
Sabe aquela sensação de que é maravilhoso estar vivo, aquela emoção que enche o coração e explode em lágrimas, um arrepio ou um brilho diferente nos olhos? Aquele entendimento completo do quanto é apaixonante estar vivo?
Os evangélicos chamam isso de toque do Espírito Santo.
(Falo dos evangélicos, pois são os religiosos com quem tive mais contato, mas essas doideiras legais estão presentes em outras religiões também, com diferentes nomes e algumas variações de manifestação.)
Pois bem, quem já foi a uma reunião evangélica pentecostal sabe como é: os fiéis entram em êxtase, cantam, sorriem os sorrisos mais bonitos que você já viu, choram, dançam, caem no chão e às vezes até riem descontroladamente. É uma risada gostosa, já experimentei, sei como é. (Alguns fingem, mas acredito que a maioria não.) É uma viagem psicodélica sem drogas. Só a presença do Espírito Santo!
Bom, então hoje o Espírito Santo se manifestou para mim através de, veja só, Chico Buarque!!!
Acabei de ter um desses mergulhos na magia do universo ouvindo Roda Viva, do Chico.
Vinha dirigindo pela Beira Mar, voltando pra casa e escutando a Rádio Udesc (100,1 FM, em Floripa). Parada num cruzamento, esperando abrir o sinal, começa a tocar Roda Viva (que eu amo), cantada por Chico Buarque e Fernanda Porto. Aumento o som, fecho o vidro do carro para o barulho da rua não me atrapalhar e começo a cantar junto, alto, e batucar no volante. Abre o sinal, sigo em frente, curtindo muito a música, cantando, me sentindo muito bem…
Dou uma olhadinha para o mar à minha esquerda, para o céu ensolarado e com aquelas nuvens bem pequenininhas logo acima e, ainda cantando, me arrepio inteira!
O que passou pela minha cabeça? Não sei direito, tudo muito rápido. Algo como, "que bom estar nesse mundo, que bom ter nascido, ser um ser vivo, poder ouvir esta música, ter os amigos que tenho, poder cantar".
Logo depois do arrepio, as lágrimas… E depois das lágrimas… o riso!!!
Riso! Não um sorriso. Risada mesmo! Comecei a gargalhar de felicidade dentro do carro. Por nada e por tudo! Como uma daquelas experiências espirituais malucas que eu mesma já tive quando era professava a fé cristã.
Os defensores da fé diriam que foi mais uma manifestação de deus, que ele me ama tanto que mesmo eu "o rejeitando" ele ainda tenta me mostrar sua graça!
Eu prefiro pensar que foi minha sensibilidade e minha gratidão pela vida que me levou a experimentar um momento tão sublime como esse.
Ou, sei lá, né… Há quem diga que Chico é Deus… Sei não. Não vamos descartar nenhuma possibilidade!
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