
Bom, há muito tempo que já larguei meu discurso pseudocult de "não assisto TV, só alguns seriados da Sony e programas do GNT". Longe do conforto do lar paternal, não se pode ter todas as regalias. E entre TV a cabo e internet banda larga, claro que escolhi a internet! Mas como a companhia dos solitários é a TV, aqui em casa ela está sempre ligada. Todo o lixo da TV aberta eu assisto: de Marcia Goldsmith a Datena, passando por RR Soares e O Melhor do Brasil (que era um lixinho bem legal quando o Márcio Garcia apresentava. Aquele Rodrigo Faro parece um robôzinho.)
Quando canso das

programações super variadas mudo para um canal que só passa clipes o dia inteiro, o canal 57. Viu, que coisa chique?! Por acaso a sua TV por assinatura tem algum canal que transmita SÓ CLIPES o dia TODO? Não estou falando de duas horinhas como o Multishow ou aquela aborrescência da MTV! Clipes variadíssimos 24 horas por dia! Tem de tudo, de um extremo a outro: de Patti Smith a Britney Spears e de Iggy Pop a Zeca Pagodinho (se bem que não sei se eles encontram-se tão distantes assim "a nível" de pessoa humana). O melhor é que o meu canal 57 é o único que sempre está mais ou menos bem sintonizado. Porque os outros, olha, eu tenho que depender da conjunção astral e da fase lunar para saber qual emissora assistir. Posso estar assistindo à Record, à noite, e a imagem estar ótima (ótima no caso é com um nível médio de chuviscos), aí desligo a TV, não mexo na antena e vou dormir. No dia seguinte, quando vou tomar café da manhã acompanhada do Brito Júnior e da Ana Hickmann, putz, cadê a imagem que tava aqui? Um nojo!
Fora que às vezes assisto dois canais ao mesmo tempo. Um é o que eu escolhi para assistir mesmo e outro é aquele fantasma que fica aparecendo atrás, sabe? Muito prático. Eu assisto A Favorita e Mutantes - Caminhos do Coração, simultaneamente. É a tecnologia da TV digital tornando meus momentos de lazer muito mais prazerosos e produtivos. Falando em produtividade, outra coisa que quem mora sozinho costuma fazer é deixar a TV ligada enquanto realiza os trabalhos domésticos. É ótimo, você vai colocando ordem na casa, enquanto se mantém bem informado. Mas, "ai que ódio!", conforme eu ando pela casa, a TV solta uns chiados INSUPORTÁVEIS! Então, o esquema fica assim: antes de tomar o café, ajeita a antena; aí vai lavar a louça, arruma a antena de novo; vai lavar a roupa, bota a antena pra esquerda; vai pendurar a roupa, joga a antena pra direita; mas quando vai varrer a casa, aí "enfia a antena no raio que o parta" porque andando de um lado pro outro tem sempre uma hora em que a TV vai chiar, caramba!
Mas, não posso reclamar (imagina se pudesse). Apesar da tela do meu notebook ser maior que a da minha TV, já vivi bons momentos com a minha pequenina. Quando pego um DVD, por exemplo, a imagem fica ótima! Aquelas faixas pretas em cima e embaixo da imagem também ficam ótimas, vistosas, negras, ocupando metade da tela. E eu descobri que por mais que se aumente o volume da TV, as legendas não crescem, veja só que interessante! Tipo, dá vontade de pôr a televisão no colo.
E claro que sendo uma mulher do povo, uma consumidora da TV aberta, eu não poderia perder a revelação da semana, do mês, quiçá do ano! Quem é a assassina: Flora ou Donatella. Tudo já estava levando a crer que fosse a Flora. Ela começou boazinha demais, mas nos últimos capítulos já estava dando provas de ser uma mulher calculista e manipuladora. E pra Donatella ficar tão neurótica daquele jeito, só sendo uma inocente que estivesse vendo a situação se inverter e ficar ruim pro seu lado. Achei legal que a Flora seja a culpada porque tira aquele estereótipo de que é sempre a rica, perua, que tem tudo do bom e do melhor que é a malvada da história. Curti também ver a Patricia Pilar dando vazão ao seu lado bandida, com aquele olhar cheio de más intenções, sendo finalmente escancarado em algumas cenas e, dissimulado em outras. Mas faltou uma caracterização delas um pouco mais novas nas cenas do assassinato. Afinal foi há 18 anos. Elas não poderiam estar exatamente com a mesma cara e a Flora com a mesma camisa xadrez de sempre, inclusive.
Why so serious, Donatella?
Claro que, sendo novela, tudo tem que ser bem exagerado, mas hoje eles apelaram. De repente a Flora se tornou A desvairada e saiu rindo e ouvindo um rockzão a todo volume no carro, coroando a obra de arte do horário nobre com uma c

ena à lá Coringa, botando o cabeção pra fora do carro e sorrindo amalucadamente ao vento. Tudo bem, nenhum personagem pode mais botar a cabeça pra fora do carro, com o veículo em movimento, agora? Pode, claro que pode. Mas a cena da Flora estava mesmo muito chupada do Cavaleiro das Trevas. O que não é de se estranhar, já que outro dia o personagem do Carmo Della Vechia apareceu numa cena, dirigindo à noite, que "de certeza" o diretor estava brincando de Sin City! É a beleza e a criatividade da televisão brasileira. Mas tá certo, tem mais é que copiar mesmo. Eu, se fosse diretora de novela, faria o mesmo. É uma forma de levar cultura cinematográfica para as massas, não? Pois desde quando quem tem bombril na ponta da antena lá sabe o que é Sin City?!