Prefiro ter um filho gay do que um filho petista
A aparente "beleza" dos discursos implícitos é que você é capaz de passar sua mensagem [normalmente algo sujo e vergonhoso] de forma sutil, podendo negá-la completamente depois, se questionado. É o "dizer não dizendo". Vejamos o texto do comercial da campanha da petista Marta Suplicy, sobre o candidato Gilberto Kassab, vinculado neste domingo (12/10):
"Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido? Sabe se ele é casado? Tem filhos?"
Muitas pessoas desavisadas vieram me questionar sobre o que há de errado neste texto. Alguns vieram me dizer que acham tais questionamentos normais e muito válidos. Tudo bem, observe agora um famoso comercial da Folha de São Paulo, de 1988:
A propaganda petista sobre o candidato Kassab é claramente inspirada nesta campanha. Não sou publicitário, mas entendo perfeitamente porque a peça levou o Leão de Ouro no Festival de Cannes. A imagem soma-se à palavra, jogando com e direcionando a percepção do espectador. O desfecho do texto, a mensagem mais importante a ser passada, vem exatamente no momento em que a imagem de Hitler se revela totalmente. No caso do comercial petista, exatamente no momento em que o rosto do prefeito aparece por completo é que são feitas as "inocentes" perguntas sobre sua vida pessoal.
Ainda acha coincidência, pequeno gafanhoto? Dê uma olhada nas imagens abaixo:


Fonte: Cubo Mágico
Assim como o Lucas, autor das imagens, outros tantos conhecidos meus que votam na região do Largo Santa Cecília ficaram revoltados com a baixeza deste panfleto.
Vamos pensar: estado civil e filiação não são variáveis quando estamos pensando em termos de competência para gerir uma cidade, certo? Óbvio que também não faz sentido colocarmos tais questões ao pensarmos em honestidade. Caramba, inúmeros políticos desonestos são patriarcas de famílias centenárias. Mas o mais absurdo é que qualquer um que seja um pouco (e eu digo POUCO) mais informado sabe que Kassab é solteiro. Ele disse isso para a Vejinha e para a Folha de São Paulo, segundo o Noblat.
Então, as perguntas sem relevância sobre a vida pessoal do prefeito só podem ter aparecido em lugar tão "nobre" no comercial, com tanto destaque, por um motivo que está implícito, mas nem tanto. Duas opções:
1) o GÊNIO que cuida da campanha da Marta topou com estes panfletos preconceituosos e achou que era uma boa explorar esse nicho de eleitores, já que estão desesperados, ou...
2) a própria campanha petista é responsável pelos panfletos desde o início. [eu não duvido de mais nada]
Depois da burrice feita, é fácil acusar os que perceberam o discurso preconceituoso e sexista do comercial de estarem agindo de má-fé:
"A campanha de Marta repudia veementemente as insinuações que alguns veículos têm feito a respeito do comercial levado ao ar no domingo (13/10). A equipe de marketing, ao perguntar sobre o estado civil do candidato Gilberto Kassab, em meio a uma série de outros questionamentos, apenas defendeu o legítimo direito do eleitor conhecer, em todos os aspectos possíveis, a história de quem se apresenta para governar a maior cidade do país.(...) As insinuações absurdas e cínicas sobre invasão de privacidade do outro candidato são inaceitáveis. Basta lembrarmos da história de Marta, protagonista das principais lutas em defesa dos direitos da mulher e das liberdades individuais. Mais ainda: ela foi vítima constante do preconceito e da intriga, patrocinados ironicamente pelos mesmos setores que hoje apóiam Kassab.
Não haverá manobra ou invencionice que nos impeça de continuar comparando projetos e trajetórias, desmascarando os truques de marketing que tentam impedir o povo paulistano de conhecer o verdadeiro Gilberto Kassab. Esse é, repetimos um direito inalienável dos eleitores".
- Nota à imprensa de Carlos Zarattini, coordenador-geral da campanha da candidata a prefeita Marta Suplicy.
Manobra ou invencionice? Direito inalienável dos eleitores deveria ser o de não serem tratados como idiotas ingênuos. Marta tem sim um passado importante na luta em defesa dos direitos das mulheres, das minorias e das liberdades individuais. O problema é que, assim como o Partido dos Trabalhadores, ela está dando as costas ao passado em nome de vitórias nas urnas e de tantas outras motivações menos claras. Marta disse hoje que não sabia do conteúdo do comercial, o que demonstra ou a desonestidade de tentar tirar o próprio da reta ou a incompetência de não saber o que se passa na própria campanha.
Eu concordo muito com o Ricardo Kotscho quando ele diz que "o importante é o candidato sair de qualquer campanha eleitoral maior do que entrou, mesmo perdendo". Infelizmente, Marta e o PT estão saindo desta campanha muito menores do que entraram. Não é de hoje que as práticas do PT, seja em campanha ou em nome da "governabilidade", são no mínimo questionáveis. A sexualidade do prefeito, do presidente, do Papa ou de Deus não me interessam a mínima. É questão de cunho exclusivamente pessoal, que não interfere nem se relaciona com a competência do sujeito para governar. Seja gay, hétero ou panssexual, a única coisa que espero de um candidato é que seja honesto e bom gestor. Já da maneira petista de governar e fazer campanhas, eu quero distância!
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O PT pode ir ainda mais baixo!
Eu escolho Kassab
VOTO EM KASSAB
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Comentários, Trackbacks:
R: Mas vc agitou a bandeirinha do Collor, que eu sei! hahaha
R: algo me diz que o marketeiro da campanha botou fé demais neste capital político da Marta. Acreditou que poderia fazer essa campanha de forma que a candidata ficasse insuspeita.
Eu meio que me alienei de forma proposital nessas eleições, só estudando, comparando e debatendo plataformas políticas pela internet.
Não, não vi nenhum programa do horário político, não acompanhei o dia-a-dia dos candidatos, porque nenhum deles me interessava e a MINHA CANDIDATA deixava tudo à mostra em seu site e blog.
É óbvio que ela não ganhou nem foi pro segundo turno, enfim.
Cara, o que dizer de tudo isso? Chover no molhado, dizer que é tanta sujeira que é tanta chafurdação na mesma velha merda de sempre, falar meia dúzia de palavrões, maldizer esse cidade, o país e o tal partido?
Sair por aí tentando elucidar as pessoas, conversar, debater, sentar, analisar, blablablá?
Preguiça.
Fiz isso religiosamente, algumas vezes até exageradamente durante uns..sei lá..10, 12 anos da minha vida e estamos aonde estamos...
Agora tenho um bebê e tô me candidatando para o programa de imigração do Canadá.
Chega.
Beijos, te adoro
R: como assim levar a ruivinha para o Canadá?? Nãoooooooooooooooooooooooooo!
Beijos (ufa, para mandar beijos precisei mudar de parágrafo, para ver se mudo de tom!) - espero te encontrar em breve no MSN!
já trabalhei em campanha política e esse tipo de expediente é muito comum para tentar angariar simpatia entre eleitores de outros candidatos que considerariam o golpe baixo demais e acabariam passando para o lado do atacado.
em toda campanha sempre tem uma turma responsável por esse tipo de trabalho sujo. a galera que trampa na claridade muitas vezes nem sabe que existe essa força-tarefa no porão.
R: O que eu acho mesmo é que o coordenador da campanha da Marta na verdade é do DEM hehe
PS: Gostei da propaganda da folha... pena que não seja tão válida hoje em dia... eu é que não boto minha mão no fogo por mais nada...
mas tenho certeza absoluta que ela está por dentro de tudo que é feito na sua campanha, até pq ela me parece ser bem manipuladora (bom sujeito para análise marcos, hihihi).
e além do mais, o que poderíamos esperar de uma criatura que na hora de uma baita crise manda o povo relaxar e gozar?
vtnc dona marta que eu acho que é isso que a senhoura está precisando...
ps: desculpe o linguajar chulo mas política me tira do sério.
bjs, mtos
vidamansa
Esse tipo de coisa me revolta. Que diferença faz se o cara fosse transsexual, casado com um negão e com cinco filhos adotados? Prefiro saber se ele é íntegro, se é responsável, se tem interesse em melhor o que vai governar. Mas, aparentemente, em campanhas eleitorais, isso é o que menos importa.
E mesmo que o Kassab fosse gay, que diferença isso faz? Tô escolhendo o cara porque ele é bom pra governar a cidade, não pra ter um caso.
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