Dos pequenos grandes prazeres da vida
Desde muito cedo, sou apaixonado por música. Nunca bastou apenas ouvir ou sentir, eu precisava e preciso conhecer, estudar, entender a música. E gosto também de vê-la. Explico: as grandes paixões nos pegam por todos os sentidos. Ao pensar naquela amante inesquecível você vai lembrar do perfume que ela tinha, do sorriso, do cheiro dos cabelos e da temperatura da pele, sem falar da voz e do sabor do beijo dela. Em minha infância, meus primeiros contatos com o mundo da música foram experiências sensitivas completas assim. Era o som, mas era também o cheiro de história e manuseio das capas dos discos antigos; as voltas do prato e o colorido da arte dos selos centrais (aprendi a ler verificando o nome das músicas nestes selos).
E eu tinha uma vitrola só minha. E ela era azul. Eu ouvia nela um compacto de "O Mágico de Oz" umas vinte e cinco vezes por dia. Mas minha família era absurdamente pobre no início dos anos 80, e quando eu tinha 5 anos, meu pai precisou vender minha vitrola azul para o português dono de uma lanchonete em nossa rua, pois estava desempregado e a coisa estava feia. Foi minha primeira grande perda, eu acho. E o pior é que passei alguns anos indo a esta lanchonete, e ficava lá, tomando guaraná e olhando para minha ex-companheira abandonada num canto da prateleira (o português a desprezava, nem colocava uns fados para tocar, o insensível!).

O vinil de "The Dark Side Of The Moon" fazendo amor com a agulha
Os anos se passaram, outros toca-discos vieram, e outras mídias também. Hoje eu tenho um HD com 15000 músicas e um iPod sem o qual não consigo sair de casa. Mas estava outro dia limpando e organizando minhas coisas e encontrei minha grande coleção de LPs e compactos. Senti falta do ritual de colocar um disco para tocar, me afundar na poltrona e ficar ali, ouvindo a música e deixando os pensamentos voarem, acompanhando o movimento hipnótico das 33 RPM. Aí tive uma idéia, seguida de um daqueles momentos que são um bom exemplo de como o novo pode conviver em perfeita harmonia com o passado nostálgico: anunciei no Twitter que estava querendo comprar um toca-discos, e perguntei se alguém tinha um para vender.
A resposta foi quase instantânea, e minha amiga Lucia Malla acaba de deixar aqui em casa essa maravilha das fotos acima. Acabo de me tornar o feliz proprietário de uma National Ledsonic 9000 em ótimo estado. Talvez o aparelho já tenha uns 30 anos de idade, e estou tratando de passar um verniz nele e de montar um arsenal de cápsulas e agulhas para que ele possa tocar meus discos raros durante pelo menos outros 30 anos. Sinceramente? Estou me sentindo hoje como se tivesse novamente 5 anos de idade e estivesse recuperando minha saudosa vitrola azul. Só preciso descobrir um jeito de sincronizar as coisas de forma que as faixas tocadas nela apareçam na Last.fm, tem como?
PS - Meu aniversário está chegando, e quem quiser me fazer um agrado pode me dar de presente esta edição especial em vinil duplo do meu disco favorito do Wilco, Sky Blue Sky. Alguém?
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Abração!
=)
Beijos e curta bastante os bolachões.
R: pode pedir hahaha Apenas haverá um pequeno ágio sobre o valor inicial... uns 500%
Um abraço, otimo blog..
R: Valeu, Celinho!
R: cara, eu estou encantado! Agora toca a comprar antigos discos de Jazz e música brasileira...
Deus há de dar-lhe uma morte lenta e sofrida...rs...
R: nossa, se você quiser, eu mesmo tento garantir que a justiça seja feita!
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