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6 coisas secretas ou nem tanto sobre a minha vida

Há tempos eu não participava de um meme, mas este que pede para contar algumas coisas sobre mim, ainda que não seja novo, tem tido a participação de tanta gente interessante que resolvi topar o convite da amiga Lucia Malla e responder também. Lá vai:

O lustre. É uma lembrança vaga. Eu corria da sala para a cozinha já saboreando por antecipação o bolo que meu pai tinha comprado e minha mãe acabava de anunciar. De repente, a escuridão... O relato de meus pais é de que o lustre da sala caiu sobre mim. Fui para o hospital, banhado em sangue, no jeep do vizinho. Alguns pontos em cima da cabeça, uma cicatriz e uma área onde não cresce cabelo. Infelizmente, quando conto essa história todos pensam que sou apenas mais um futuro careca tentando justificar a calvície que não pode mais ser negada.

Escuro. Este sempre foi meu grande medo. Apenas nos últimos anos fui capaz de dormir num quarto sem qualquer luminosidade, e confesso ainda levantar correndo para acender a luz de vez em quando. Já aconteceu de amigos chegarem em casa e me encontrarem do lado de fora, na chuva, porque não havia energia elétrica em casa, sem falar no fato de que sempre durmo com a TV ligada em quartos de hotel, durante as viagens. Essa fobia era um problema bem maior na adolescência. Hoje, apesar de algumas recaídas, posso dizer que ela foi vencida, ou quase.

Basquete. No início dos anos 80 o basquete era o esporte oficial do bairro em que cresci. Eram jogos de alto nível, e me lembro especialmente de um porto-riquenho que dava fantásticas enterradas. Muito cedo, aos 12 anos, comecei a jogar com eles (eu já tinha mais de 1,70m nessa idade) e nunca mais fui o mesmo. Na quadra eu ganhei o respeito dos valentões que antes me aterrorizavam e o apelido de Vlad Divac, pivô dos Lakers numa época pré-Chicago Bulls, em que o time de LA dividia os títulos da NBA e o amor dos brasileiros fãs de basquete com o Boston Celtics e o Detroit Pistons. Mais tarde, foi meu passaporte para uma nova escola e a maneira de impressionar as garotas durante toda a adolescência e a faculdade. Ótimo arremesso, impulsão, acerto de 8/10 em lances livres, velocidade. Tenho orgulho do jogador que eu fui. O basquete me tornou confiante e abriu portas, influenciando totalmente o homem que me tornei. Até recentemente, quando os problemas pareciam ser muito maiores do que eu, corria para a quadra e ficava horas correndo, mesmo que sozinho. Era minha melhor maneira de lidar com a raiva e o stress, e sinto falta disso. Espero poder voltar a jogar logo.

Eu já segurei o riso com um revólver apontado para mim. Era fim de tarde e um grupo de 10 pessoas, eu incluído, jogava na quadra do bairro. Chegaram dois rapazes, armados, ordenando que todos os presentes levantassem a camiseta. A ameaça era de que aquele que estivesse armado levaria um tiro. Ninguém estava, e os dois foram se afastando em direção à saída (a quadra era cercada por telas, com um portão). O primeiro saiu e ficou do lado de fora, ainda apontando a arma para todos. O segundo caminhava de costas em direção ao portão e gritava mais ameaças. O problema é que ele caminhou na direção errada, e assim que se virou para sair deu de cara com a tela e caiu no chão. Nunca foi tão difícil para um grupo de pessoas segurar o riso. Havia o medo, mas a dor na barriga era com certeza pela vontade de rir absurdamente, mesmo correndo risco de vida. Os segundos que ele demorou para se levantar e sair rapidamente da quadra, sem olhar para trás (vergonha), foram os mais longos da minha vida. Apenas quando ambos estavam já longe da nossa vista começamos a rir descontroladamente. Infelizmente, não demorou e ouvimos um tiro distante. Corremos. Mais tarde ficamos sabendo que aqueles rapazes mataram alguém naquele dia. Coisas da periferia.

Yes. Minha primeira viagem sozinho para fora do estado de São Paulo foi para Santa Catarina. Embarquei no fim da noite e acordei na manhã seguinte, passando por Itapema, em direção à Florianópolis. O sol nascia e liguei o toca-fitas (sim, toca-fitas). A trilha sonora daquele momento era Yes, e sabe-se lá porquê, nunca me senti tão livre. Desde então sempre existe pelo menos um disco do Yes me acompanhando em todas as viagens. É uma das minhas muitas manias obsessivas.

Psicologia. O maior responsável por tudo, o homem que definitivamente me jogou nesta carreira, foi Hercule Poirot. Acreditem ou não.

Como boa parte dos meus amigos próximos já respondeu a este meme, não convidarei ninguém diretamente. Quem quiser participar, deixe comentário com o link, e eu acrescento aqui.

UPDATE: Participantes:

- A Fer Funchal em seu A Bear Ate My Parents.

Permalink08.02.09, 02:40:26, by Doni Email , Egotrip, Blogosfera , 7 comentários

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Trotta · http://trottolices.blogspot.com/

Ei, eu não me lembro de TV ligada naquela noite em Resende!

(ops, isso era secreto? hahaha)

R: Pô, naquele dia eu não estava sozinho hahahaha

PermalinkPermalink 08.02.09 @ 10:47



Comentário de: @anarina · http://naotenho

Eu amo o Hercule Poirot!!!!!

(pensou que eu ia xingar o basquete né? hehehe)

R: não... te conheço a ponto de saber que você não seria assim previsível hehe Sobre Poirot, eu sempre quis ser baixinho, bigodudo e com a cabeça em formato de ovo, mas Deus me fez um moreno de 1.83m e olhos verdes. Um saco. :(

PermalinkPermalink 08.02.09 @ 15:49



Comentário de: Má · http://maroma.wordpress.com

Puxa, medo de escuro? Desde pequena, quer dizer, ainda sou pequena, então, desde criança sempre amei dormir com as portas fechadas, luzes apagadas e exigia inclusive que a luz do corredor fosse apagada.
O que já me rendeu histórias engraçadas como abrir a porta do armário, achando que estava abrindo a porta do banheiro e ficar chorando lá dentro, pedindo pra pessoa desocupar o banheiro que eu estava apertada! :D

PermalinkPermalink 08.02.09 @ 17:26



Comentário de: Lucia Malla · http://interney.net/blogs/malla

Aaaaaa!!! Hercule Poirot foi tb uma das minhas inspirações para a investigação científica. Ele é demais - ou era, nunca sei se personagens de ficção podem ser tratados no presente ou passado.

Quanto ao Yes eu tb tenho uma música deles "libertadora", aliás um CD, o "Union". Amo de paixão todas as músicas ali. "Saving my heart for you/ you do what you wanna do/ there's a place in my heart for you..." Nossa, só de lembrar desses versos, já me vejo num road trip. :D

Gostei, Doni. Obrigada por reacender tão boas memórias.

R: Acho que devemos falar no presente, né? Personagem de ficção não morre nem quando morre hehehe Já minha música do Yes é esta: http://www.youtube.com/watch?v=-Jhk5MEugJY

PermalinkPermalink 08.02.09 @ 18:21



Comentário de: Gabi · http://www.gaboringaboriela.com

Mas mas mas e se a acompanhante for alguém que tem agonia de dormir no claro?
Segurando na sua mão você dorme bem???

P.S.: Hey Sr. Trotta, também andas por essas paragens??

R: Era um problema na adolescência. E só aparecia quando dormia sozinho hehehe

PermalinkPermalink 10.02.09 @ 08:14



Comentário de: Carol · http://www.meuveneno.com.br

Hercule Poirot ainda é meu personagem favorito de todos os tempos!

Você tem medo de escuro, vá lá, é comum... E eu que tenho medo de escada? Acredite, é muito mais constrangedor quando me dá um ataque de pânico em shoppings e afins.

=*

PermalinkPermalink 24.02.09 @ 04:20



Comentário de: lins · http://www.pontoscegos.blogspot.com

Poirot e Basquete - formaram meu caráter tbm. Pena que não tive nada de suas habilidades no basquete.

PermalinkPermalink 14.04.09 @ 19:12



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