
Logo no inicio dessa febre de blogs e fotologs eu acompanhava o fotolog de uma conhecida que escrevia sobre seu dia-a-dia morando sozinha por conta da faculdade. Ela falava sobre como morar só faz você ficar cada vez mais anti-social e postava milhares de fotos dela e do gato dela (gato bicho mesmo, o companheiro clássico dos solitários).
Eu já entendia um pouco o que ela expressava. Hoje eu entendo completamente, compreendo e assino embaixo.
Aquelas pessoas super de bem com a vida e extrovertidas (popularmente conhecidos por bobo-alegres) batem papo com o zelador do prédio, com o garçom do bandejão, com o vizinho de porta, com a velhinha na padaria, com o tio da banca de revistas, com o caixa do supermercado, com o cachorro que tá passando na rua… E assim vão aplacando sua solidão e exercitando o convívio social.
Mas para quem é ermitão por natureza morar só é um mergulho em si mesmo. Às vezes é quase um afogamento em si mesmo, porque eu sou capaz de mergulhar em meu mundo interior até mesmo numa festa cheia de gente. Imagine dentro de um apartamento tendo só os companheiros de twitter, orkut, blogs, a TV e os livros como companhia? (A TV nem conta, é uma péssima companhia, mas às vezes me diverte.)
Não que eu não goste de pessoas ou não goste de conversar. Eu gosto (mais ou menos). Mas dá uma preguiça sair na rua e ficar falando sobre banalidades com cada ser que se encontra pela frente. Não tenho paciência para falar sobre qualquer coisa com qualquer um. Aquelas conversinhas em que todo mundo concorda com todo mundo sabe? Gosto de conversas íntimas, troca de confissões e de opiniões apaixonadas! Não vou sair fazendo confissões para a atendente da padaria né? Pelo menos não nos dias normais.
Além disso, quando a gente se sente só, bater papo com estranhos não ajuda em nada. Piora até.
E assim vai se aprendendo a gostar da própria companhia.
Eu sou uma ótima companhia para mim mesma! E nem preciso de gato.
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