09.07.08

19:50:00, Categorias: Crônicas  


Usamos dezenas de objetos ao longo do dia e nem paramos para pensar como e onde eles são feitos, quem os fabrica, por que foram inventados. Você já parou para pensar que em algum lugar, neste exato instante, há alguém fabricando embalagens de shampoo, prendedores de roupa, cabides, pilhas, espirais para cadernos? (Sim, essas coisinhas não "se fazem" sozinhas. Existe até gente que é rica só por conta de fábricas de espirais para cadernos, veja só!) Objetos que nos são úteis, mas raramente olhamos para eles e pensamos que existe gente que ganha a vida produzindo aquele objeto, ou parte dele, e que há uma história por trás de todas essas coisas prosaicas que participam da nossa vida. Se raramente paramos para pensar nisso, tanto mais raro seria irmos à busca da história que um determinado objeto possa contar.

Mas como nesse mundo sempre há algum aventureiro disposto a colocar em prática as mais mirabolantes idéias, certo escritor neozelandês, chamado Joe Benett , resolveu se perguntar qual seria a história escondida nas cuecas que ele comprou em uma loja na Nova Zelândia. Não contente em apenas meditar sobre o assunto, ele decidiu viajar até a China (local de fabricação das peças que havia comprado) para conhecer todo o processo de produção de sua roupa íntima. Joe esteve em Xangai, na Tailândia e no oeste da China, nas plantações de algodão. Conheceu centenas de pessoas responsáveis pela fabricação, distribuição e exportação de suas cuecas e dessa saga, voilà!, nasceu um livro intitulado Where Underpants Come From (De onde vêm as cuecas).
Joe afirma que teve curiosidade de saber como eram fabricadas as cuecas porque acredita que no Ocidente as pessoas não sabem explicar de onde vêm as riquezas e bens dos quais usufruem. Ele tem razão. Vivemos alheios às origens da maioria das "ferramentas" que utilizamos em nossas casas, por exemplo. Gostamos de falar da humanidade generalizando todas as conquistas e descobertas do homem. "Nós descobrimos o fogo", "nós chegamos à Lua", "nós dominamos as tecnologias". Mas a verdade é que NÓS pouco ou nada participamos dessas conquistas. Na entrevista ele diz que se a eletricidade parasse de ser gerada não seria ele quem a faria funcionar outra vez. Pois eu respondo, nem eu! A maioria de nossas conquistas está nos campos dos pequenos desafios do cotidiano: pagar as contas, fazer supermercado, arrumar um emprego, ganhar um aumento, ensinar um filho a andar de bicicleta, tirar uma boa nota na monografia, conseguir perder cinco quilos, aprender outro idioma.

Por isso que temos que valorizar muito os "caras" que enfrentaram oceanos para desbravar novas terras ou aqueles que dedicam suas vidas em cálculos e engenharias para conhecer o Universo; os cientistas com suas pesquisas em busca da cura da melhoria da qualidade de vida do ser humano; os "Darwins" do mundo que se embrenham por ilhas inóspitas para fazer florescer o conhecimento humano; os artistas, que de tão dedicados em captar a essência da beleza e da forma acabam por deixar uns parafusos no meio do caminho; os escritores obstinados que se arriscam a perder meses, às vezes anos, para pôr uma história no papel sem ao menos saber se terão leitores.

Somos desbravadores do dia-a-dia, e normalmente não gostamos de pessoas obcecadas por qualquer coisa, mas temos que agradecer aos milhares de cabeças-duras obcecados que tornaram nossa vida muito mais fácil hoje!

A Bia me indicou a reportagem que se transformou neste post. Visitem a Bia!

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Permalink 614 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (1)
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Comentário de: Wanderley

Gostei do que li. Obrigado.

PermalinkPermalink 29.12.09 @ 11:55



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