Baita inspiração!

Ana Elisa, quando eu crescer quero ser como você.

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Permalink 681 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (10)

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Anna Oh · http://divarosachoque.blogspot.com/

Nossa, gostei do post e me empolguei a ler os links q vc colocou. Realmente, é difícil uma pessoa que acredite no seu estilo e não queira mudar/acate com a sugestão de alguém mais conceituado. Tb não sei como reagiria. Escrevo poemas por hobby, por amor, por alma eu até acho... é coisa que vem; poeta faz poema até qdo não quer. Por isso ela tem razão: não existe ex-poeta.


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:27



Comentário de: Victinhu · http://quererempreender.blogspot.com/

Admirável a atitude dela...

E "qnd eu crescer quero ser igual a vc" foi ótimo. hehehehehe

Bjs


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:29



Comentário de: Ana Elisa

Oi Juliana

obrigada!!! Na época, deve ter sido firmeza. Achei que era justamente o "engraçado" que mais aparecia. Então se eu cortasse esses poemas, cortaria quase tudo. :) Olha, valeu pela leitura atenciosa. Seu blog não me parece aquele tipo de "coisa rápida" de que falei na crônica. ;) bj Ana Elisa


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:30




Vou voltar pra ler e comentar este post...mas por enqto só respondeirei teus últimos comentários hehehehe

A gnte bem poderia marcar um encontro de blogueiras mesmo né? vc fica por aqui até qdo?
Menina, não entro no MSN aqui no trampo, tudo bloqueado humpf!!!

Qto à minha gripe...posso esperar passar pq qdo eu fico assim é um mês direto! afff

beijão, Ju!!!!


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:31



Comentário de: Vanessa Pinho · http://www.mulheretudomaluca.blogspot.com

Baita história.
E digo mais, tem que ter peito e muita atitude pra fazer o que ela fez.

Admirável.


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:32



Comentário de: Conde Vlad · http://wwwlermite.blogspot.com/

Sempre gostei da poesia dela, e ela tem um nome tão lindo Ana Elisa Ribeiro! Obrigado pelas dicas, eu já a conhecia antes, essa mineira escreve bem demais sô! Eis um pequeno trecho escrito por ela que adorei:
"Não quero viver da coleta. Não sou caçadora e nem estou preparada para o "carpe diem" dos filmes americanos ou dos poemas árcades, mas bem que eu queria um descanso. Não este descanso falso dos finais de semana que começam no sábado à noite. Não a pseudoparada dos que dormem de dia. Ou a noite exausta de quem trabalha sem parar. É isso o que se tem feito. Eu queria o descanso de viver este dia do moçambicano sertanejo. De quem não conhece, simplesmente não sabe o que é, o celular, a televisão, a caixa de e-mails ou a luz elétrica. Impossível."
Faz pensar... E muito! Assim são os bons escritores, aqueles que nos fazem pensar...
Beijos e obrigado Ju, e sua turtle já está lá viu?


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:33



Comentário de: Tais Luso de Carvalho

Oi, Juliana, adorei teu texto, vou lá no Digestivo... Escreves de uma maneira gostosa, quase um bate-papo.
E gostei muito do "quero ser igual a você quando crescer..."
Beijos
Tais


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:34



Comentário de: Lila

Oi Juliana, obrigada pela sua visita...
gosto muito de crônicas, vou lá no Digestivo ler as da Ana Elisa, pois pelo seu post me chamou a atenção,principalmente por ela ter aceito as sugestões da poetisa, mas ter personalidade em não retirar "as engraçadinhas"...rs
beijo e boa semana!


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:35



Comentário de: Ingrid · http://do-desejo.blogspot.com/

Ha! Bom que tenha dividido o "causo", também me interessou.
E por falar nisso, se Leila Míccolis tivesse sumido com os seus poeminhas engraçadinhos, também seria outra que nunca teria tido lugar.
Também quero ter coragem de ousar um dia, quem sabe amanhã ou daqui um mês. ;)


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:36



Comentário de: Samir Raoni · http://tintadevida.blogspot.com/

Muito interessante a história da Ana Ribeiro.

Se todos os professores fossem como a dela, iriamos dar um salto na educação.

- É a primeira vez que venho ate seu blog, cheguei ate vc pelo blog de troiana.

vc escreve muito bem!


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:37



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Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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