Ela era generosa. Dava boas dicas, ajudava, mostrava o caminho. Não que fosse uma palpiteira chata que só se mete na vida alheia. Não. Só aconselhava àqueles de quem gostasse de verdade. Queria o crescimento dos amigos.
Apostava no talento de cada um.
O fato de as pessoas porem em prática seus conselhos, só provava que eles eram mesmo bons. "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" não era com ela.
Sentia prazer em ensinar. Dava o mapa do tesouro, pegava pela mão e dizia, "é por aqui, eu te mostro…" E eles iam. Mas, no destino final, ela percebia que soltavam de sua mão e sumiam de suas vistas. Apenas continuavam à espreita para descobrirem o que ela fazia e dizia para então agirem do mesmo jeito.
Eram capazes até mesmo de beber da mesma fonte. Porém quando a viam saciada, diziam que a água era suja. Como nunca saíam tão satisfeitos quanto ela, gritavam (num fiozinho de voz, mas gritavam): "água podre, água podre!" Um dia ela escutou os gritos. E resolveu que era hora de parar de dar a mão a quem lhe cravava as unhas. Era a hora de pensar muito bem antes de levar alguém à fonte.

Você sabe por que a cordialidade e a generosidade estão desaparecendo do nosso planeta? Porque há muita gente que não sabe se alegrar com as conquistas alheias e, como se fosse pouco, trilham o mesmo caminho que o seu, mas desdenham dele a cada curva. Há muitos que cospem, não no prato que comeram, mas no prato de quem lhes ofereceu a refeição.
Eu gosto de ajudar e ensinar. Tento fazer com que a vida dos que me cercam fique sempre melhor. Talvez seja uma certa vontade de brincar de boneca com o ser humano. De qualquer forma minhas bonecas estão sempre bem cuidadas e felizes. Eu não as maltrato, assim como não maltrato quem faz parte de minha vida. Mas chega aquele momento em que você sente as farpas. E elas se dirigem a algo que lhe é tão caro. Então você começa a perceber que, enquanto acreditava estar ornando uma princesa com uma linda coroa, estava era atirando pérolas a uma porca qualquer.
Eu já disse e repito: não meço minhas amizades pelos ombros em que posso chorar. Mas sim, pelos sorrisos escancarados que vejo, diante de mim, quando compartilho minhas vitórias.
"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."
(Mateus, 7:6)
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