Enfia a bituca no...
Sinceramente, não tenho nada contra o tabagismo. Não abraço campanhas do tipo "não fume porque faz mal para a sua saúde" pelo simples motivo de que cada um é senhor dos seus atos, e acho que todos temos o direito inalienável de fazer mal à própria saúde. Na verdade, também não vejo muito problema quando a coisa me afeta: não ligo quando acendem um cigarro por perto e não peço para fumarem longe de mim (nem mesmo em lugares fechados). O cheiro não me incomoda, e nem o gosto que deixa no beijo. Afinal, se a mocinha for suficientemente interessante para merecer um beijo meu, não é o sabor de cinzeiro que vai estragar tudo.
Mas existe um comportamento relacionado ao ato de fumar que realmente me tira do sério, a ponto de despertar fúria e desejo de matar: jogar a "bituca" do cigarro no chão. Fiquei alguns minutos hoje na frente de um banco, e várias pessoas chegavam, altivas e arrogantes em sua estupidez, jogando o cigarro ainda aceso na calçada ou mesmo no jardim da praça, na pressa de entrar logo na agência. Jogar a bituca do cigarro no chão não é apenas falta de cuidado com a própria saúde ou com a saúde de pessoas próximas. É, isto sim, um ato de extremo descaso com o espaço público, com a coletividade, com o Universo. Não é ato fugaz que dura o tempo que a fumaça leva para se dissipar (não vou entrar no mérito da poluição do ar agora), mas uma maneira de eternizar a falta de educação, de garantir a triste herança de uma marca patética para a posteridade. A bituca jogada hoje entre as flores é a obra permanente de um idiota que provavelmente sobreviverá à própria humanidade (a bituca, não o idiota). O fumante sem educação pode dizer "já deixei um pouco de mim neste mundo", pois até exploradores alienígenas do futuro saberão o quanto ele foi babaca. O filtro dos cigarros é revestido por acetato de celulose, um material que dificulta absurdamente a decomposição deste resíduo do teu vício. Acredite em mim, não minto quando digo que essa merda provavelmente ficará no mundo mais tempo que você!
"Ah, mas eu vou ficar com a bituca na mão até achar um lugar para jogá-la?". Claro que vai! Na sua casa, você leva a bituca até um cinzeiro ou a joga no chão? Eu sou viciado nas asinhas de frango apimentadas do Hooters, já pensou se saio por aí jogando os ossos na rua e nos jardins? Tem gente que se masturba compulsivamente, já imaginou como seria a calçada cheia de esperma? Se você escolheu ter um vício (e isso definitivamente é um direito seu), deve respeitar algumas contingências para mantê-lo. Na grande maioria dos casos o onanista compulsivo busca um lugar adequado para satisfazer seu vício, ou pelo menos para deixar seus "resíduos". Leve um saquinho no bolso ou na bolsa para colocar as bitucas apagadas; deixe de ser preguiçoso e caminhe até a lixeira mais próxima (e aprenda a apagar direito o cigarro). Enfim, dê um jeito, invente algo, mas não continue sendo um porco maldito.
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E olha, eu odeio quem joga QUALQUER tipo de lixo no chão e nas vias públicas. Execro, abomino e por mim gente assim nem existia. Sério. Fico mal e constrangida. Já comprei brigas na rua por isso e acho que vou continuar comprando. Pior é a resposta de alguns cretinos, que acham que tão "dando empregos pros garis". Sim, estão, justamente por causa da mentalidade tosca que têm.
E jogar bituca na rua é mesmo uma das coisas mais feias do mundo.
R: eu tenho certeza que essa de "estou dando emprego pros garis" vai aparecer por aqui ainda.
R: Obrigado!
Mas veja o outro lado da moeda, é muito incomodo apagar a bituca na sola do sapato e ter que apoiar em um poste sujo e mijado. E só quem já jogou uma bituca em uma lata de lixo e ela começou a pegar fogo sabe como isso é desesperador.
Para finalizar, terceirizar o rabo é uma delícia por isso a culpa é da prefeitura que não dispõe de cinzeiros públicos!
Mas falando sério, bituca de cigarro no canteiro e preguiça de fumante são coisas feias.
R: excelente solução!
Todo mundo anarina, mas so reclamam quando eu anarino ne?
Doni, concordo em parte, odeio quem fuma do meu lado, em lugar aberto ou fechado. Tenho alergia e odeio o cheiro, por isso nao beijo fumante. Se o cara eh/foi inseguro a ponto de comecar a fumar pra parecer mais descolado, viciou e agora nao consegue parar, entao nao deve ser interessante o suficiente pra merecer o meu beijo.
Mas enfim, jogar a bituca no chao pra mim entra na mesma categoria de jogar qualquer lixo no chao. Nao tenho palavras melhores pra descrever o que acho dessa gente, me sinto contemplada pelas suas palavras.
(falei que ia ler depois e li, viu?)
Tenho uma prima fumante e constantemente discutimos porque " qualquer lugar é lugar" para jogar sua bituquinha fumegante.
Okay, cada um com o seu vicio, mas é um saco mesmo ver as pessoas a torto e a direito jogando seus restinhos mortais!
Eu até ja pensei em inventar um cinzeiro portátil, mas ainda não consegui, vou tentar a caixinha, como disse a pessoa acima!
Ficou ótimo. Parabéns.
Ótimo texto! Sem preconceitos e sem a pretensão de ser culto!
Parabéns!
R: Obrigado!
vou me redimir da minha culpa, depois te conto tá?
R: uma latinha é legal pq não fica o cheiro...
R: sinceramente concordo com você!
Olha isso: "Na verdade, também não vejo muito problema quando a coisa me afeta: não ligo quando acendem um cigarro por perto e não peço para fumarem longe de mim (nem mesmo em lugares fechados)." e "Jogar a bituca do cigarro no chão não é apenas falta de cuidado com a própria saúde ou com a saúde de pessoas próximas." E a fumaça? Não causa mal algum à saúde da própria pessoa (até aqui é direito da pessoa fumante se matar como bem entender) bem como também prejudica as pessoas próximas?
E isto sim, é realmente "um ato de extremo descaso com o espaço público, com a coletividade, com o Universo." Bem como tantos outros problemas, como jogar qualquer tipo de lixo no chão,etc.
Mas para mim, o que mais me incomoda é essa maldita fumaça venenosa. Se você gosta de dá um fungadinha na fumaça dos outros é direito seu. Cada um se mata como bem entender.
Por outro lado, no que toca o hábito das bitocas de cigarro, voce se posiciona contra. E, a meu ver, com motivos muito razoáveis. Em resumo, se o hábito(vício) prejudica ao próprio viciado, sem problemas; se o vício prejudica ao viciado e aos que estão por perto, tudo bem também; mas se o hábito de bitocas ao chão praticado pelo fumante prejudica em um escala universal, aí nada bem.
Tomando como premissa que o problema se dá quando os hábitos do fumante criam um problema em escala universal, concordo com voce: essas bitocas de cigarro no chão são um problema.
Mas, pense comigo, o que acontece se eu te disser que o próprio fumar pode ser considerado um malefício universal,isto é, que vai além da própria saúde do fumante, mesmo que este fume sempre no banheiro de casa? Voce me concede que neste caso, qualquer problema pode ser visto como universal ou particular, em função das justificativas que resolvemos apresentar? No seu texto, para o fumar, voce deu uma justificativa particular, quero dizer, não há problema no cigarro porque, ele prejudica apenas ao fumante. Na situação seguinte, voce não saiu a arena do particular, novamente, afirmando que não se incomoda com quem fuma perto de voce. Mas no caso das bitocas voce a considerou um hábito inperdoável justificando-se universalmente: "Jogar a bituca do cigarro no chão não é apenas falta de cuidado com a própria saúde ou com a saúde de pessoas próximas. É, isto sim, um ato de extremo descaso com o espaço público, com a coletividade, com o Universo."
De forma alguma quero dizer que voce levantou justificativas erradas ou fracas para sustentar suas opiniões sobre fumar sozinho, fumar em particular, e as bitocas.
Só gostaria de dizer que dando um tratamento desigual (particular e universal), é como se voce escolhe-se propositadamente(ou não) as justificativas que mais lhe convém, levando um leitor mais desconfiado a desqualificar suas justificativas, questionando: 'dois pesos duas medidas?'
R: Vamos lá: óbvio que escolho as justificativas que sustentam meu ponto de vista. Podem ser erradas, ou mesmo fracas, mas todo texto é um exercício de construção subjetiva, então é lógico que todas as justificativas são escolhas minhas para provar um determinado ponto de vista meu. rs... Sobre todo o jogo particular e universal, é simples:
- o fumante: tem TODO o direito de prejudicar a própria saúde. A vida é DELE.
- o fumante passivo: Bem, é óbvio que há um problema de educação e respeito ao próximo no caso do fumante que não liga a mínima para quem está perto, mas o outro ainda tem nas mãos o poder de decisão: posso pedir para o fumante se afastar de mim; posso eu me afastar; posso chamar o dono do estabelecimento e reclamar... enfim, N alternativas. Também é MEU DIREITO permanecer perto de alguém ou em um ambiente que prejudique minha saúde.
- a bituca afeta o mundo do ponto de vista ecológico, social etc e blá blá blá, sem que exista uma escolha envolvida. CLARO que podemos falar nos gases que o ato de fumar deixam na atmosfera, na cadeia econômica e de exploração envolvida no cultivo do fumo e na fabricação do cigarro; ÓBVIO que tudo isso pode ser também considerado "universal". Mas escolhi este termo para uma tese subjetiva e opinativa escrita em um blog, e não para um tratado filosófico acerca de como nossos atos afetam o universo metafisicamente. Talvez vc esteja certo... Mas que sono, não? hahaha
Concordo com você que é óbvio, e peço até desculpas se meu comentário fez você pensar que fiquei descontente com suas justificativas. Eu acho a premissa ecológica muito boa. A primeira parte do meu comentário, foi mais um esclarecimento,para mostrar a você que leitura fiz do seu texto, de modo que qualquer erro ali, por você indicado, poderia desconstruir tudo que disse em seguida.
O objetivo do meu comentário era só ressaltar o jogo do particular e universal, isto é, questionar a validade lógica da construção de suas justificativas. Você há de concordar comigo que de forma alguma questionei a verdade delas. Como disse, acho a premissa ecológica bastante verdadeira.
Quando você respondeu dizendo que o texto se dá numa atmosfera subjetiva e opinativa escrita em um blog e que de forma alguma pleiteava ser um tratado filosófico, eu fiquei me sentido O Filósofo. Mas, na faculdade os professores diriam que filosofia se distingue pelo objeto e meu comentário nada mais seria que filosofia no nada sobre o nada. Outros tentariam salvar dizendo que não, método é tudo, e filosofia de tudo é possível. Confesso que não entro nessa briga.
Minha briga pessoal está por conta da falta de força e validade daquilo que pensamos e argumentamos atualmente, não só em blogs, mas em jornais e revistas mesmo.
As vezes penso: se tudo que temos são só opiniões sem pretensões de verdade, porque nos damos ao trabalho de justificá-las? De qualquer forma, a filosofia se rebate até hoje pelas opiniões verdadeiras. Por outro lado, a lógica, enquanto ciência, já se firmou há muito tempo e é uma ferramenta muita válida para qualquer aspecto de nossas vidas. Nesse sentido, quando você move meu comentário para um âmbito filosófico, vejo que existe uma fusão entre meio e fim. De modo que a lógica, estando presente apenas na rigorosidade da filosofia, é confundida com filosofia e é expulsa do mundo.
R: meu velho, eu não censuro comentários, muito menos simplesmente por me questionarem. Acho que qualquer debate, com respeito, só faz enriquecer a experiência de todos os envolvidos. Agora, ficando apenas no que você disse, temos uma questão de entendimento aí... Até concordo com você na questão de que é um incômodo a "falta de força e validade" do que pensamos e argumentamos. Acontece, e você vai me perdoar nisso, que a lógica é para mim tão subjetiva e pessoal quanto QUALQUER filosofia ou ciência. Questão de formação e visão de mundo e de homem. Verdade? Eu vejo a verdade sob a ótica de Bion (a psicanálise fundamenta minha visão de mundo em parte), que diz que esta só pode ser tangenciada e nunca realmente encontrada; e em Foucault, que compara a verdade a um relâmpago do qual podemos apreender a existência apenas por alguns momentos, de forma fulgas. Meu problema com a lógia é que ela pressupõe uma racionalidade que não vejo em qualquer coisa que envola o humano. Somos feitos de pulsão e libido, e nossa percepção do mundo também é "comandada" por tais "entidades". O texto que você leu, com erros e acertos, argumentos fracos ou não, foi expressão da minha RAIVA num momento específico. Pense mais numa crônica, não por ter valor de "arte", mas por ser uma expressão do meu eu, do que num artigo argumentativo que busca a verdade. Meu blog (e você verá isso se ler outros textos) é sentimental e passional demais. E não vejo lógica rimando com paixão rs... Abraços!
abraço
Gde post, de Bituca a Foucault...
R: Opa, valeu!
Bell
R: obrigado! Apareça para contar do projeto!
R: Cara, eu concordo. Principalmente em São Paulo, a falta de lixeiras é um problema grave (que dirá com cinzeiros). Mas também não podemos sempre esperar por uma atitude do estado, não acha? Se podemos reclamar (e quase sempre com razão) sobre o furor estatal por legislar sobre nossas vidas, também não devemos apenas esperar por ele para fazermos "o certo". Existem opções possíveis e melhores que jogar o bituca no chão, com ou sem cinzeiro. Chega ao absurdo de eu ouvir de alguém uma vez "ah, eu jogo mesmo, tem sempre alguém que limpa". É.
Em italiano tem uma expressão que define muito bem: menefreghismo! Ou seja, ninguém foi educado para cuidar da cidade onde vive, então nobody cares!!
Vou tentar ser mais cuidadoso também com minha bituca. Valeu o texto, que, por sinal, é muito bem escrito. Meus parabéns e vamos nos esforçando por aqui.
Se todas as pessoas q fumam, tiverem a consciência de que bituca tb é lixo, e polui tanto ou mais q um papel/lata/plástico jogados no chão, as ruas estariam muito mais limpas.
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