Radiohead, a maior banda do mundo
Quando o relógio marcou 22:00, tudo mudou. Não havia mais a lama, a dor nas pernas ou a gripe; nem a irritação por ter ouvido Los Hermanos (ainda que de longe). Os acordes me levaram a um refúgio conhecido, e me vi novamente numa varanda que já não existe mais, bebendo com pessoas queridas e ignorando o frio da noite para poder olhar as estrelas e falar de amores perdidos e de planos para o futuro.
Lembrei-me de todas as vezes em que morri nos últimos quinze anos, de todas as vezes em que me vi desfeito e fragmentado, e de como fui salvo por alguns encontros. E Deus, eu sinto falta desses encontros. Sinto falta de viajar ouvindo a voz dela numa manhã ensolarada, mesmo lutando contra o sono. Sinto falta das gargalhadas e do Gim no café da manhã, e sinto falta da mistura maluca de vozes e sotaques do mundo todo. Sinto falta de ouvir "Exit Music (For A Film)" tantas e tantas vezes.
As pessoas que amo costumam estar longe, e hoje tive vontade de gritar para o irmão que está em Paris e para a moça do sorriso mais lindo do mundo, que está em Dubai, que um companheiro nosso estava ali, na minha frente: Thom Yorke.
Na verdade, faz tempo que ele e seu Radiohead estão comigo. "Creep" era a trilha que tocava enquanto subiam os créditos da minha adolescência, e as canções do álbum The Bends embalaram uma grande e destrutiva paixão. A obra-prima Ok Computer esteve comigo em altos e baixos, bem como as posteriores viagens experimentais da banda; e hoje essa presença simbólica e metafísica tornou-se real, palpável, durante duas horas e trinta minutos de um show perfeito.
Porque o Radiohead é feito de sincera intensidade. É progressivo sem ser chato, pop sem ser comercial, grandioso e ao mesmo tempo intimista; catártico e ao mesmo tempo reflexivo. O Radiohead é dualidade, é um embate ininterrupto entre raiva e sensibilidade. O Radiohead é a coragem de abandonar o caminho fácil de um modelo de sucesso em nome da experimentação ousada.
O que nós, felizardos, vimos hoje na Chácara do Jockey é a prova de que menos é mais. Você pode argumentar que aquele visual arrebatador não tem nada de "menos", e eu direi que o discurso é que é "contido", mas não limitado. Não existem notas nem palavras extras (diferente das composições chatas onde a técnica vence a inspiração), de forma que cada elemento da música está sempre carregado de emoção, de raiva, de amor, de alegria, de dor. Os temas tornam-se então universais em sua aparente simplicidade. De cabeça, acho que só em Neil Young encontro a mesma força.
Em cada canção, o que vejo é a entrega completa e uma ode apaixonada aos desajustados, aos pontos fora da curva normal. E mil vezes esse cantar intenso e estranho do que toda essa música idealizada por produtores marqueteiros. Alguém do meu lado, durante o show, disse a frase que resume tudo: "se isso não for Rock'n'Roll, eu não sei o que é". Concordo com ele, e digo de novo que queria ter as pessoas que amo curtindo comigo o setlist abaixo, inesquecível:
15 Step
There There
The National Anthem
All I Need
Pyramid Song
Karma Police
Nude
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Talk Show Host
Optimistic
Faust Arp
Jigsaw Falling Into Place
Idioteque
Climbing Up The Walls
Exit Music (For A Film)
Bodysnatchers
Videotape
Paranoid Android
Fake Plastic Trees
Lucky
Reckoner
House of Cards
You and Whose Army
Everything In Its Right Place
Creep
****
Leia também o texto da semana em meu outro blogue: Avenida Angélica.
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O Radiohead vem aí. E daí?
Carlinhos e Fake Plastic Trees
Radiohead, The Hollies, os mortos e o amor
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R: será? Essa futura tecnologia será um perigo!
R: obrigado!
Mas eu admito que aquele sonífero eletrônico que abriu pra eles quase me fez desistir.
Definitivamente música eletrônica não é pra mim!
Bjos Marcos, e parabéns por mais esse texto inspiradíssimo!
R: Valeu, Cecília!
Ontem foi perfeito. PERFEITO. Eu esperava menos, bem menos.
E sem dúvida, um deles é ouvir aos Los Hermanos!!
Bjo.
Mas é mesmo uma maravilha assistir ao show de uma banda que a gente gosta tanto. Só te digo uma coisa (arriscando sair chutada daqui): teria gostado mais de Los Hemanos =)
Adorei seu blog, voltarei mais vezes!
R: Nathália, nosso gosto musical é feito acima de tudo por experiências, por histórias de vida, por associações que fazemos com sentimentos, momentos e pessoas. Isso está muito acima de qualquer julgamento de "qualidade" que possa ser feito. Sendo assim, minha opinião, tudo o que vejo na banda, é extremamente SUBJETIVO. Você não precisa amar Radiohead, você pode mesmo odiar Radiohead que isso não será o menor problema, e sempre pode (e deve) voltar aqui hehehe Depois, muita gente declara amor mais pelo hype, enquanto você foi sincera. Agora, Los Hermanos???
Eu não fui. =~
Nem vi a transmissão pela tv. =~~
R: =~
Já criei uma playlist com o setlist do Rio e outra com o setlist de São Paulo. Pura perfeição.
Incrível como pessoas ainda vêm chamar os caras de "sonífero"!!! É muita ignorância musical. Tinha gente no show do kraft q estava de costas p palco!!! Fiquei revoltadíssima. Além de fãs histéricos do Radiohead q tomaram lugar na frente do palco na hora do Kraft, e não deixaram os verdadeiros fãs da banda alemã se aproximarem do palco!!!!
Amo o RH e o Los Hermanos, mas passei a detestar a falta de educação de seus fãs.(Ah, fui no do Rio)
Madrugadas na Chap dos Guimarães, no meio do Pantanal, nas serras do Ceará, em Jeri...
Sotaque canadense, americano, espanhol, paulista, mineirin, cearense...
Bom saber que alguém aproveitou o show mais ou menos da mesma forma que eu teria aproveitado.
Espero que o vídeo pipoque em breve por aí.
Abraço,
R: é como eu disse lá em cima, nosso gosto musical é feito de nossas experiências, e isso é sensacional! Bem que podia ter um DVD, não? [ ]s.
E de quebra, fuçando pelo mundo google-radiohead, conheci o seu blog! Gostei de cara!
R: pô, taí um depoimento bem legal! "Compra" uns discos da banda agora, acho que você gostará muito dos 3 primeiros. E espero que volte aqui mais vezes!
"Domingo, todos que estavam na Chácara do Jockey, desfrutaram de um estado de Numinosidade"
R: Jung, se vivo, usaria o show para explicar o conceito deste arrebatamento hahahaha
O radiohead tbm me marcou muito, pena que não pude ir. Belo texto.
Sobre o show: valeu cada fungo a mais que apareceu na sola do meu pé (que estava em pandarecos). Valeu até a minha pessoa em pandarecos, inclusive, catando os pedacinhos em cada música.
Sobre o seu post, faço minhas as palavras daquele mano que estava perto da gente: " putraquiupariu!" rsrsrs :]
Beijo, Marmota!
Sobre o show: valeu cada fungo a mais que apareceu na sola do meu pé (que estava em pandarecos). Valeu até a minha pessoa em pandarecos, inclusive, catando os pedacinhos em cada música.
Sobre o seu post, faço minhas as palavras daquele mano que estava perto da gente: " putraquiupariu!" rsrsrs :]
Beijo, DONI!! (errata)
R: precisei aprovar os dois comentários hahaha Estou morrendo de rir aqui. =D
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