Os 13 melhores discos de 2008
Chegou o meu momento favorito do ano. Para ser sincero, acho que só tenho um blog para poder escrever a lista dos melhores discos de cada ano que passa. 2008, musicalmente falando, foi divertido, mas ao mesmo tempo diferente e estranho. Parece mesmo que o álbum, da maneira como o conhecemos, está perdendo espaço como mídia. Talvez seja mais fácil falarmos em grandes músicas do que em grandes discos coesos, com início, meio e fim. De certa forma, não é um fenômeno que me afete, já que eu ando meio que na contramão disso: antigamente era comum eu riscar meus discos de vinil porque ficava levantando e colocando a agulha no disco, ouvindo sempre não mais que uma ou duas faixas de cada álbum por vez. Já hoje, que músicas em formato digital são vendidas separadas de seus álbuns e tudo o mais, eu raramente deixo de ouvir e de considerar o disco como um todo. Vai entender...
Falando em vinil, ele está de volta. Todos ou praticamente todos os álbuns abaixo têm versões especiais em vinil, coisa que me fez comprar novamente uma vitrola. Tá, existem interesses comerciais nisso, mas fico pensando que essa volta é sintoma de um momento da música. Basta ver o quanto o folk (não estou falando da Mallu Magalhães) e o country rock estão em alta. É uma estética saudosista, de busca por raízes. Sempre que o futuro parece confuso demais, sempre que o horizonte anda meio nublado, nos voltamos para nossa terra, para uma maneira mais simples (e não menos universalista) de nos expressarmos. Um destaque negativo é não existirem lançamentos nacionais na minha lista. Estarei eu afastado da cena brasileira ou ela não está mesmo valendo a pena?
Abaixo está a lista. Clicando na capa do álbum você terá mais informações sobre ele, e dois deles estão disponíveis para download gratuito, você terá que descobrir quais. Após os 3 primeiros da lista, você deve clicar em "continua..." para conhecer os 10 primeiros colocados [fiz isso porque o post ficou realmente grande]:
[13] Girl Talk: "Feed The Animals"
Contrariando o que eu escrevi anteriormente, o disco de Gregg Gillis (a.k.a. Girl Talk) é coeso. Tem início, meio e fim. Ele foi criado como uma única seqüência, e só depois separado em faixas. Ainda me contrariando, não há saudosismo ou busca por raízes aqui. O passado está mais do que presente (cada faixa tem 10, 15, 20 samples ou mais), mas apenas como suporte para o novo, para o moderno. "Feed The Animals" é o estado de arte do Mashup, da transformação. Pode-se dizer que este disco é uma festa pronta, a Lalai que o diga.
[12] Santogold: "Santogold"
A cantora, compositora e produtora Santi White é Santogold, a voz mais marcante de My Drive Thru, onde ela fica dizendo que "nós só queremos dançar". Pois este disco de estréia da moça talvez seja o mais perfeito do ano para simplesmente dançar até cair (é ótimo para deixar no último volume enquanto você dança peladão (ona) no seu quarto). Para começar: L.E.S. Artistes, You'll Find A Way e Say Aha.
[11] Fleet Foxes: "Fleet Foxes"
Talvez seja o grande hype do momento. Afinal, praticamente todas as listas de melhores do ano que li fazem menção ao disco de estréia desta banda de Seattle. Não sei se merece tanto (ainda que faça parte da minha lista também). É folk e é bom, mas ainda não sei se estaremos ouvindo essa banda nos próximos meses. Penso num cruzamento entre Cosby, Stills and Nash com uma estética barroca, cheia de harmonias vocais. Para começar: White Winter Hymnal e Tiger Mountain Peasant Song.
Eu não existo sem o seu olhar
O texto que você está procurando mudou de endereço. Leia Eu não existo sem o seu olhar no Marcos Donizetti Weblog.
Sobre o Hedonismos
Este espaço é antes de tudo um blog pessoal metido a besta. E, se me acusarem de falta de rigor filosófico e imprecisão conceitual, direi que "heDONIsmos" é simplesmente um bom trocadilho com meu nome, sugestão do amigo Ian Black em uma noite de muita bebida, pizza e conversa fiada. Mas há mais.
Ao falar em "um grande blog sobre os pequenos prazeres da vida" eu deixo pistas sobre o tamanho do meu ego e levo o leitor a acreditar que este autor aceita e fundamenta o blog na definição mais comum do termo hedonismo:
do Grego hedoné, prazer
s. m.,
antigo sistema filosófico que considerava o prazer como único fim da vida; doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral.
É uma boa definição, mas uma leitura apressada faz pensar numa entrega inconseqüente e burra ao prazer, à gula desenfreada e à orgia. O hedonista então é visto como aquele que busca sempre o que a vida tem de melhor, como se não houvesse amanhã.
Talvez o blog fosse mais divertido se eu também visse a coisa assim, mas meu "prazer" se afasta da serena satisfação sensorial de Aristipo, por não ver nela um bem supremo e nem na dor um mal supremo. Meu prazer está no movimento contínuo entre estes dois pólos, um movimento que na verdade é a própria vida.
O hedonista passa a ser um curioso que só entende como conhecimento aquilo que ele é capaz de vivenciar, imaginar e sentir. Seu prazer é manter-se aberto às experiências e deixar que a vida o toque de todas as formas, sem que nada seja definido a priori. E é preciso coragem para tanto; é preciso disposição para viver as situações e sensações em sua máxima intensidade, seja o gozo, a dor ou a descoberta do novo; sem falar na saudade do que já passou e na angústia do que está por vir.
Este blog então é sobre estar mergulhado na vida. É sobre cheiros, sabores, sons, cores e temperaturas. É sobre amor, raiva e indignação. É sobre delírio e sobre lembranças. É sobre opiniões. Em contos e crônicas, fictícios ou não; em textos humorados ou sérios; em resenhas críticas ou apaixonadas, o que vocês terão é um "hedonista" gritando que está vivo e que tenta aproveitar-se disso ao máximo, pois sabe que não dura [já que tudo é transitório].
O Hedonismos é o resultado nunca acabado, sempre um processo, de minha maneira de sentir e interpretar o mundo, minhas experiências e divagações. Poderia se chamar Vivências ou Intensidades, quem sabe? Bela desculpa eu arrumei para escrever sobre todo e qualquer assunto...
Notas, leituras e recomendações
Sem demagogia, podemos medir a "qualidade" de um blog pelos diálogos que aparecem nos comentários. É ótimo de ler e participar. Mas, infelizmente, não é muito fácil acompanhar as caixas de comentários dos diversos posts que lemos todos os dias. Para ajudar, o Hedonismos agora tem um feed rss exclusivo dos comentários. Assim, você pode acompanhar as respostas aos comentários que fez e saber quem mais opinou sobre aquele assunto. Clique aqui para assinar.
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Adorei ser indicado para o Prêmio Spoiler 2008 nas categorias "melhor conceito político" e "melhor conceito filosófico". Além da originalidade, estar junto de blogs como A Nova Corja, Martelada e Brontossauros em meu Jardim é sensacional!
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Imperdíveis:
- RONDÓ, via Wagner & Beethoven;
- Leitores de música livres: Songbird 1.0 arrasa com iTunes mas Amarok 2 desaponta, via Remixtures;
- Twingly, excelente site de busca por blogs, via Gattune!;
- A Invisibilidade do Racismo, via LLL;
- Me engana que eu gosto, via Pras Cabeças;
- Gilmar Mendes entrevistado na TV Dantas, via O Biscoito Fino e a Massa;
- Os melhores momentos de House, via Zeus era um galanteador;
- O cometa azul que varreu a noite, via Impedimento;
- "Tome seu veneno silenciosamente", via Pensar Enlouquece, Pense Nisso;
- O caso do envelope amarelo, via Brigatti.
Tu te tornas eternamente responsável por me amar
O texto que você está procurando mudou de endereço. Leia Tu te tornas eternamente responsável por me amar no Marcos Donizetti Weblog.
Sobre o Doni
Doni já precisou de rótulos para se definir. Quando tinha apenas o local de nascimento, era brasileiro e paulistano. Mais tarde, na época em que somos nossas fantasias, ele foi apresentador de programa de auditório, explorador (como Jacques Cousteau), piloto de uma nave espacial vermelha e dono de um cavalo malhado. Diz também ter sido presidente de um país imaginário localizado onde hoje estão a Venezuela e as Guianas, mas não existem documentos que comprovem o fato.
Quando precisou dos rótulos grupais, foi metaleiro, punk e são paulino. Na escola, foi apaixonado pela menininha ruiva e por muitas outras, nerd com muito orgulho e alvo dos valentões; depois fez parte da “turma do fundão”, que jogava basquete e tocava violão. Dizem também que ele era muito bom de rima.
Por um tempo, ele acreditou que você é o que você faz, e foi então atendente de vídeo locadora, auxiliar administrativo e designer. Quis ser físico, engenheiro mecânico e jornalista, mas topou ser administrador por um tempo. Uspiano (feano) e Mackenzista, achou que a psicologia e a psicanálise seriam portos seguros, mas a confusão só aumentou, e ele escolheu ser também escritor, para encontrar um rumo. Até de blogueiro ele já aceitou ser chamado.
Na religião foi filho de Ogum; e nos relacionamentos foi amigo, amante e namorado. Já foi até noivo, mas nunca casado.
Descobriu, com o tempo, que não existe rótulo capaz de dar conta do tamanho universo que é uma pessoa só. Hoje sabe que nada do que possa ser dito sobre ele poderá defini-lo, então resolveu ser simplesmente Marcos Donizetti, que já está de bom tamanho.
Simplificando o Twitter
Chegou o período de férias e eu nem estou mais tão brigado com o Twitter, pelo menos não como estava antes [não que o que escrevi tenha perdido a validade]. É que com o São Paulo campeão e a nova contratação do Corinthians, não existe lugar melhor no mundo para rir de gremistas e fazer piadas sobre gordinhos e travestis.
Sendo assim, estou de volta ao twitter, mas @marcdoni está morto. Baseando-me na experiência do @fore com a @crystal [a responsável pelo suporte do site], resolvi fazer algo para retomar meu nickname ideal das mãos de uma pessoa que o mantinha preso, calado e inativo. De agora em diante, serei simplesmente @doni no twitter, e no blip.fm também!
Meus updates por lá estão abertos novamente. Se você me segue, lembre-se do novo nome na hora dos replies. Se ainda não segue, seja bem vindo.
PS - Como eu queria estar junto das pessoas amadas que fizeram esse twitter offline!
São Paulo FC, o primeiro HEXA-TRI
Em 2006 e 2007, eu fiz um post completo falando do orgulho de ser torcedor do São Paulo FC. Devo ter falado também da minha família e dos amados tricolores que já se foram e que me deixaram tanta saudade. Também devo ter comentado a organização do meu clube, as grandes finais do passado, os grandes ídolos... Enfim, não vou ficar me repetindo aqui.
Na verdade, este sexto título brasileiro do Maior Clube da História deste País (quem não concordar, conte os títulos) me faz pensar em três pessoas apenas: Roberto Dias, o maior de todos, o homem que melhor marcava Pelé; Francisco "Chicão" Jenuíno Avanzi, o "Deus da Raça"; e Dona Geni, minha mãe, que ainda está chorando de felicidade pelo título conquistado. Minha sincera homenagem aos dois leões que se foram recentemente e que tantas glórias trouxeram ao Mais Querido Tricolor, e que minha mãe possa chorar de alegria com a gente, por muitos e muitos anos ainda!
Blogs e sucesso
Há algum tempo eu venho pensando em fechar este espaço. Eu poderia culpar a imensa bobagem que essa blogosfera cooptada por diversos interesses (comerciais ou não) se tornou, mas seria uma atitude pequena culpar o OUTRO, e não sou o tipo de pessoa que diz "se não está bom eu não brinco mais". Além do mais, o apelo do mundo offline, do mundo REAL, anda grande. Estar lá fora brincando com as outras crianças anda sendo muito mais interessante do que passar tempo na frente do computador. A moça linda e perfeita que você encontra no ônibus e te faz imaginar quem é ela, do que ela gosta, qual é sua história, é muito mais interessante do que um perfil qualquer com imagem photoshopada na rede social da vez. Tudo bem, você pode clicar no perfil e saber N respostas, pode pedir endereço de contato ou de comunicador instantâneo, pode adicioná-lo à sua rede e voltar ali sempre que quiser, enquanto o momento junto da moça maravilhosa do coletivo pode durar só até a próxima parada, mas pelo menos este último é real: tem cheiro, gosto e cor!
Então, nem é uma questão de revolta ou desânimo com a babaquice toda dos blogs [e não me excluo dela], mas uma vontade de viver outras aventuras em outros lugares, de reencontrar um Doni do qual pareço ter me perdido...
De qualquer forma, vou ficando, e o Renmero fala muito bem de motivos que de certa forma também são meus:
O meu blog é um sucesso. Um puta dum sucesso. EPIC. Minhas MÉTRICAS: feedback e leitores SAFOS [check] - indicações de discos, livros e filmes para alimentar a alma [check] - conhecer pessoas incríveis, diferentes de mim e conversar com elas sem tirar um sorriso do rosto [check] - ter experiências incríveis em áreas que eu desconhecia completamente [check] - proporcionar experiências profissionais [check]. Pouco importam visitas, backlinks e rankings. Not my thing. Fácil um PRO-BLOGGER tachar minha atitude como coisa de LOSER, mas se eu apenas dizer que a senhora que dorme comigo veio até mim por causa deste blog consigo DESARMAR tudo que ele disser.
- continue lendo Stoner Mood On [ou] Começando.
A posição em rankings duvidosos, o dinheiro que chega uma vez a cada x meses, os convites para eventos hipócritas e o puxa-saquismo "desinteressado" de certas pessoas são métricas que muitos estão usando para alimentar seus egos carentes, mas não há nada que enriqueça mais do que o contato com pessoas. E eu digo contato de verdade: travar conhecimento, compartilhar experiências, lidar com diferenças! Fico pensando em todos os tipos maravilhosamente diferentes de mim, e fascinantes, que conheci por causa deste blog. GENTE de todas as idades, ideologias [muitas das quais eu discordo solenemente], visões de homem e experiências de vida, mas acima de tudo, GENTE QUE VALE A PENA.
Fico pensando no "pamonha" ainda maior que eu seria sem o contato transformador e renovador que tive e tenho com todas essas pessoas. E enquanto for assim, o blog fica!
* A este respeito, leia também Bereteando e Biajoni.
* Renmero, nos veremos no show do RADIOHEAD. E Biajoni, deixe um travesseiro e cobertas no sofá e já vá colocando fogo no carvão, porque logo estarei em Americana para comer um bom churrasco e cair bêbado depois.
Sadismo e varejo
Ainda não estudei a fundo a Psicologia Institucional, mas estava hoje fazendo algumas reflexões, e achei que era por bem escrevê-las aqui. Instituições têm personalidade. A Universidade à qual estou vinculado, por exemplo, é neurótica obsessiva. Aliás, o interessante é que ela acaba por atrair alunos e professores com este "perfil". Hospitais psiquiátricos podem ser psicóticos (coisa que não acontece com o hospital em que trabalho, é claro), e assim por diante...
Hoje eu pensava sobre as grandes lojas populares de varejo do Brasil, e saquei que elas são sádicas. É engraçado porque nosso país é pródigo em pessoas que reclamam do capitalismo. Temos movimentos sociais a rodo, todos pregando em nome da foice e do martelo. Mas, a gente nem sabe o que é viver num país capitalista de verdade! O capitalismo-arte, o capitalismo-moleque, o capitalismo de amor ao lucro não existe por essas bandas. Se existisse, o consumidor-cliente seria encarado de forma muito mais soberana do que é. Mas aqui a questão é diferente, e se trata de controle.
A loja tem o poder, é dona da "falta" do cliente. Ela tem o produto. Como todo bom sádico, ela joga com este poder. Ao cliente é oferecido o privilégio de comprar ali, mas se e somente se a loja o considerar digno do crediário. A desculpa é compreensível num primeiro momento: a inadimplência. Mas, será mesmo que os riscos do não pagamento justificam o atual estado de coisas? Não se deixem enganar, o que está em jogo é a dominação. E a coisa beira absurdos: outro dia comprei um celular numa conhecida rede varejista que tem o nome inspirado num estado do nordeste, mas ao chegar em casa descobri que o aparelho tinha um sério defeito. Ao voltar até a loja e pedir meu dinheiro de volta a atendente simplesmente disse que o regulamento da loja não permitia. Ao pedir para falar com o gerente, ela disse que ele estava em reunião, sem previsão de terminar. Só fui atendido em meu desejo quando disse que esperaria o gerente nem que tivesse que ficar ali até morrer [coisa que anda acontecendo, não?]. Outro caso é de uma amiga, autônoma, que não foi bem orientada e tentou comprar um computador em outra dessas lojas com nomes que remetem ao nordeste. Apesar de até ganhar bem, ela não tinha dinheiro para comprar à vista naquele momento. Acreditam que a loja pediu um "fiador"? É um computador, não um apartamento!
São apenas dois exemplos de uma situação absurda e nonsense que está se repetindo, neste exato momento, por todo o país. Pessoas estão sendo humilhadas, submetendo-se ao desrespeito do outro, para obter o "direito de comprar". O engraçado é que o atendente sem educação e abusador só difere do pobre coitado que quer comprar pela posição em relação ao balcão de vendas, e isso é bem cruel.
Só seremos uma economia desenvolvida de verdade quando o cliente tiver o papel que é dele. A loja deve brigar para obter a compra, deve primar pelo suporte e assistência pré e pós venda. Enquanto houver essa luta em que o cidadão deve se mostrar digno de fazer uma compra, seremos apenas ridículos. E, apesar de não ser o caso de discutir isso neste post, esse estado de coisas é sintoma de toda nossa organização social (que é doente).













