23.02.08

14:39:00, Categorias: Rasgação de seda  


Existem pessoas que são fadas. Ajudam-nos a ver a beleza da vida e de nós mesmos. Chegam num momento, de repente, e nos surpreendem quando mais precisávamos ou quando menos esperávamos. Grayce é o nome dela. Grayce que me faz pensar em graça e graciosidade. Mas ela não é graciosa na definição superficial da palavra. Não graciosa de laços e fitas e cor-de-rosas e palavras doces calculadas. Certamente há nela essa porção fêmea-menina (há em quase todas). Mas é certo também que ela não tem tempo para frufrus e ilusões adolescentes: é mulher, é mãe, é profissional. Sobretudo, é verdadeira; sobretudo, conhece-se, ou não teme buscar seus fantasmas, para então conhecê-los e, talvez, combatê-los. Isso é o principal. É o que faz dela autêntica, pois ser mãe, esposa e ter contas a pagar não transforma ninguém em um ser especial. É o fato de ser uma viajante da vida, uma caçadora de si mesma que faz dela essa pessoa capaz de olhar para o lado e espalhar sua graça a alguém que parece não precisar de graça alguma.
Grayce olhou para mim e não viu a caricatura. Não viu somente pele, olhos, cabelos, estruturas e cores. Grayce olhou meus escritos. Leu-me e teve acesso a minha alma. Estou certa disso. Pois só enxergando minha alma poderia lembrar de mim ao ler estórias que a tocaram e agora tocam a mim. Grayce ofertou-me livros.
Compartilhar descobertas com uma quase desconhecida, acreditar num talento embrionário não são gestos comuns. Daí eu afirmar que o nome dela é tão propício. Graça! Ou nobre como Grace Kelli, a princesa. Pois nobre é a palavra que melhor define o gesto desta Grayce da qual falo.
Meu ceticismo foi abalado. Agora acredito em fadas. Fui abençoada por uma. Sua varinha de condão foi um e-mail. Não recebi vestido bonito, nem carruagem feita de abóbora. Recebi livros antigos, que durarão até muito além da meia-noite. As mensagens contidas neles estarão comigo para sempre e, pouco a pouco, me incutirão lições. O gesto dela estará gravado em minha memória até o fim de meus dias, me fazendo lembrar que para 1000 bruxas que queiram me fazer morder a maçã, existe UMA fada. E é o suficiente.
Permalink 401 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (0)
Indique: del.icio.us Gafanhoto Rec6 Ueba Ueba

Trackback:

http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/24385

Posts similares:
Os importantes e a essencial
Quadrilha
OLHARES E OLHARES

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários, Trackbacks:

Sem Comentários/Trackbacks para esse post ainda...


Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Próximo post: Tempos Modernos









Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

Redes Sociais
Heresia Loira no Orkut
Resenhas sobre cinema e literatura no Amálgama


Assine o Feed

Assina meu feedzinho aí, tio. Só pra ajudar!
O que é RSS?

Assine por email:

Heresia Loira








Jô Chama Eu

 Lost in Chick Lit

Image and video hosting by TinyPic


Eu no Digestivo Cultural:

b2evolution