05.02.10

Uma questão de comunicação (ou Quem ama discute a relação sim!)

13:36:52, Categorias: Comportamento, Relacionamentos, Crônicas  

É lugar comum dizer que mulheres gostam de discutir a relação e que homens abominam. São feitas várias piadinhas a respeito e a maioria delas só faz parecer que conversar sobre a vida a dois é inútil e coisa de mulher histérica.

Claro que não é uma missão agradável “discutir a relação”. Implica abrir o jogo sobre atitudes do outro que incomodam, ouvi-lo citar meus defeitos, conversar sobre dificuldades de comunicação, explicar sentimentos e desejos que às vezes nem entendemos direito e tentar compreender as razões do outro. É exercitar a empatia e a capacidade de escutar.

Discutir a relação é chato, cansativo e, muitas vezes, um processo lento que não se completa em um só diálogo. Não raramente precisa-se parar para pensar sobre as questões discutidas e retomá-las quando a situação estiver menos tensa. Desgastante, sem dúvida.

Mas por quê não gosto da banalização “mulheres gostam de discutir a relação/mulheres são chatas X homens não precisam discutir relação/fazem as pazes na cama”? Primeiro: as mulheres não AMAM discutir a relação. É claro que preferiríamos estar fazendo qualquer atividade mais divertida com nossos parceiros. Mas quando a tensão se instala e cada um vai para o seu canto o que fazer? Deixar como está para ver como fica? Às vezes funciona. Realmente, não dá para negar que muitos problemas entre casais são resolvidos com um “tempo ao tempo”. Um pouco de silêncio, uma avaliação mais fria dos acontecimentos, botar na balança os motivos pelos quais se está chateado e se vale à pena ficar assim ou se é preciso tomar uma atitude radical, tudo isso muitas vezes funciona. Mas e quando as pequenas falhas de comunicação vão se acumulando?

Ele não entende direito o que você disse. Sente-se ofendido, mas não fala nada. Assume uma atitude atípica. Você percebe e acha que ele está diferente porque o amor esfriou(a gente sempre pensa nas hipóteses mais dramáticas). Você resolve provocá-lo para que ele sinta ciúmes e para saber se sua hipótese é real. Ele fica bravo, mas não fala nada ainda por causa do mal entendido anterior. O silêncio vira ressentimento de ambas as partes. E as confusões continuam indefinidamente.

E agora? Vai resolver isso como, se não for com uma boa conversa? É nessas horas (na verdade bem lá no começo da confusão) que a tão difamada “discussão de relação” é muito válida e útil. Numa situação dessas se você for deixando como está pra ver como fica vira tudo um caos! E é por isso que não gosto das piadinhas sobre “discutir a relação”. Porque elas dão a entender que um casal conversar sobre seus desejos, temores e expectativas quanto ao relacionamento é sempre ruim e chato. Chato pode até ser, mas mais chato é brigar com a pessoa que você gosta por motivos bobos.

Não somos experts em comunicação e às vezes entendemos errado o sentido do que nosso parceiro disse ou julgamos sua atitude de forma equivocada. Pense duas vezes antes de acusar a sua namorada ou esposa de ser uma viciada em DR. Não banalize o que pode ser um momento de descoberta e aprofundamento de laços. Discutir o relacionamento não é a melhor atividade do mundo, mas pode ser revelador e tirar muitas minhocas da cabeça. Você quer estar bem com quem você ama, não quer? Se para isso for preciso uma boa conversa, converse então! Afinal, somos seres que se comunicam. Temos o maravilhoso poder de articular nossos pensamentos com nossa linguagem. Então por que escolher ficar cada um no seu canto com um bico “deste tamanho”?

Permalink 648 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (6)

23.01.10

A desconfortável zona de conforto

06:19:23, Categorias: Egotrip  

É direito inalienável do ser humano que ele possa pedir ajuda quando acha que precisa de ajuda e resolver seus problemas sozinho quando assim desejar.
Que ele possa chorar no ombro amigo sem que isso o mantenha obrigado a dar satisfações de todas as lágrimas futuras.
Que possa enxugar suas próprias lágrimas e apreciar seu próprio silêncio.
Que ele possa sorrir na hora de sorrir e andar ensimesmado enquanto houver razões para ensimesmar-se.

"Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou."

(Fernando Pessoa)

Permalink 165 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (3)

05.01.10

Deixem os peitinhos em paz!

20:30:16, Categorias: Blogosfera, A  

Não é de hoje que Tessália Serighelli (ou @twittess) é motivo de chacota para alguns twitteiros da meritocracia informal do Twitter. O motivo: ela usou scripts para aumentar seu número de seguidores e acabou virando referência na mídia “tradicional” quando se fala em Twitter. Posou para a Vip, foi indicada na nova categoria do VMB como melhor twitteira do ano, apareceu no Jornal da Globo, tentou ganhar dinheiro em cima de sua “fama” repentina e agora, para coroar a subida à montanha das subcelebridades, é uma das escolhidas para participar do BBB10. Nada contra, eu também tentei minha vaga lá e se eu tivesse mais de 40 mil seguidores no Twitter também cobraria 500 reais por tweets promocionais.

Mas o motivo da zoação ser tão grande com a menina é a raiva de alguns pelo fato de que ela não surgiu da blogosfera, não tuita nada de muito espirituoso, enfim, não tem grande conteúdo. Mas não se pode negar que ela é uma boa alpinista internética, que não mirou apenas nos nerds. Olhou mais além e foi em busca de popularidade nacional. Conseguiu.

Se ela merece ou não, isso é outra história. A história que me incomoda é que pegaram uma parte do corpo da menina para esculachá-la. Não de uma maneira simpática e até respeitosa como fazem com a pequena altura da Mirian Bottan, mas de um jeito grosseiro e que eu não considero digno de homens maduros. Aliás, não considero digno at all.

Resumindo: pegaram os peitos da @twittess para Cristo. Assim que ela posou para a Vip, choveram comentários maldosos, jocosos e grosseiros sobre os seios da menina. Ela é toda magrinha e os seios apenas acompanham a estrutura do resto do corpo. São pequenos, bem pequenos, desses que ficam lindos com um decote até no umbigo, porque nada salta pra fora, sabe?! (Keira Knightley que o diga!) Mas os juízes da forma feminina aceitam isso? Não, imagina! “Ela é despeitada, parece um menino, cortaram os peitos dela no photoshop, são duas verrugas no lugar dos seios, devia ter colocado silicone antes de posar pras fotos” e daí pra baixo segue o nível dos comentários. Aquilo já me incomodou na época, mas não falei nada, afinal a história não é comigo e estou bem guarnecida aqui pelos meus 300 ml. Mas agora começaram de novo, já que a “despeitada” vai para o BBB10... E, quer saber? Não quer? Vou falar do mesmo jeito: cansei de guardar diplomaticamente minha opinião sobre essas troglodices.

Olha, eu não conheço a @twittess, não sou amiga dela, não sei se ela já não está nesse exato momento numa sala cirúrgica colocando 400 ml de cada lado para se adequar ao padrão “BBB gostosona”. Eu mesma sou uma representante das siliconadas (embora se eu não contasse, ninguém perceberia). Mas me incomoda demais que uma menina bela e graciosa seja alvo de chacotas por causa do tamanho de seus seios! Aliás me incomoda que qualquer mulher seja alvo de chacota pelo tamanho de seja lá o que for (grande ou pequeno).

O que está acontecendo com os homens? É tanto silicone no mundo que eles esqueceram que existem milhares de diferentes tipos de peitos? Não pode ser, eu ainda vejo, e muito, mulheres de seios naturais andando por aí, nas ruas, nas praias, em todo lugar!

Ou será que esses que debocham tanto só têm contato com seios através de revistas e filmes pornôs? Sim, porque aí estaria explicada a aversão aos peitos tamanho 38. Eles nunca os viram, nunca encostaram neles, conhecem apenas o mundo Brasileirinhas e Coelhinhas da Playboy! Eu realmente não sei o que se passa na cabeça de um homem que ridiculariza uma mulher linda porque os seios dela não são GG.

Existem alguns que agem dessa forma, que conheço, sigo no Twitter e até os acho bastante inteligentes e espirituosos. Mas quando partem para esse tipo de brincadeirinha, fico com vergonha por eles, sinceramente. Será que realmente acham essas mulheres feias, só porque não têm mamas avantajadas?

E, se eles acham mesmo que elas não são belas o suficiente a seus olhos porque lhes falta peito, será que eles não percebem que comentar isso compromete sua masculinidade e ainda os faz parecer muito grosseiros?!
Da próxima vez que algum camarada sugerir que fulana deveria ter posto silicone antes de posar pra isso ou aquilo, vou responder que quem precisa de silicone é ele, pra pôr no lugar do cérebro que não serve pra mais nada!

Ah, e minha versão pré-silicone! Porque eu botei sim, mas precisar, precisar, eu não precisava. Nenhuma mulher PRECISA de silicone.

E de couro?!

Permalink 819 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (70)

Escândalo - Feliz 2010

16:39:44, Categorias: Egotrip, Música  

Mas doce irmã, o quê você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda atrás de alguma paz...
Agora nada de machado e sândalo...
Eu já estou são da loucura que havia em sermos nós!
Também sou fã da lua sobre o mar, todas as coisas lindas dessa vida eu sempre soube amar!
Não quero quebrar os bares como vândalo...
Você que traz o escândalo, irmã luz!
Eu marquei demais... tô sabendo...
Aprontei demais... só vendo...
Mas agora, faz um frio aqui... me responda... eu tô sofrendo...

Rompe a manhã da luz em fúria a arder...
dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria... pra quê?

Se ninguém tem dó, ninguém entende nada...
O grande escândalo sou eu! Aqui... só!
Eu marquei demais... tô sabendo!
Aprontei demais... só vendo!
Mas agora, faz um frio aqui...
me responda...
eu tô sofrendo...

(by Caetano Veloso, apresentada a mim via msn por @vinny_funny)

Permalink 164 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (1)

24.12.09

Aos amigos desajustados - uma declaração de amor

Tem esse cara que anda comentando no meu blog e fui dar umas olhadas no blog dele. Ele citou o Poema em Linha Reta de Álvaro de Campos (uma das "catolze mil pessoas" que moravam dentro de Fernando Pessoa).

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda (...)

Não conhecia o poema, mas quando o li percebi que os amigos que mais amo e mais amei não são como aqueles eternos campeões descritos ali. E lembrei do que escrevi em junho...

Aos amigos desajustados (que se ajustam perfeitamente)

Amo meus amigos! Meus poetinhas de internet, malandros, escandalosos, ricos de sentimento e não de dinheiro, cheios de dores, vícios e manias...
Amo-os.
Porque eles entendem que o estômago quase sempre dói, que o sono bate às duas da tarde e a euforia às duas da manhã e que às vezes não dá para sair de casa porque se está simplesmente "mal".

Como assim, "mal"?
Não, não tem "como assim".
É só:
- Hoje não dá, estou meio mal.
- Ah, tudo bem, quer conversar?
- Não precisa, amanhã já passa.
- Então tá.

Amo-os quando eles não se conformam de não estarem em Paris, quando fingem que o bar da esquina é um pub londrino, quando preparam dry-martinis nas taças certas, mesmo que estejamos no lugar mais simples do mundo ou fumam Cohiba como se fosse charuto de macumba.
Os luxuosos sem palácio, os escritores sem livros, os cineastas sem filmes, o pão com alface no casarão.
Amo-os porque eles sabem que voltinhas de carro, cigarros, choros, palavrões, krepes e salgadinhos não resolvem nada, mas há momentos em que são as alternativas mais salutares para a mente não entrar em parafuso.
Amo-os porque nunca censurariam uns aos outros ao ouvir:
- Vou tomar um Dormonid e amanhã é outro dia.
Eles sabem que mais importante do que ser saudável é não surtar. Eles sabem e assumem que não são campeões em tudo. Eles sabem que atos ridículos podem virar lembranças sentimentais. Amo-os porque eles não se espantam com quase nada.

Fernando Pessoa bradou "Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"

Mas eu sei que não sou a única. Porque os tenho. E me fazem rir dos meus problemas. E me ajudam a pular os meus muros, exorcizar os meus demônios, galgar os degraus do meu auto-conhecimento. Espero sempre poder fazer o mesmo por eles.

Permalink 524 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (7)

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Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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