
É de praxe: basta você dizer que está à procura de emprego que as pessoas çomeçam a te bombardear com dicas de onde você deve ir, para onde deve mandar o currículo, com quem deve falar. Quando são profissionais da sua área, ótimo: quanto mais dicas e contatos melhor. Quando são amigos íntimos, tudo bem: a gente sempre acredita que falam porque querem ajudar.
Mas fora isso, é dose!
O hilário é que sempre vem a pergunta,
"Você já foi na RBS? Já deixou seu currículo no Diário Catarinense?".
Não, queridinha, eu deixei meu currículo na casa da tua mãe!!!
É claro que eu já fui em todos esses grandes veículos de comunicação onde trabalham jornalistas e em mais 500 lugares que você nunca ouviu falar!
Essa perguntinha equivale a perguntar a um enfermeiro se ele deixou currículo no hospital, ou se um advogado já procurou emprego num escritório de advocacia.
E um detalhe que às vezes os incautos e bem intencionados palpiteiros esquecem é que, para um desempregado, entregar currículos, procurar vagas e pedir "oportunidade de mostrar meu potencial e contribuir para o crescimento da empresa" é um trabalho! E não é um trabalho gratificante, agradável ou super interessante como pode ser o seu. É um trabalho árduo e ingrato. Então conversar sobre isso durante uma reunião social e ter de ficar ouvindo dicas de onde ir e para onde enviar currículos é chato, muito chato.
(A não ser, é claro, quando são dicas valiosas e com um mínimo de fundamento ou possibilidade de dar certo, aí são sempre bem vindas. Mas não adianta eu saber que em Manaus a afiliada da Rede Globo está procurando uma jornalista exatamente com o meu perfil! E o pior que tem gente que acha que você devia largar tudo e ir para qualquer recanto do planeta onde houver uma vaga de emprego.)
Conversar sobre trabalho já é chato, a não ser quando você adora o que você faz. Mas falo agora em nome de todos os desempregados deste mundo:
Distribuir currículos NÃO é divertido, não é um trabalho legal, NÃO é algo sobre o qual queremos falar num sábado à noite! Deixe-nos esquecer por algumas horas que estamos na fila do desemprego e nos divertir um pouco como gente normal!
Eu dou palpite ou tento solucionar os pepinos do seu trabalho? Não? Então, a não ser que você vá me apresentar para o Civita ou para a família Marinho, por favor, me deixe distribuir meus currículos em paz!
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