Arquivos para: Agosto 2008

28.08.08

Cantora gospel beija meninas. - E você, beijaria alguém do mesmo sexo, "só por curtição"?

15:29:00, Categorias: Sexo, Cultura Pop  

Aos 15 anos ela cantava Aleluias e louvores a Jesus. Hoje, aos 23, ela canta que beijou uma garota e gostou, mas foi só para experimentar! É Katy Perry, uma americana que já alcançou o topo das paradas de sucesso nos Estados Unidos e Inglaterra com o hit "I kissed a girl". Você já deve ter ouvido a música ou assistido o clipe, pois no Brasil as rádios estão executando a canção direto.

Katy tem um estilo pin-up e é filha de pastor. Lançou seu primeiro álbum em 2001, ainda como cantora gospel, com o nome de Katy Hudson, munida de cabelos loirinhos e uma carinha angelical. Em 2004 ela mudou o nome para Katy Perry e teve algumas de suas músicas produzidas por The Matrix, que já gravaram com Britney Spears e Korn.

Ela diz que apesar de ter mudado sua visão sobre algumas coisas com relação à vida cristã, ela ainda acredita em Deus e tem fé. Mas com certeza a forma que ela encontrou de se relacionar com Deus é muito mais aberta e sem as amarras do cristianismo-evangélico convencional, já que ela canta que beijou uma menina, é fã do filme Lolita e admira o cantor Freddie Mercury (homossexual assumido que faleceu no ano de 1991, em decorrência da AIDS).
Mas Katy não está causando polêmica apenas entre os cristãos que desaprovam suas novas músicas e estilo. O novo hit da cantora é "Ur so Gay", em que ela critica um garoto que, apesar de não ser gay, usa mais maquiagem que ela e é fresco demais. Isso irritou alguns grupos homossexuais, como o site http://www.thenewgay.net/, mas agradou a outros, como a revista lésbica inglesa Diva. Quanto a isso, Katy diz que algumas pessoas não entenderam o contexto da canção "Ur so gay".
Voltando à letra de "I kissed a girl", um trecho diz o seguinte, "Eu beijei uma garota, apenas para experimentar/ Eu espero que meu namorado não se importe". Esse negócio de meninas beijarem outras meninas, mesmo não sendo lésbicas ou assumidamente bissexuais, não é novidade. Não é uma atitude que se veja abertamente por aí, mas não é raro quem já tenha beijado ou conhece alguém que beijou. Claro que ainda choca, sejam celebridades ou simples anônimas.
Mas é estranho perceber que isso dificilmente aconteceria entre os homens. Você consegue imaginar Justin Timberlake beijando o Timbaland em um Video Music Awards, como fizeram Madonna e Britney Spears, em 2003? Ou então Eminen e 50 Cent dando um selinho, só para causar? Isso não acontece! Aliás, homens que dão selinho em outros homens só os ultra-mega-hiper modernetes, ou se forem Gil e Caetano, mas mulheres dando selinhos ou beijões têm aos montes por aí.
Será que esse negócio de mulheres se beijando é mais um ítem do machismo de nossa sociedade, já que os homens heterossexuais, em geral, gostam de ver duas mulheres se agarrando, mas ficam "com nojinho" só de pensar em assistir Brokeback Moutain? (Um amigo meu chegou a afirmar que lesbianismo não conta como homossexualidade!) Ou as mulheres são mais abertas para experimentar e têm menos receio de beijar uma pessoa do mesmo sexo? Você acha que muitos homens gostariam de fazer também, mas morrem de medo de gostar? É só uma modinha? Vontade de aparecer? Tédio? O que você, caro leitor e carésima leitora, acham disso tudo? Já beijaram? Querem beijar? Boca não tem sexo?
Já que nos comentários dificilmente vocês vão sair do armário, vamos propor a seguinte brincadeira. Meninos e meninas, se por um acaso, assim talvez, muito remotamente, vocês tivessem que beijar alguém do mesmo sexo - digamos que vocês fossem obrigados - quem seria?
(Não pode responder, "minha vizinha". Escolha uma celebridade, cantor, escritora, presidente da república, sei lá, alguma pessoa pública – não vale eu, tá meninas! Dãr!)
Obs.: Coincidentemente a Xu escreveu um post que trata de meninas beijando outras meninas, vale uma lida: Já beijou sua amiga hoje?
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27.08.08

As preguiçosas também têm o direito de ficarem lindas.

00:39:00, Categorias: Beleza  

Atenção: este é um post patrocinado, porém limpinho.

Quando era criança eu tinha preguiça de desembaraçar meus cabelos após lavá-los. Hoje eu tenho preguiça de secá-los, mas acabo secando mesmo assim, principalmente quando estou em épocas de usar mega-hair. Sim, eu uso mega-hair, sou toda montada, quase um traveco! #prontofalei.

É, sou também a contradição em pessoa, afinal, escrevo textos como esse (clique para ler), mas não saio de casa sem rímel, tenho silicone e um dos meus sonhos de consumo é uma lipoaspiração. (Feministas, chicoteiem-me!) Mas não é demagogia quando escrevo textos como aquele. Tenho dentro de mim uma mulher que acredita na beleza fora dos padrões. Mas ela é quase sempre sufocada pelas últimas novidades da estética e pela iminente chegada do verão. Penso que a mulher deve se sentir bela de qualquer jeito, penso que ninguém é obrigada a se parecer com as modelos das revistas, penso que nossa sociedade está indo longe demais com esse padrão de perfeição plástica. Eu penso muitas coisas, mas minha bunda me manda parar de pensar e ir fazer uns agachamentos!

Depois, tem outra: eu moro em Santa Catarina. Mais precisamente em Criciúma: terra onde mulher linda dá em árvore (sem trocadilhos infames, por favor). Não é nem questão de estar apta a concorrer de igual para igual com cada leva de debutantes que surge na praça. Mas é que morando numa cidade onde você vê mulheres lindas, bem vestidas, bem cuidadas, com longos cabelos esvoaçantes o tempo todo, fica difícil esquecer os tirânicos padrões de beleza. Então vou alternando períodos de vaidade intensa com outros de total desleixo, mas a verdade inquestionável é que sou preguiçosa para cuidados com o corpo. Tenho preguiça de ir ao salão de beleza. Mas vou, já que se eu ficar duas semanas sem fazer as unhas começarei a arrancar a cutícula com os dentes! Pena que essa minha determinação de "não gostar e ter preguiça, mas ir mesmo assim" não se estende às academias de ginástica em geral. Todo ano eu faço uns dois meses de alguma atividade física e juro que "dessa vez vai", mas quando vejo já estou dando uma desculpa ou outra e no fim das contas, digo que quero mesmo é fazer uma aula de dança. Como não encontro nenhuma aula, além das chatíssimas lamba-aeróbicas, vai ficando por isso mesmo.

Mas eu tenho um segredo para não deixar tudo cair de vez! Algo que me salva quando quero dar uma afinada rápida e que me ajuda a não ser tomada por celulites comedoras de gente. O meu segredo se chama Carmem Estética. Sim, este é um post patrocinado, mas quem me conhece sabe que já sou cliente da Carmem faz tempo e adoro aquilo lá. O local é aconchegante e as salas são divididas em estética corporal e facial. São duas salas e quase sempre têm mais de uma paciente sendo atendida ao mesmo tempo. Isso é ótimo porque não fica só você e a esteticista entre quatro paredes – para mim que gosto de ficar quietinha, às vezes, só escutando… Gente, é melhor que ver novela! E quando estou a fim de conversar sempre tem uma vizinha para bater papo sobre qualquer coisa. Mas o melhor de tudo, você vai lá duas ou três vezes por semana, FICA DEI-TA-DA e vê seu corpo ficar mais bonito!
Mas vamos ao que interessa: têm limpeza de pele, peelings, depilação, bronzeamento artificial e vários tratamentos para o corpo. O meu preferido é a mesoterapia sem agulhas, um tratamento feito com ultra-som e produtos específicos contra celulite e gordura localizada. E garotas, vou dizer para vocês: funciona mesmo! Funciona até se você for do tipo que só faz uma caminhada de vez em quando e não faz dieta. Eu já fiz várias vezes e adorei. Fico mais leve já na primeira sessão, porque além de funcionar a longo prazo, quebrando as células de gordura e eliminando a celulite, o ultra-som também realiza uma espécie de drenagem linfática, fazendo com que o corpo elimine mais rápido toxinas, diminuindo assim a retenção de líquidos.
Meninas de Criciúma e região, eu recomendo uma ida até a Carmem Estética. Ou ligue e agende seu horário. Só não esqueçam de dizer que vocês leram aqui, viu?!
Carmem Estética: (48) 3433-6715

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22.08.08

Perdi o Luluzinha Camp, mas ganhei uma bolsa paraguaia.

23:32:00, Categorias: Cotidiano, Notícias  
Um rápido e pequeno post só para dizer que…

No more Luluzinha Camp for me!

Forças ocultas impediram-me de estar em São Paulo neste sábado. Uma pena… Queria muito conhecer essas mulheres maravilhosas que pintam, bordam, cozinham, estudam, trabalham, organizam eventos, cuidam da casa, criam gatos, filhos, fazem conservas, e ainda encontram tempo para blogar! Mas outros compromissos falaram mais alto (berraram na verdade) e minha viagem acabou parando na Ilha da Magia mesmo. De qualquer forma, agradeço a Lu Freitas sempre solícita e disposta a responder minhas indagações sobre o evento e peço à srta. Bia que guarde os meus sabonefeeds para me enviar depois, via correio. (Não vai vender os meus, hein?!)
O jeito vai ser acompanhar o evento via Twitter.

Já que minha programação na "cidade grande" incluía uma ida a 25 de março e acabei ficando sem esse momento de puro deleite consumista, fui obrigada a arrastar minha mãe para o Mercado Público aqui de Floripa, ao menos para matar a vontade de andar em lugares apertados, cheios de bugigangas paraguaias. Para quem não sabe, o Mercado Público tem várias peixarias, alguns botecos e restaurantes, uma feirinha na praça ao lado e um camelódromo também.

Descobri que cheiro de peixe é ruim quando você sente o cheiro de um único peixe, mas quando são milhares de peixes e frutos do mar reunidos em diversas vitrines refrigeradas, aquele aroma pode se tornar algo bucólico e despertar em você as lembranças dos primeiros verões de sua vida!

Além dessa viagem olfativa, compramos biscoitinhos caseiros e ganhei uma "legítima" Louis Vuitton. (No caso está mais para Luís Vitom, mas é lindona!) Resisti à tentação de comprar um enRolex por 40 reais, já que nem uso muito relógio. Minha incursão acabou rendendo uma boa reflexão filosófica no Twitter, que foi respondida por De França com um espirituoso "Pra quê Mercado Público, se temos o Shopping Maradona?" Bem, é preciso amar a própria terra, não?

Falando em Twitter, fui entrevistada pela Lene de Costa, já que sou uma das poucas usuárias criciumenses desta ferramenta de micro-blogging. A entrevista, inclusive, foi através do próprio twitter. Leia aqui.

Agora minha coluna na Rádio Criciúma está temática. Resolvi compartilhar lá um pouquinho do que sei sobre blogs, ferramentas, mídias sociais. Não é muita coisa e se você já é um tecno-nerd não vai encontrar grandes novidades, mas quem está engatinhando na vida bloguística pode encontrar dicas legais. Acessa lá e se quiser me passar dúvidas, sugestões, elogios rasgados e aquele negócio de "críticas construtivas" é só mandar 1 e 1/2!

É isso, pessoal. Lembrando que as antas não herdarão o Reino dos Céus.

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18.08.08

Sem tempo e sem estômago para saber sobre tudo

23:58:00, Categorias: Crônicas  
O que uma doutora em Lingüística, uma jovem publicitária e um escritor dado a relacionamentos abertos têm em comum? Todos estão cansados. Cansados de ter que saber de "tudo ao mesmo tempo agora", cansados da obrigação de opinar sobre qualquer tema, cansados de ver o seu tempo sendo empregado de uma forma que parece muito bem sucedida, mas que no frigir dos ovos pode ser uma grande perda de tempo.
Muitos textos que leio ultimamente, falam disso, de como estamos ficando escravos da informação em tempo real, do apego às últimas tecnologias, da obrigação de conhecer tudo que está se produzindo em todas as áreas. Cansa mesmo. Cansa porque é impossível, mas vemos que muitos tentam. E ao ver os outros tentando, cansamos mais ainda. O twitter, por exemplo: é um prato cheio para quem quer se perder em informações que não chegam a ser inúteis, mas que podem fazer você passar um dia inteiro ocupado sem produzir absolutamente nada.
Mais do que nunca, é preciso ter foco. Logo, logo vão distribuir Ritalina de graça nos postos de saúde porque nem é preciso ser hiperativo ou bipolar para se perder em meio a avalanche de informações. Não dá para saber de tudo, estar atento a tudo, sem perder a sanidade no meio do caminho. Em algum momento você vai perder a sua. Vai ter enjôos ao sentar diante da tela do computador e sua cabeça vai doer só de pensar em conferir os e-mails. Mas você seguirá, finalmente sem a pretensão de dominar todos os assuntos, mas tentando não abandonar o barco completamente. Tentando fazer com que ele continue flutuando ao leve sabor do vento, enquanto seus remos repousam num canto qualquer.
É isso que este texto está fazendo pelo meu blog hoje: deixando-o seguir sem muita direção até que meus braços estejam fortes novamente para remar.
Enquanto isso, deixo você navegando com a letra de Arnaldo Antunes. Não fala exatamente sobre o assunto que tratei. Não declaradamente. Mas ao escutá-la fiquei com uma sensação parecida a que senti quando li os três textos que recomendo no início. A sensação de "pra quê correr tanto? pra quê levar tudo tão a sério? pra quê querer ser sempre a melhor, mais esperta, mais inteligente, mais bem informada? pra quê?"
Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano
Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé
Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você.

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15.08.08

Uma entrevista inspiradora - Ana Elisa Ribeiro

06:51:00, Categorias: Leitura  


Li trechos da entrevista dela e vim correndo escrever aqui. Não conheço seus poemas - isso é algo que pretendo fazer em breve - e pensei que talvez devesse primeiro me informar sobre a autora, ler suas obras, ler críticas sobre suas obras, etc., mas o que li em sua entrevista me basta para querer falar dela aqui. Nada contra os textos bem elaborados, concebidos sob árdua pesquisa, mas afinal, eu escrevo um blog e não um compêndio literário, ora bolas, e tenho pressa de dividir algo legal com quem "me lê"!

Vamos aos fatos: Ana Elisa Ribeiro. Não a conhecia e ainda não posso dizer que a conheço. Era apenas mais um nome na página do Digestivo Cultural. Pois Ana Elisa é poeta. E diz que não se pode deixar de ser poeta. Da mesma forma que não existe ex-gay, não existe ex-poeta, ela compara. É mineira, doutora e mestre em Lingüística, mora em BH e de lá escreve crônicas exclusivamente para o Digestivo, lança livros de poemas e dá aulas. Ana se define como uma "professora fanática" e "escritora por absoluto amor à língua".

Mas o que me fez correr para escrever sobre Ana foi um "causo" que ela contou de quando era aluna de Teoria da Literatura e ainda não tinha publicado nenhum livro. Resolveu mostrar seus poemas para a professora (não para receber aprovação se deveria publicar ou não, pois ela já havia encasquetado que publicaria e pronto), mas para ter uma apreciação de alguém com cacife para isso. A professora não só gostou como levou para outra autora mais experiente, a escritora e jornalista Laís Corrêa de Araújo Ávila.

Laís se empolgou tanto com o trabalho de Ana Elisa que lhe enviou um bilhete com palavras de incentivo e deu sugestões em relação aos poemas. Dentre estas sugestões uma delas era que a jovem escritora cortasse todos os poemas "engraçadinhos". Ana Elisa ficou lisonjeada com o interesse e a ajuda de uma poetisa tão bem conceituada como Laís e guarda até hoje o bilhete com as palavras de ânimo que ela lhe enviou. Porém, Ana não cortou nenhum dos poemas "engraçadinhos"! Disse que considerou com carinho a sugestão, mas preferiu mantê-los e hoje ela vê que é esta veia cômica que dá a seus escritos um certo tom "incômodo, mas consistente".

E é verdade, é um tanto cômico, mas é também incômodo ler…

"Eu sei, meu bem/ que seu sonho é comer uma sueca/ alta loura e boa//
mas finge/ meu amor/ fecha o olho e finge/
o meu cabelo/ a gente tinge"

Ainda não li a poesia de Ana Elisa Ribeiro. Começarei pelas crônicas do Digestivo, que é o que mais está ao meu alcance agora. Pode ser que eu goste, pode ser que não, não sei. A julgar pelo que ela mesma fala sobre seu estilo de ser cronista, creio que vou amar.

"Eu fui ajustando um jeito de escrever o que eu queria, de preferência evitando temas chatos, polêmicas baratas, discussões que estão na crista da onda e bate-bocas que causam profundo desgaste com gente que nem conheço direito. Vou falando de chicletes, manias, festas, gravidez, etc."

De qualquer forma, só de saber que ela ouviu a opinião de uma renomada escritora, e mesmo assim decidiu não acatá-la, decidiu manter a sua posição, apostar no que acreditava e lançar sua obra daquele jeito mesmo, com o tom "engraçadinho" que julgou necessário, só isso já me fez admirá-la por demais! Não sei se eu teria a mesma firmeza. É bom ver gente que aposta no que faz e que não tenha medo de arriscar para "ver no que é que dá". Baita inspiração!

Ana Elisa, quando eu crescer quero ser como você.

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13.08.08

Futebol e Solidariedade

23:18:00, Categorias: Notícias  
O Bairro da Juventude é uma instituição de Criciúma, SC, que ajuda crianças e jovens em risco social, fornecendo-lhes ensino, merenda escolar e capacitação para o trabalho. Eu queria me colocar à disposição para ajudar de alguma forma e a maneira que encontrei é divulgando aqui ações do Bairro. Portanto, toda quarta-feira estes serão os temas de meus posts.


E já começamos com algo muito legal. Desde o dia 8 de agosto, três treinadores italianos de futebol, do Milan, estão em Criciúma para promover uma escolinha com alunos de 9 a 10 anos do Bairro da Juventude. É o Milan Junior Camp, que já aconteceu em Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Criciúma é a única cidade do interior que está recebendo o projeto e é a única também onde ele é gratuito. As crianças que estão participando dos treinos são aquelas que já freqüentavam a escolinha de futebol do Bairro da Juventude e todos receberão um uniforme completo do Milan.

Vocês bem sabem que não concordo com as posições religiosas de Kaká. Mas, como não entendo nada de futebol, não sou eu que vou contestar o título de melhor do mundo concedido a ele. Então, lá vai: você é da região de Criciúma e quer uma camisa oficial do Milan, número 22, autografada pelo melhor do mundo? Ligue para o (48) 3439.9900 e doe R$ 5,00 para o Bairro da Juventude. Cada doação dá direito a um número para concorrer à camisa autografada pelo craque, que será sorteada dia 16 no intervalo do jogo Criciúma X Ponte Preta.

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12.08.08

Sem Canudo, NÃO!

17:36:00, Categorias: Notícias  

O Supremo Tribunal Federal está prestes a julgar um Recurso Extraordinário (RE 511961) que, se for aprovado, irá permitir que qualquer pessoa exerça a profissão de jornalista.

Aqueles que são a favor do projeto, o fazem baseados no argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça a liberdade de expressão da população em geral. Um argumento mal intencionado e infundado, já que os jornalistas são os que mais fazem questão de dar voz ao povo, aos especialistas, aos notáveis ou anônimos!

Se qualquer pessoa puder trabalhar em uma redação de TV, rádio ou jornal, poderemos ver nossa imprensa ser guiada por interesses que não passam nem perto do objetivo de bem informar e garantir a liberdade de opinião.

A discussão não é se todos os jornalistas são éticos ou não. Não está em pauta se os cursos de graduação suprem toda a necessidade de formação. Isso também deve ser discutido, há deficiências nos cursos, nos profissionais, na imprensa. Mas não é permitindo que qualquer indivíduo, até mesmo aquelas que nem concluíram o ensino fundamental, exerçam o jornalismo que iremos preencher as lacunas problemáticas da imprensa brasileira.

Já são 70 anos de regulamentação da profissão e 40 anos de cursos de jornalismo no país. Destruir isso é um retrocesso.

Estamos na Semana Nacional de Luta em defesa do diploma e da regulamentação profissional dos jornalistas. Em todo o país estão ocorrendo manifestações que visam sensibilizar os 11 ministros do STF que julgarão o Recurso Extraordinário. Em Criciúma, profissionais da imprensa e estudantes de jornalismo se reunirão ao longo do dia na Praça Nereu Ramos.

"Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos destes interesses particulares. Os brasileiros e, neste momento específico, os Ministros do STF, não podem permitir que se volte a um período obscuro em que existiam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, de todos os cidadãos!"
FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas
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Não era bem assim…

00:58:00, Categorias: Cotidiano  

Quando eu estava no jardim de infância olhava para as meninas do pré-escolar e achava-as muito altas. Queria estar logo no pré para estudar no segundo piso da casa onde funcionava a escolinha. Tenho bem clara em minha memória a imagem de uma menina grande,(era assim que eu a via), de mãos na cintura, parada na minha frente no parquinho, me dando ordens, como conviria a uma giganta do pré-escolar falando com uma pirralhinha do jardim I. O toque de midas, o que mais me encantava é que ela usava relógio! Ela parada na minha frente, com o pulso bem diante dos meus olhos e aquele reloginho mostrando o quanto ela era poderosa e eu, uma pequena formiga submissa. Meu deus, era minha inspiração! Era lá que eu queria chegar: estudar no segundo andar, mandar as meninas mais novas me servirem e usar relógio. Quando cheguei à pré-escola meu sonho não se realizou por completo, já que eu mudei para um colégio que tinha pré-escolar, ensino fundamental e médio, portanto eu estava a anos-luz de ser a mais velha do pedaço.

Quarta-série do primário, aquela idade em que os pensamentos e o corpo começam a dar os primeiros sinais de mudanças. Olhava para as garotas do segundo-grau (o atual Ensino Médio) e não via a hora de chegar a minha vez! Eu teria seios grandes, meus cabelos seriam jeitosos como os das modelos das revistas, poderia sair sozinha e ir aos "points" da moda. Sobretudo eu acreditava que ao chegar à tão sonhada adolescência eu não seria mais aquela menina acanhada, nem teria vergonha dos meninos. Imaginava-me poderosa com a chegada dos 15 anos. De repente eu estava lá: primeiro ano do segundo-grau. Unhas pintadas de vermelho, alguns sapatos de salto no armário, mas meu cabelo continuava incapaz de segurar uma tiara, de tão escorrido que era; só usava sutiãs de teimosa, pois não seria nem um pouco necessário, e os meninos… Ah, os meninos ainda eram seres que me deixavam muda de tanta timidez. Quanto às festas e baladas, elas só eram freqüentadas depois de muitas negociações com os pais – os carrascos de todo adolescente.

Então, nessa época, eu olhava as pessoas de 25 anos ou mais e acreditava que fossem todas muito adultas. Independentes, fortes, seguras de si. Ora, a Juliana adolescente via a Juliana de 28 anos como uma jovem senhora, com um emprego estável e bem remunerado, sem neuras, com todos os problemas de auto-estima resolvidos. A Juliana de 28 anos não choraria por qualquer coisinha, não cometeria gafes bobas, não seria mais tão carente e teria sempre o controle da situação. Os 28 anos chegaram. E posso dizer que em muitos momentos me sinto tão criança quanto aquela menina do Jardim I, que desejava ser grande e estudar no segundo piso da escola. Ainda sou a menina de 9 anos, meio desajeitada com o próprio corpo, às vezes adorando o que vê no espelho, às vezes, evitando lançar os olhos ao próprio reflexo. As lágrimas continuam rolando pelos motivos banais e jorrando pelos motivos genuínos.

Os 28 anos chegaram e eu vejo que não era como eu imaginava. Mas muitas perguntas que antes eu não saberia responder, hoje eu sei. Tantos sentimentos que eu não conseguia controlar, agora consigo. Idéias que nunca imaginei que teria, eu tive. E tomei iniciativas que fariam a Juliana de 15 anos ficar admirada. Muita burrada já fiz e consertei. Muito perdão já foi pedido e concedido. E ri muito, viajei, vi muito pôr-do-sol, ouvi e li palavras lindas, ganhei abraços inesquecíveis, comemorei grandes e pequenas vitórias, e ouvi elogios que a menina tímida dos cabelos escorridos nunca imaginou que receberia. Milhares de momentos, daqueles que nos dão certeza de que a vida vale a pena, eu vivi! Então, motivos não me faltam para me alegrar por ser quem eu sou. Porque minha vida não é como eu imaginava que seria. Ela é muuuito mais interessante!

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09.08.08

Conselhos grátis só amanhã.

02:47:00, Categorias: Comportamento  
Ela era generosa. Dava boas dicas, ajudava, mostrava o caminho. Não que fosse uma palpiteira chata que só se mete na vida alheia. Não. Só aconselhava àqueles de quem gostasse de verdade. Queria o crescimento dos amigos.
Apostava no talento de cada um.
O fato de as pessoas porem em prática seus conselhos, só provava que eles eram mesmo bons. "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço" não era com ela.
Sentia prazer em ensinar. Dava o mapa do tesouro, pegava pela mão e dizia, "é por aqui, eu te mostro…" E eles iam. Mas, no destino final, ela percebia que soltavam de sua mão e sumiam de suas vistas. Apenas continuavam à espreita para descobrirem o que ela fazia e dizia para então agirem do mesmo jeito.
Eram capazes até mesmo de beber da mesma fonte. Porém quando a viam saciada, diziam que a água era suja. Como nunca saíam tão satisfeitos quanto ela, gritavam (num fiozinho de voz, mas gritavam): "água podre, água podre!" Um dia ela escutou os gritos. E resolveu que era hora de parar de dar a mão a quem lhe cravava as unhas. Era a hora de pensar muito bem antes de levar alguém à fonte.

Você sabe por que a cordialidade e a generosidade estão desaparecendo do nosso planeta? Porque há muita gente que não sabe se alegrar com as conquistas alheias e, como se fosse pouco, trilham o mesmo caminho que o seu, mas desdenham dele a cada curva. Há muitos que cospem, não no prato que comeram, mas no prato de quem lhes ofereceu a refeição.
Eu gosto de ajudar e ensinar. Tento fazer com que a vida dos que me cercam fique sempre melhor. Talvez seja uma certa vontade de brincar de boneca com o ser humano. De qualquer forma minhas bonecas estão sempre bem cuidadas e felizes. Eu não as maltrato, assim como não maltrato quem faz parte de minha vida. Mas chega aquele momento em que você sente as farpas. E elas se dirigem a algo que lhe é tão caro. Então você começa a perceber que, enquanto acreditava estar ornando uma princesa com uma linda coroa, estava era atirando pérolas a uma porca qualquer.

Eu já disse e repito: não meço minhas amizades pelos ombros em que posso chorar. Mas sim, pelos sorrisos escancarados que vejo, diante de mim, quando compartilho minhas vitórias.

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."
(Mateus, 7:6)

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05.08.08

Tecnologia de ponta… Bombril na ponta da antena! ou "Libertando a noveleira que há em mim"

23:05:00, Categorias: Cotidiano, Cultura Pop  

*Atenção, Dona Marta, isso não é uma indireta!

Bom, há muito tempo que já larguei meu discurso pseudocult de "não assisto TV, só alguns seriados da Sony e programas do GNT". Longe do conforto do lar paternal, não se pode ter todas as regalias. E entre TV a cabo e internet banda larga, claro que escolhi a internet! Mas como a companhia dos solitários é a TV, aqui em casa ela está sempre ligada. Todo o lixo da TV aberta eu assisto: de Marcia Goldsmith a Datena, passando por RR Soares e O Melhor do Brasil (que era um lixinho bem legal quando o Márcio Garcia apresentava. Aquele Rodrigo Faro parece um robôzinho.)

Quando canso das programações super variadas mudo para um canal que só passa clipes o dia inteiro, o canal 57. Viu, que coisa chique?! Por acaso a sua TV por assinatura tem algum canal que transmita SÓ CLIPES o dia TODO? Não estou falando de duas horinhas como o Multishow ou aquela aborrescência da MTV! Clipes variadíssimos 24 horas por dia! Tem de tudo, de um extremo a outro: de Patti Smith a Britney Spears e de Iggy Pop a Zeca Pagodinho (se bem que não sei se eles encontram-se tão distantes assim "a nível" de pessoa humana). O melhor é que o meu canal 57 é o único que sempre está mais ou menos bem sintonizado. Porque os outros, olha, eu tenho que depender da conjunção astral e da fase lunar para saber qual emissora assistir. Posso estar assistindo à Record, à noite, e a imagem estar ótima (ótima no caso é com um nível médio de chuviscos), aí desligo a TV, não mexo na antena e vou dormir. No dia seguinte, quando vou tomar café da manhã acompanhada do Brito Júnior e da Ana Hickmann, putz, cadê a imagem que tava aqui? Um nojo!

Fora que às vezes assisto dois canais ao mesmo tempo. Um é o que eu escolhi para assistir mesmo e outro é aquele fantasma que fica aparecendo atrás, sabe? Muito prático. Eu assisto A Favorita e Mutantes - Caminhos do Coração, simultaneamente. É a tecnologia da TV digital tornando meus momentos de lazer muito mais prazerosos e produtivos. Falando em produtividade, outra coisa que quem mora sozinho costuma fazer é deixar a TV ligada enquanto realiza os trabalhos domésticos. É ótimo, você vai colocando ordem na casa, enquanto se mantém bem informado. Mas, "ai que ódio!", conforme eu ando pela casa, a TV solta uns chiados INSUPORTÁVEIS! Então, o esquema fica assim: antes de tomar o café, ajeita a antena; aí vai lavar a louça, arruma a antena de novo; vai lavar a roupa, bota a antena pra esquerda; vai pendurar a roupa, joga a antena pra direita; mas quando vai varrer a casa, aí "enfia a antena no raio que o parta" porque andando de um lado pro outro tem sempre uma hora em que a TV vai chiar, caramba!

Mas, não posso reclamar (imagina se pudesse). Apesar da tela do meu notebook ser maior que a da minha TV, já vivi bons momentos com a minha pequenina. Quando pego um DVD, por exemplo, a imagem fica ótima! Aquelas faixas pretas em cima e embaixo da imagem também ficam ótimas, vistosas, negras, ocupando metade da tela. E eu descobri que por mais que se aumente o volume da TV, as legendas não crescem, veja só que interessante! Tipo, dá vontade de pôr a televisão no colo.

E claro que sendo uma mulher do povo, uma consumidora da TV aberta, eu não poderia perder a revelação da semana, do mês, quiçá do ano! Quem é a assassina: Flora ou Donatella. Tudo já estava levando a crer que fosse a Flora. Ela começou boazinha demais, mas nos últimos capítulos já estava dando provas de ser uma mulher calculista e manipuladora. E pra Donatella ficar tão neurótica daquele jeito, só sendo uma inocente que estivesse vendo a situação se inverter e ficar ruim pro seu lado. Achei legal que a Flora seja a culpada porque tira aquele estereótipo de que é sempre a rica, perua, que tem tudo do bom e do melhor que é a malvada da história. Curti também ver a Patricia Pilar dando vazão ao seu lado bandida, com aquele olhar cheio de más intenções, sendo finalmente escancarado em algumas cenas e, dissimulado em outras. Mas faltou uma caracterização delas um pouco mais novas nas cenas do assassinato. Afinal foi há 18 anos. Elas não poderiam estar exatamente com a mesma cara e a Flora com a mesma camisa xadrez de sempre, inclusive.

Why so serious, Donatella?
Claro que, sendo novela, tudo tem que ser bem exagerado, mas hoje eles apelaram. De repente a Flora se tornou A desvairada e saiu rindo e ouvindo um rockzão a todo volume no carro, coroando a obra de arte do horário nobre com uma cena à lá Coringa, botando o cabeção pra fora do carro e sorrindo amalucadamente ao vento. Tudo bem, nenhum personagem pode mais botar a cabeça pra fora do carro, com o veículo em movimento, agora? Pode, claro que pode. Mas a cena da Flora estava mesmo muito chupada do Cavaleiro das Trevas. O que não é de se estranhar, já que outro dia o personagem do Carmo Della Vechia apareceu numa cena, dirigindo à noite, que "de certeza" o diretor estava brincando de Sin City! É a beleza e a criatividade da televisão brasileira. Mas tá certo, tem mais é que copiar mesmo. Eu, se fosse diretora de novela, faria o mesmo. É uma forma de levar cultura cinematográfica para as massas, não? Pois desde quando quem tem bombril na ponta da antena lá sabe o que é Sin City?!

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Permalink 983 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (0)

Papo de Crente

19:22:00, Categorias: Losing my Religion  

Recebi um comentário de um cristão-evangélico em minha postagem Grupo de evangélicos luta pelo direito de ser contra a homossexualidade. Foi um dos poucos evangélicos que me enviou uma mensagem com alguma coerência e que segue uma linha clara de raciocínio, por isso estou postando aqui os comentários dele, trechos a trechos, seguidos de minhas respostas. (Eu disse que ele tinha uma linha clara de raciocínio, não disse que concordo com ele, claro que não!)

*minhas respostas em negrito.

- Bom, Juliana, primeiramente gostaria de dizer que sou evangélico, também gosto de rock e de cinema.
- Muito bem, então ainda há salvação para você. (E não estou sendo irônica. A música e o cinema tiveram grande importância na minha "desconversão".)

- Sobre os fatos, a questão central nessa história não é o direito de discriminar o homossexual, mas sim o direito da liberdade de opnião. Da mesma maneira que todos aqui têm o direito de criticar os evangélicos, desde que respeitando os limites legais, todos temos direito de expressarmos nossa opinião sobre o homossexualismo, como prática, pois antes de tudo não somos nós que dizemos, mas sim a palavra, como em Romanos 1: 18-26 ou outras diversas passagens na Bíblia sobre o homossexualismo. Não me importo se as pessoas aqui vão dizer que sou fascista, fanático, ou qualquer outra coisa, como já disseram dos evangélicos. Será que tenho direito de expressar minha opinião, mesmo que a maioria nao concorde…. Isso é verdadeiramente viver numa sociedade democrática. O que não podemos aceitar é que se crie no Brasil uma casta de intocáveis, pessoas que por causa da sua OPÇAO, terão amparo legal acima dos concedidos aos demais cidadãos brasileiros.
- Mesmo com a lei contra a discriminação aos homossexuais você vai continuar tendo direito a sua liberdade de expressão. Você pode, entre seus amigos ou dentro de sua casa, dizer que os homossexuais vão para o inferno, da mesma forma que você pode dizer que não gosta de negros, por exemplo.

Aah, você nunca diria que não gosta de negros, não é? Eu concordo, é um disparate basear suas opiniões sobre uma pessoa por causa da cor da pele. Ou você acha que tem o direito, garantido por lei, de não gostar de índios, por exemplo? Sim, dentro da sua cabecinha você pode pensar o que quiser. Desde que você saiba que o seu pensamento não é o correto. Desde que você tenha a clara noção de que seu pensamento é baseado em um preconceito bobo e sem fundamento.

Mas muitas pessoas não sabem diferenciar opiniões válidas daquelas que não têm fundamento. Essas pessoas, ao longo da história, perseguiram os negros, queimaram mulheres na fogueira e espancaram homossexuais. Muitas continuam usando de violência, seja física ou verbal, contra muitas minorias. Então, para essa gente sem noção não sair por aí aterrorizando os outros, são criadas leis para coibir esses tipos de comportamentos. Eu sei, eu sei, você não quer bater nos homossexuais, você não vai deixar de dar emprego a um homossexual (será que não?), você não vai cuspir num homossexual que você encontre na rua.

Então, por que você está preocupado com a lei que criminaliza a homofobia? Você tem fobia de homossexuais e quer ter o direito de demonstrá-la? Acho que esse problema você não tem, afinal, algo que os evangélicos costumam repetir é que amam os homossexuais, só não amam a homossexualidade.

Mas, vem cá, por que cristão (POR QUE?!) você quer ter o direito de falar mal da sexualidade alheia?
Você diz que a condenação para a homossexualidade está na bíblia. Quem sabe eu lhe mostre alguns livros fascistas, nazistas, sexistas, machistas, escravagistas, e baseados neles consideraremos que qualquer pessoa tem o direito de ter opiniões preconceituosas e cruéis a respeito de negros, índios, mulheres, deficientes físicos ou mentais e outras minorias. Afinal de contas, está escrito…

- Quanto à sua mágoa com os evangélicos, não sei o que aconteceu, mas gostaria de te dizer que todos passamos por decepções depois da conversão, pois imaginamos que as pessoas serião perfeitas, mas infelizmente não é o que ocorre, muito pelo contrário, parece que os piores estão dentro da igreja.

- Não larguei a igreja por mágoa e sim por não engolir mais as contradições, preconceitos e absurdos do livro que vocês tanto endeusam e das doutrinas que vocês seguem cegamente. E, você mesmo diz, "os piores estão dentro da igreja". Então, mais um motivo para "se mandar". Quero me cercar de bons exemplos.
A vida é muito curta pra perder tempo com gente mal intencionada.

- Também já passei por essa fase, fiquei quase três anos fora da igreja, mas nunca perdi de vista Aquele que foi o único homem perfeito que já andou pela Terra… vc deve saber de quem estou falando.
- …. Elvis?!

- Ele me deu forças para superar as decepções, e hj me encontro restaurado e feliz.

- Eu tive pessoas de verdade que, ao longo da vida, me deram forças para superar decepções. Eu sei que elas têm defeitos, mas isso não impediu que fossem para mim inspiração e apoio. Eu não preciso idealizar um ser perfeito para nele me espelhar e para nele encontrar força. Sei bem que as pessoas que nos magoam num momento, podem ser aquelas que mais nos ajudam em outro. Então, não me fale de superar mágoas e de aceitar que as pessoas não são perfeitas.

Passei tempo demais dando créditos das coisas boas de minha vida a quem não merecia. Já perdi tempo demais louvando "uma idéia". Hoje eu prefiro louvar àqueles que estão ao meu lado me dando apoio, amizade, bons conselhos e ombros amigos. Hoje eu prefiro louvar a mim mesma quando consigo algo por meu próprio esforço e iniciativa.

- Gostaria que vc refletisse sobre isso e não desistisse Dele, pois nao importa o nosso pecado, seja homossexualismo, mentira, corrupção, pedofilia, assassinato, ou simplesmente mágoa, inveja, orgulho ou vaidade, ele nunca desiste de nós, está sempre disposto a nos perdoar e fazer-nos parte de Sua família.


- Deus está sempre pronto a me perdoar, então? Pois que ele me perdoe, se ele quiser. Ele está esperando o quê? Que eu caia de joelhos, clamando por misericórdia? Engraçado, eu que sou eu, cheia de falhas, não preciso que alguém caia de joelhos chorando na minha frente para que eu a perdoe de alguma sacanagem que tenha feito contra mim. De fato, não preciso nem ter certeza que a pessoa está arrependida pra valer, porque isso só se percebe com o tempo e a convivência.

Mas o Seu Deus é cheio de exigências e de "mimimi". Ele quer um coração quebrantado, ele quer arrependimento, ele quer que eu o adore, ele quer jejum, ele quer "louvores com a harpa, com o saltério e com dança"… Ele quer que eu NÃO me masturbe, que eu NÃO faça sexo antes do casamento, que eu NÃO minta, que eu NÃO escute ACDC, que eu NÃO me embriague com vinho, que eu NÃO fale palavrão, que eu eu NÃO duvide de um livro defasado como a Bíblia, que eu NÃO questione as bobagens que saem dos lábios de pastores! O seu Deus quer que eu dê 10% de meus rendimentos a uma instituição que enriquece às custas do povo, ele quer que eu seja submissa a meu marido e que eu só me considere uma mulher cheia de virtudes se eu for como aquela chata de Provérbios 31!

O seu Deus quer até que eu venda tudo que tenho, dê aos pobres e o siga! Ah, não é o Seu Deus que quer isso, né? Devo ter me confundido, já que nunca vi nenhum cristão evangélico vendendo seus bens e dando aos pobres. No máximo, eles dão ao pastor.
Ele está pronto para me receber de volta em Sua Família? Não, obrigada, já tenho família. E mesmo que não tivesse não gostaria de fazer parte de uma família que se acha no direito de condenar o que as pessoas fazem entre quatro paredes.

Permalink 1477 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (4)

04.08.08

Luluzinha Camp - Eu vou!

22:57:00, Categorias: Notícias  

Você que é mulher, blogueira e tem disponibilidade para estar em São Paulo no dia 23 de agosto, não perca:

Luluzinha Camp - um encotro de blogueiras, para você conhercer "ao vivo" aquelas que voce só conhece dos blogs, caixas de comentários, fóruns, twitters, fotologs, orkuts e flickers da vida.

Mas, afinal, o que é esse tal de CAMP?
Um Camp é um encontro baseado na metodologia do Espaço Aberto (Open Space Technology), onde os participantes organizam a própria pauta, formando grupos de discussão sobre determinado tema.

Então garotas, é isso. Também não sei explicar exatamente o que é, e o que acontece num Camp, pois este será meu primeiro. Sim, eu vou para São Paulo especialmente para este encontro!

A entrada é gratuita. É só fazer sua inscrição AQUI.

E para a mulherada se preparar para o encontro, saber quem vai e já ir se esquentando para o evento foi criado o blog Luluzinha Camp.

Tem um texto meu lá, com o título Um Mundo de Mulheres de Verdade, falando sobre algo bem batido, mas que é bom que seja dito, "redito" e repetido. (Clique no título para ler)

ACESSE O BLOG, LEIA, COMENTE, FAÇA SUA INSCRIÇÃO E CONVIDE SUAS AMIGAS BLOGUEIRAS.

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Permalink 211 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (0)

02.08.08

O que é o ovo?

02:48:00, Categorias: Leitura  
Todo mundo já ouviu falar de Clarice Lispector.
Quem nunca teve uma professora de literatura que a citasse? Quem nunca foi obrigado a ler alguma obra da autora (ou seu resumo) para as famosas fichas de leituras? Principalmente, quem nunca viu frases soltas atribuídas a Clarice em blogs, fotologs, perfis do orkut? Mas daquilo que muito se fala, pouco se conhece. As novas gerações sabem que Clarice Lispector existiu. E que era uma escritora. Só. Os mais bem informados talvez saibam o título de alguns de seus livros. Fica apenas aquele nome pairando no ar, como uma espécie de Deus. Todos falam nele, mas ninguém sabe ao certo quem é, o que é ou mesmo se realmente é.
Clarice era e é.
Você já ouviu elogios aos romances e contos dela? Saiba que todos eles são válidos. Acabei de ler o conto O ovo e a galinha, conto este que foi o discurso da autora em uma convenção de Bruxas. Clarice não era declaradamente uma bruxa, apesar de sua obra nos fazer mergulhar em mundos profundos dentro de nós mesmos. Talvez a tenham convidado por causa desse fascínio que suas palavras exercem.
Clarice não é leve.
Ela trata de temas cotidianos, sim, mas daquele momento do cotidiano em que somos pegos de surpresa por nossas próprias inquietações. As personagens de Clarice que passam despercebidas pela vida nos são expostas abertamente e, vendo a ignorância delas, somos despertados para as questões mais angustiantes da existência. A ignorância, a mediocridade, a vaidade, o medo da morte, o medo da vida, as escolhas difíceis, a velhice, o amor: está tudo lá, sem julgamentos, sem lições de vida, nem respostas prontas. Quando você estiver num momento superficial e quiser permanecer assim, não chegue perto de um livro de Clarice. Porque os questionamentos, ou a inércia, de suas personagens expõem nossas entranhas e nos viram do avesso. Leia se você não sabe as respostas porque nem conhece as perguntas.

Leia Clarice se não tiver medo de descobrir suas próprias perguntas.
"O ovo e a galinha"
é um de seus contos mais famosos. Na verdade, não se pode chamá-lo somente de conto. Ele é dissertação, filosofia, crônica, poema, tese. Eu acredito até que ele possa ser usado como uma espécie de livro de meditação ou como aqueles livrinhos de bolso com uma mensagem edificante para dia. Com a diferença de que O ovo e a galinha não vai dar a você uma mensagem de auto-ajuda. Pode ser que dê. Mas pode ser que lhe dê uma pergunta, pode ser que lhe dê esperança, pode ser que lhe dê maturidade, resignação, desejo. Escolha…

Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.

Quando eu era antiga fui depositária do ovo e caminhei de leve para não entornar o silêncio do ovo. Quando morri, tiraram de mim o ovo com cuidado. Ainda estava vivo.

Tomo o maior cuidado de não entendê-lo. Sendo impossível entendê-lo, sei que se eu o entender é porque estou errando. Entender é a prova do erro. Entendê-lo não é o modo de vê-lo. – Jamais pensar no ovo é um modo de tê-lo visto.

Quem se aprofunda num ovo, quem vê mais do que a superfície do ovo, está querendo outra coisa: está com fome.

Mas dedicar-me à visão do ovo seria morrer para a vida mundana, e eu preciso da gema e da clara.

É isento da compreensão que fere. – O ovo nunca lutou. Ele é um dom. – O ovo é invisível a olho nu.

O ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe.

Deve-se dizer "o ovo da galinha". Se eu disser apenas "o ovo", esgota-se o assunto, e o mundo fica nu.

Para que o ovo use a galinha é que a galinha existe. Ela era só para se cumprir, mas gostou. O desarvoramento da galinha vem disso: gostar não fazia parte de nascer. Gostar de estar vivo dói. – Quanto a quem veio antes, foi o ovo que achou a galinha. A galinha não foi sequer chamada. A galinha é diretamente uma escolhida.

Pego mais um ovo na cozinha, quebro-lhe a casca e forma. E a partir deste instante exato nunca existiu um ovo. É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída. Sou indispensavelmente um dos que renegam. Faço parte da maçonaria dos que viram uma vez o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem.

Leia o conto inteiro - O ovo e a Galinha e depois me diga: quem ou o quê o ovo representa?

Clarice escreveu também para crianças. A mulher que matou os peixes, de autoria dela, foi um dos primeiros livros que li na vida. Li e reli dezenas de vezes, imaginando cada situação, cada personagem, cada bicho ali descrito. Li e imaginei tanto que ele está bem guardado na minha memória até hoje.

Leia também:

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Permalink 908 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (1)

01.08.08

Testes e bobagenzinhas deliciosas da Internet

15:09:00, Categorias: Bobeirinhas  
Momento "coisinhas divertidas da internet".

Eu adoro testes. Já falei sobre isso neste texto: Quem é você em Sex and the City?

E encontrei, através do blog Clindenblog, um site cheio de testes curtinhos e divertidos. São todos em inglês, mas como não são frases longas dá pra responder numa boa, com apenas um conhecimento básico do idioma. Tem testes para descobrir o quão extrovertido você é, qual a cor da sua aura, se você é charmoso, que tipo de música você é… essas coisas super necessárias para "seu crescimento a nível de pessoa humana".

Fiz o teste para saber se sou mais gato do que cachorro e o resultado não me surpreendeu muito. Entre gato e cachorro minha personalidade se parece mais com a de um gato mesmo, mas não tanto, já que deu 40% cachorro. Ou seja, sou 60% gatinha, 40% cadela (no melhor sentido da palavra, não neste que você está pensando seu depravado)!

Vocês sabem, gatos são independentes, abusados, não fazem festinha quando o dono chega em casa, age apenas de acordo com seus interesses. Já os cachorros são uns bobões. A maioria deles só quer saber de festa e nunca nega um carinho.

Então, meu diagnóstico está perfeito. Sou mesmo uma anti-social/carente; uma irônica/ingênua e uma introspectiva/comunicativa.

Outra descoberta legal: ontem já bem depois da meia-noite eu estava procurando imagens para ver se conseguia dar uma incrementada no topo do blog. Conversando com a Jazz no msn mostrei a ela a ilustração de uma diabinha que eu tinha encontrado e que seria perfeita para o meu topo se ela não fosse morena! Aí a garota do Poucas Palavras disse que eu mesma poderia fazer a minha bonequinha e me passou o endereço deste site: Face your Manga

Gente, eu a-d-o-r-e-i!!!

É uma delícia. No início parece que aquela boneca feia e careca não vai ficar bonita de jeito nenhum, mas à medida que você vai escolhendo maquiagem, cabelo, tamanho da boca, sobrancelha… ela vai ficando gatíssima. Me senti um pouco Deus criando um ser à minha imagem e semelhança!

Repararam que a minha modéstia fugiu agora, né? Primeiro digo que a boneca ficou gatíssima depois digo que a fiz à minha imagem e semelhança. Ops!

Mas, julguem vocês mesmos. Aí está a minha criação:

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Permalink 407 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (0)





Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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