Uma parábola que não é minha...
... mas que eu gostaria que fosse:
Imagine que você tem duas filhas, Carla Cristina e Raiane Rachelle. As duas têm, para simplificar, a mesma idade _ 19 anos e estão na faculdade. Você dá para cada uma delas uma mesada de trezentos contos para elas se virarem na faculdade, mas compra livros e o básico. O que elas fazem com o dinheiro que você lhes dá é com elas, mas você verifica que ele costuma se transformar em itens como tênis Nike, mochilas Kipling e caderninhos e papeizinhos da Hello Kitty.
Um belo dia a Carla Cristina começa a aparecer em casa com itens como bolsas Luis Vuitton, jóias da Vivara, vestidos Dolce&Gabbana. Você desconfia, mas acredita que não deve interferir. Um belo dia você recebe uma carta dizendo que a Carla Cristina está expulsa da Universidade porque foi pega fazendo programas com alunos e professores.
Você aprende a lição. Decreta horários rígidos para suas filhas chegarem e sairem de casa, só admite que elas vistam roupas comportadas, começa a ir à Igreja com elas todo domingo, contrata um psicólogo. A coisa funciona e Carla Cristina aparentemente deixa sua vida alternativa pra lá.
Aí, um ano depois, a Raiane Rachelle começa a aparecer em casa com bolsas Prada, jóias H. Stern, vestidos Versace e compra um Peugeot 206. Você desconfia, mas acredita que não deve interferir, e além do mais suas antigas normas continuam em vigor e, o que é melhor, as duas filhas as cumprem integralmente.
Até que um dia a polícia bate na sua porta com um mandato de prisão contra Raiane Rachelle porque ela está traficando drogas na universidade.
Se é que ainda não entendeu do que se trata, leia Liberalismo do crioulo doido e outras histórias, do Hermenauta.
PS - Sim, a falta de posts por aqui acabou!
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Há uma lenda urbana aqui no Rio que reza muitas menininhas da PUC fazem programa. Prefiro acreditar que elas não fazem. E, caso façam, que seja não pra torrar tudo no Fashion Mall, mas, sim, pra pagar as mensalidades exorbitantes da Universidade do pontífice.
Essa lógica do consumo me assusta tanto. Parece que há uma confusão entre desejar e ter. E o desenrolar disso é que se a civilização (uma boa parte dela, vai...) obtura-se de coisas, coisas e mais coisas ainda.
Só que isso é uma grande falácia: consumir não apazígua isso que é de outra ordem.
Chega, né, Carolina!
Ai, ai.
Beijo!
(ah, a proposito, te linkei, tá?
R: Obrigado pelo link, Carol! Mas é realmente importante ler o post que linkei no fim do texto, que é de onde saiu a parábola. A discussão não é sobre a prostituição... ;-)
To falando da lógica do consumo! Do que se é capaz pra ter e ter e ter.
Mudando: curtí muito o podcast com a homenagem ao Neil Young. Voce podia complementar com a fase em que ele tocou com David Crosby, Nash e Styll. Fase muito boa, também. No mais, perfeito!
Forte abraço
R: logo tem podcast novo saindo do forno! E ótima a sugestão, eu adoro alguns discos dessa fase também!
R: culpa das provas, Gê. Mas semana que vem estarei de folga, e aí darei um novo pique ao blog. Prometo!
Beijocas,
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