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Paris 2004

I'm all about you, you're all about me,
We're all about each other.
*

A busca por um grande amor nunca me pareceu tarefa das mais difíceis. Em minhas fantasias (que sempre tiveram status de verdade, é claro), era só questão de achar uma garota que preenchesse alguns poucos requisitos: falar Francês, amar Frank Sinatra, tocar baixo e ser ruiva, com sardas. Essa Mulher Nota 1000 seria a "mulher da minha vida", sem dúvida alguma.

Mas aí apareceu você. Uma ferrenha odiadora do idioma do Tin Tin, fã do Genesis que detesta o velho Sinatra e que morre de rir do quanto eu me emociono com "a voz". Pior, sua pele sem sardas e seus fartos cabelos negros (não adianta dizer que são castanho escuros) não poderiam te deixar mais distante da ruiva de meus sonhos, e você não toca nem triângulo. Acontece.

Mesmo assim, você me conquistou já no primeiro sorriso que deu ao sentar-se à mesa, naquele restaurante. Almoço corrido em dia útil, que nem era um "encontro" propriamente dito. Dois amigos que se reencontravam apenas, e eu contei cada segundo até que pudesse te ver novamente. Nada mais chavão que falar do brilho de seus olhos escuros e do seu sorriso metálico, eu sei, mas um apaixonado deve ter garantido o seu direito de ser previsível e um tanto bobo.

De qualquer forma, eu ainda não tinha ideia, naquele momento, do tamanho da história de amor que estávamos começando. Arrisco dizer que só contigo entendi o que significa de verdade essa coisa de "amar alguém". E, de repente, tudo era com você e sobre você, mesmo quando estava longe. A mulher idealizada da fantasia deu lugar a um sentimento real com cheiro, gosto, sabor e calor. Ninguém no mundo sabe ouvir um disco dos Cardigans como nós dois, sem falar no Super Furry Animals que embalou nossa conversa alegre na cama, depois da primeira noite juntos. E foram tantas outras noites inesquecíveis...

Você me ajudou a ser um homem um tanto melhor, ainda que tão imperfeito. Foi meu incentivo maior quando busquei a Psicologia, e eu não poderia estar mais feliz com esta escolha. Serei eternamente grato a você por isso e pelos telefonemas que duravam horas; pelos olhares sempre tão carregados de orgulho; pelas risadas que só você dava ao ouvir minhas piadas infames; pelas novas bandas compartilhadas; pelos pratos deliciosos que fez para mim e por não ter demonstrado notar o quanto eu estava atrapalhado e nervoso quando fui cozinhar para você. Sou grato pelo dia em que foi me buscar na sala, enrolada no cobertor, naquela noite em que eu não queria sair da janela, preocupado que estava com nosso futuro, e também pelo livro da Clarice Lispector que, eu juro, logo vou ler. Sinto falta de cada momento em que segurou minha mão com força. Sinto falta até dos tapas que você dava nela quando eu colocava a mão na sua bunda, em lugares públicos. É que eu nunca fui muito de resistir a você, me perdoe.

Para você eu escrevi alguns de meus melhores textos, mesmo que você não saiba. Até um livro eu escrevi inspirado por você... Num mundo ideal, já teríamos hoje nossa casa com varanda e quintal, onde você vestiria sua lindíssima saia preta, rodada, e dançaríamos juntos, ao som de Brenda Lee, todos os dias. Nossa geladeira seria naquele estilo anos 50, do jeito que você gosta, e eu aprenderia a apenas comer coisas saudáveis, para que você não brigasse comigo.

Mas, sabe-se lá o motivo, alguns grandes amores não foram feitos para durar, ou pelo menos não são garantia de que os casais ficarão juntos. Diferentemente do que nos fazem acreditar, encontrar um amor recíproco não é certeza de felicidade, não é certeza de que tudo dará certo. Poderia escrever mais alguns parágrafos teorizando a respeito, mas não quero. Basta aceitarmos que a vida as vezes afasta pessoas que se amam...

Você disse que "acabou e nem percebemos". Sei do quanto não gosta da França, mas sou obrigado a responder que nunca terá acabado, já que sempre teremos Paris.

* Paris 2004 - Peter, Bjorn And John

Permalink22.09.09, 17:55:29, by Doni Email , Egotrip, Relacionamentos , 9 comentários

A mulher de 30 anos

Sim, é óbvio que eu gosto de ninfetas. É claro também que tenho meus limites, não sou nenhum Humbert Humbert. Mas é impossível, para qualquer homem, deixar de notar os encantos de uma jovem de seus dezoito, vinte anos. Seja a arrogância gostosa daquelas que, ainda adolescentes, acham que sabem tudo sobre a vida; ou a curiosidade instigante das que parecem querer devorar o mundo, tamanha a vontade de aprender; como ficar indiferente? Isso sem falar na malícia disfarçada de inocência... Ou seria a doce inocência temperada de malícia? Não sei. Só sei que algumas até percebem o quanto mexem comigo.

Mas, há um problema. Ainda que existam exceções, raras e deliciosas exceções, essas meninas ainda não são mulheres. "A fisionomia da mulher só começa aos trinta anos", já dizia Balzac. Irritava-me a falsa modéstia de mulheres deslumbrantes que dizem “mas eu não tenho mais o corpo que eu tinha aos vinte anos”. E quem disse que precisa ter? Perco a fala, fico completamente desorientado e transpiro desejo só porque tenho algum tipo de preferência exótica? É óbvio que não. Demorou, mas descobri que isso não passa de charme, uma estratégia sórdida para chamar a atenção para a beleza das formas de um corpo maduro, esculpido pela experiência e aquecido pela volúpia de quem sabe exatamente o que deseja.

A mulher de trinta anos sabe quem é e sabe bem o poder que tem. Não precisando mais de muitos dos joguinhos que algumas jovens fazem para testar sua capacidade, ela se dedica a outros jogos, muito mais interessantes e excitantes. Relacionar-se com uma mulher de trinta anos é ensinar e aprender. É ter uma amante perfeita e, ao mesmo tempo, uma companheira de humor sem frescuras e uma amiga capaz de entender e se deliciar com todas aquelas referências pop que você levou décadas para colecionar: ela vai rir gostosamente ao lembrar-se do vídeo de "Total Eclipse Of The Heart", ou será uma fã sobrevivente de Jackson 5, e isso é ouro! É possível discutir filosofia depois do melhor sexo do mundo ou, o absurdo, conseguir o melhor sexo do mundo após discutir filosofia! (eu indico Sartre) A mulher de trinta anos está mais apta a entregar-se ao amor sem medo. E se for paixão? Ela não perde tempo buscando definições semânticas, ela simplesmente vive!

Mas você aí, que já está com água na boca, não pense que é fácil conquistar uma mulher de trinta anos. Hoje elas são muito mais interessantes e complexas do que eram na época de Balzac, porque são acima de tudo independentes. A mulher de trinta anos é segura de si até quando procura um colo. Ela não tem mais vergonha de ser menina quando precisa, afinal. O que fazer? De minha parte, não tento mais compreender tamanha complexidade (o homem que tenta entender as mulheres é um tolo, simplesmente não as merece); e apenas vivo minha paixão intensamente, cada dia mais fascinado pela mulher de trinta anos...

Permalink04.03.08, 00:00:01, by Doni Email , Egotrip, Relacionamentos , 127 comentários

Casar é bom. Mesmo?

Minha querida amiga Gabi acaba de escrever uma série de posts com o tema "casar é bom". Material de primeira tanto para homens quanto para mulheres; leitura obrigatória para quem pensa em se amarrar um dia.

Mas, achei interessante postar aqui um texto do Branco Leone, do imperdível livro Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone. A idéia é fazer um contraponto...

Questões semânticas

– ...e foi quando eu disse a eles que a única pessoa no mundo a quem eu nunca faria mal era minha esposa.
– Você disse assim, "esposa"?
– Disse, por quê?
– Porque "esposa" é uma palavra feia pra burro.
– Ué! E como você queria que eu dissesse?
– Mulher.
– Mulher? Mas "mulher" é o feminino de "homem", não de "marido".
– Não é, não senhor!
– Quando você fala de mim, você diz "meu homem"?
– Não, digo "meu marido".
– Que é o contrário de "esposa", não é?
– Pode até ser, mas "esposa" é feio pra burro, caralho!
– Não precisa ser grossa! A gente está só conversando!
– Eu não estou sendo grossa, eu só disse "caralho". E você não grite!
– Eu não estou gritando! É você que está sendo grossa.
– Eu devia dizer o quê? Buceta? Ou o feminino de "caralho" é muito feio pra você?
– Nossa, quanta grosseria! Eu já disse que não precisa ser estúpida! Será possível que você nunca consegue conversar nada sem...
– Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá...
– Eu odeio quando você tapa os ouvidos e começa a berrar lá-lá-lá-lá! Que saco!
– Lá-lá-BU-CE-TÁ-lá-lá-CA-RA-LHÔ-lá-lá...
– Pára com isso!
– Lá-lá-BUN-DÃO-lá-lá-BUN-DÔ-NÁ-lá-lá...
– Pára com isso, já! Pára!
– Lá-lá-ES-PÔ-SÁ-lá-lá-lá-ES-PÔ-SÔ-lá-lá...
Foi quando ele tirou o revólver da gaveta e deu três tiros na cara dela.

****

Para saber mais sobre o livro:

Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone

Permalink30.07.07, 08:30:01, by Doni Email , Relacionamentos, Livros , 4 comentários

Alcebíades responde

Cada vez mais as pessoas usam o Google como uma espécie de oráculo das questões sentimentais. Percebi o fenômeno quando organizava um segundo artigo da série Pérolas do Google. Mocinhas e rapagões querem dicas de conquista e de como se comportar na cama e na vida amorosa em geral e, sabe-se lá como, acabam aparecendo por aqui. Vejam bem, sou um homem que já atravessou a barreira dos trinta anos e ainda está solteiro; que passa boa parte do dia com mais ou menos 60 mulheres e mesmo assim não tem namorada; e que ainda tem um blog (sabemos que ter um blog não é uma boa estratégia pá cumê muié, ao menos não tem sido pra mim). Sendo assim, eu não teria a cara-de-pau necessária para bancar o consultor sentimental, apesar de já ter pensado no assunto.

Mas, sou um estudante de psicologia, e entrei nessa para ajudar as pessoas! Não poderia deixar tantos leitores e leitoras aflitos, sem uma resposta que pelo menos sirva de ponto de partida para enfrentar a crueldade do selvagem mundo das conquistas amorosas. A saída foi pedir ajuda ao meu amigo Alcebíades, tido e havido como PhD nessa área. O “Alce” provavelmente não é tão divertido quanto o Leon Phelps e nem tem a verve de um Dr. Love, mas pode ajudar muita gente a ter uma hortinha um pouco mais molhada. Para começar, o Alcebíades vai responder duas questões que chegaram semana passada, via Google:

Como faço para conquistar um homem inteligente?

Fiquei feliz quando o Marcos, ou o Marcão, ou o Donizetti, ou o Doni (esse meu amigo deve ser esquizofrênico) me convidou para opinar no Hedonismos sobre relacionamentos amorosos, um assunto que me é muito caro. Respondendo a quem chegou aqui pesquisando como fazer para conquistar um homem inteligente, a resposta é muito simples: basta você tirar o capuz vermelho da cabeça dele sem que ele perceba ou então usar uma garrafa (com rolha) e uma peneira para conseguir prendê-lo quando ele passar no redemoinho de vento. Dizem que você também pode precisar de um terço benzido em algumas situações... Opa, eu acho que me confundi, esse é o método para capturar o Saci-Pererê! Mas, já que homem inteligente também é folclore, pode dar certo!

Falando sério agora, eu nunca tentei conquistar homem, inteligente ou não, e nem quero, então não posso dizer exatamente o que você deve fazer. Mas o Doni já andou escrevendo que dá pra conquistar um macho de várias formas, e até com música. Estranho.

Como conquistar uma moça só com palavras?

Meu amigo, eu vou ter que ser sincero. Não dá! Até daria se você fosse um cara como, sei lá, Jean-Paul Sartre (ou o Saci-Pererê-inteligente da resposta acima), mas se você precisou usar um buscador para sanar sua dúvida fica claro que você não é como ele, mesmo que talvez você seja tão feio quanto Sartre ou tenha uma perna só. Outra possibilidade é partir para um campo de batalha menos ortodoxo, mas muito usado hoje em dia, o dos comunicadores instantâneos e salas de bate-papo. Já foi melhor nos tempos do finado icq, eu mesmo já peguei muita mulher já me relacionei com mulheres maravilhosas usando um pouco de “vc quer tc” e umas palavrinhas a mais, mas a coisa ficou tão arriscada que não dá mais pé. A Paulinha_23_rj pode ser na verdade João_48_sbc com uma imagem de exibição falsa, ou simplesmente uma tribufu (também com foto falsa). É melhor não.

Minha dica é para que você use palavras sim, bem escolhidas e sinceras, dentro do possível, é claro. Mas não só. É preciso ouvir, porque mulher adora ser ouvida. Para elas, essa é uma prova indisfarçável de respeito e interesse da sua parte. Se não está interessado em ouvir, finja que está ouvindo. Eu o aconselho a ouvir de verdade, porque aí você pode ser maroto de vez em quando e falar aquilo que você percebeu que ela quer ouvir (o Doni não é muito bom nisso). Já falei que ouvir é bom?

É preciso olhar também. Olhe a mulher nos olhos, olhe para o corpo dela, para o decote, mas seja discreto, ô Mané! O ideal é encontrar um ponto de equilíbrio no qual, de início, ela não vai pensar “o pervertido não tira o olho do meu decote”, e sim “nossa, será que ele estava me olhando? Será que ele me deseja de alguma forma?”.

Uma última dica: confiança! Não existe mulher impossível, apenas homens que não estão preparados para o esforço que determinadas conquistas exigem. Não fique intimidado pela beleza ou pela independência dela. Simplesmente vá e lute pela mulher que você quer levar para a cama amar. Se você precisa de mais que isso para sentir segurança, já ouviu falar da lei da atração?

Permalink15.07.07, 10:59:33, by Doni Email , Relacionamentos, Alcebíades , 14 comentários

A Certain Girl

There's a certain girl I've been in love with a long, long time.
(What's her name?) I can't tell you. (No!)
I can't reveal her name until I've got her.

É bom ter alguém em quem pensar. Mesmo quando a pessoa não está próxima a sentimos conosco, e a saudade não é tão ruim quanto vocês imaginam. Eu tenho alguém, a certain girl, e assim como na música eu não quero revelar o nome dela. Os motivos são os mesmos do Mr. Clapton: um homem não deve revelar ao mundo o nome da dona do seu querer enquanto não a tem. Simples assim.

Mas posso falar um pouco sobre ela. Sobre seus cabelos castanho-escuros, muito escuros, que para mim eram negros. Ela rebatia dizendo que apenas asiáticos, árabes e africanos têm cabelos negros, e eu argumentava dizendo que os árabes estiveram na península ibérica deixando a ela fartos e belos cabelos negros como herança. Sim, são fartos. E também são volumosos e brilhantes. E minhas mãos poderiam passar anos – eu não estou exagerando – acariciando aqueles cabelos.

Tem também o olhar. Vocês se lembram daquela música que falava de tempestades e olhos castanhos? Pois é, ela tem olhos escuros, cor de tempestade. E só depois dela eu entendi a metáfora. Sempre fui fascinado por tempestades (eparrê Iansã!); elas me trazem paz em meio aos ventos, à chuva, aos raios e trovões; e no olhar dela encontro um turbilhão de emoções, um furacão de proporções bíblicas que me traz toda a paz de que ainda preciso.

E ela tem o sorriso acolhedor de quem tenta manter o bom humor, o delicioso bom humor, mesmo nas situações mais difíceis. E ela usava aparelho! O sorriso hora de mãe cúmplice hora de mocinha sedutora ganhava o charme e o colorido do sorriso de uma colegial sapeca.

Sempre foi forte e teimosa, uma lutadora que bem poderia viver em Themyscira. Mas também sempre foi doce e nostálgica. Gostava de coisas simples como bolinhos de chuva e geladeiras dos anos 50. E usava saias - ainda fica maravilhosa quando as usa – em tempos nos quais esta arte já estava sendo deixada de lado pelas mulheres que preferiam a praticidade. Mas ela não, ela usava uma saia rodada preta que fazia o mundo parar de girar, e que me hipnotizava.

Enfim, uma mulher e tanto... Que eu amo há 20 anos! Mas mudando de assunto: ô, Franco! Traz mais uma rodada de uísque, e quando terminar a música do Clapton bota umas músicas do Gran Turismo, por favor!

Data da postagem original: 29 de agosto de 2006

Permalink12.06.07, 08:00:12, by Doni Email , Egotrip, Contos, Relacionamentos , 4 comentários

Valquíria

Valquíria Ela era jovem e loira, mas tinha apenas isso em comum com as guerreiras da deusa Freya com as quais compartilhava o nome. Não apareceu para mim montada em um cavalo alado e nem estava armada com elmo e lança. As armas dela eram outras: cabelos longos, até a cintura, brilhantes como o sol e um perfume doce e inesquecível.

Na verdade ela era muito magra e pequena, frágil mesmo. Muito diferente das enormes e sensuais entidades que buscavam os bravos guerreiros vikings caídos nos campos de batalha. Tudo bem, eu não passava de um gordinho tímido que não tinha nem dez anos de idade, então estávamos quites.

Valquíria não surgiu em meu caminho para me levar ao deus Odin, não tenho a menor dúvida disso... Mas foi marcante. A escola era chata demais para mim nos primeiros anos. Eu não fazia amigos com muita facilidade e o conteúdo das aulas me dava tédio. Foi só depois de olhar para ela a primeira vez que mudei de idéia. A molecada toda queria saber de jogar bola apenas, e até eram grossos quando alguma menina chegava perto. Eu não, tentava pegar meu lanche o mais rápido possível e passar depois o intervalo sentado ao lado dela, mesmo que às vezes sem dizer uma palavra sequer. Minha mãe ficava toda feliz quando via seu filho pular da cama de manhã para ir estudar, e comentava o fato com as amigas...

Um dia achei que deveria contar tudo para minha mãe, e falei sobre Valquíria, do quanto era estranha e nova para mim aquela vontade de estar perto dela sempre... Pedi, por favor, para que ela mantivesse aquilo em segredo. No dia seguinte, acabei ouvindo “Meu filho está gostando da sua filha, não é bonitinho?” e tudo o que pude fazer foi abaixar a cabeça, buscando uma pedra sob a qual pudesse me esconder. Olhei para Valquíria e ela me olhava com terror, tentando se esconder atrás da mãe. Acho que fiquei um tempo sem falar com a minha mãe depois daquilo, mas passou...

Um dia ela deixou de ir à escola. Faltou um dia, dois, três... E eu tomei coragem e fui perguntar à professora o que estava acontecendo. Quando ela disse que Valquíria mudara de bairro não sei se consegui esconder a decepção. Deve ter sido minha primeira grande perda, e lembro de ter chorado durante aquela tarde toda, escondido. Não contei para ninguém que sentia falta dela... Mas naquele tempo minha família mudava muito, e a cada nova escola para a qual eu ia, procurava saber se existia alguma Valquíria entre as meninas da sala, costume que só abandonei já na adolescência.

Complicado dizer que este foi meu primeiro amor... Não foi. Só agora, depois dos trinta anos, eu começo a perceber o real significado e a força deste sentimento. Valquíria apenas foi quem me fez sentir primeiro esse aperto no peito quando se está longe de alguém, ou a alegria de olhar para um sorriso. Fico pensando se ela não se tornou mesmo uma enviada de Odin... Quem sabe não esteja mesmo recrutando guerreiros para o Ragnarok?

Permalink05.04.07, 23:16:51, by Doni Email , Egotrip, Relacionamentos , 2 comentários

Uma letra de música para conquistar um homem

Conversava outro dia com o Nelson Moraes sobre este estranho fenômeno de as pessoas verem o Google como uma espécie de “oráculo”. Elas não fazem mais simples buscas por termos específicos, mas sim perguntas diretas sobre filosofia, economia, amor e o sentido da existência humana.

Vejam algumas buscas muito interessantes que tiveram este blog como resultado: “mamilos dos seios femininos” (nesta a pessoa acertou em cheio, pois modéstia a parte eu sou mesmo conhecedor do assunto), “lembranças modernas de festas de 15 anos” e, a genial e minha preferida, “anos luz pentecostais”. Também acertou quem chegou aqui procurando por “carência afetiva” e “sotaque paulistano”.Mas a grande vencedora sem dúvida é “uma letra de música para conquistar um homem”.

Fico imaginando se a moça em questão – claro que pode não ser uma moça, mas enfim – não está lá com muita vontade de se esforçar para conquistar o rapaz e quer algo direto e rápido; ou se ela já não tem mais recursos para fisgar o coração do cara e resolveu apelar. Bem, mocinha, espero que você volte aqui para ler o que vou escrever: concordo que homens não são seres muito complexos, mas acho bastante difícil que você possa conquistar um apenas com uma música. Imagino que você seja romântica e queira mais que uma conquista fugaz para sexo casual, porque se fosse esse o caso era só mesmo vestir a roupa certa – de preferência decotada – e escolher o alvo. As chances de acerto seriam enormes!

Mas sendo uma romântica incorrigível (e eu te entendo), deve saber que para conquistar aquele que você vai chamar de seu é preciso um pouco mais que uma música. Mas fique calma que não é tão difícil: seja bem humorada e espirituosa, saiba rir das situações inusitadas que a vida nos impõe e também saiba rir de si mesma. É um charme quando uma mulher se mostra tão segura e “resolvida” que sabe rir de si mesma.

Saiba ser um pouco femme fatale – use e abuse do salto alto, entre outras coisas, mas seja também um pouco menina. Aqui é importante ter cuidado: a mulher que soube crescer mantendo viva a garotinha de sorriso largo é diferente da mulher que nunca cresceu. Demonstre interesse. Dê atenção. Vivo ouvindo de amigas que os homens não sabem parar para ouvir e concordo com elas. Também gosto que seja assim, afinal eu sei ouvir e isso é uma vantagem competitiva, mas poucas sabem que homens também gostam de ser ouvidos. Entendo que alguns assuntos do universo masculino são mesmo maçantes, mas faça um esforço. Costumamos ter verdadeiras paixões por coisas aparentemente bobas, mas ficamos encantados quando encontramos uma mulher que valorize e respeite isso sem tentar nos “consertar”. A maioria de nós já teve uma mãe que nos educou, não precisamos de outra.

Também não precisa ter medo de mostrar que o quer. Sim, muitos precisam se sentir “no comando das ações”, mas é um jogo onde cada um dá um movimento, então não esconda totalmente o que sente, deixando tudo nas mãos dele. No mais, seja autêntica e sincera. Seja você mesma. Já dissemos que a conquista é um jogo, mas não necessariamente de truco ou pôquer. Às vezes as coisas são mais simples do que parecem, e não são necessárias grandes estratégias. Vá por mim: confie no fato de ser uma mulher e de ter à sua disposição todas as armas que a natureza lhe deu, incluindo toda a sensibilidade extra que sabemos que vocês têm. Deixe o Google de lado e vá conquistar seu homem!

Sou obrigado a confessar que o lance da letra de música daria certo comigo se a música fosse Erase/Rewind e se você fosse a Nina Persson.

* Data da postagem original: 03/07/2006

Permalink27.02.07, 00:01:58, by Doni Email , Comportamento, Relacionamentos , 22 comentários


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