Sobre Vasco da Gama, cravos e chuteiras
A madrugada deste sábado, 28 de junho de 2008, ficará para sempre na história do Club de Regatas Vasco Da Gama. Roberto Dinamite, um dos maiores atacantes de todos os tempos e dono de toda uma carreira devotada ao "clube da colina", derrotou Eurico Miranda na eleição para presidente do clube, coisa que já teria feito em 2006, não fossem as irregularidades típicas da anterior "democracia" vascaína.
Vejam bem, Eurico Miranda até tem seus pontos positivos. Ele esteve sensacional em seu papel em Guerra nas Estrelas, por exemplo, mas é representante notório de tudo de ruim que envolve nosso futebol e nossa política. Sim, porque o futebol nada mais é que um palco onde são representadas, em menor escala (ou não), as mazelas e glórias de nossa tragédia humana. A truculência e o gosto por manobras escusas típicos do ex-dirigente vascaíno são sintomas dos males que assolam nossa política; representam práticas antigas que teimam em não morrer.
Mas hoje... Hoje é dia de ter esperança, hoje é dia de sonhar! Roberto Dinamite foi grande, encarou impávido as ameaças e toda a grita do patético Eurico, como se este fosse apenas mais um zagueiro a ser humilhado. Em alguns momentos cheguei a ver o forte atacante cabeludo disparando petardos contra o gol do Maracanã novamente. Talvez Roberto nem venha a ser um bom dirigente para o Vasco, mas com certeza também não será um ditador, e que seja democraticamente substituído caso não vá bem. É assim que as coisas devem ser. Um clube de tanta história, que lutou para ter o negro em campo numa época em que o esporte bretão ainda era dominado pelo preconceito, merece voltar ao caminho correto, merece deixar para trás estes anos de desmandos.
Talvez seja ingenuidade minha, mas se Eurico Miranda era um bastião do coronelismo no futebol, se era representante eterno das mamatas e falcatruas, e ainda assim caiu, quem sabe não seja apenas um começo? Não será hora de voltar a sonhar com um futebol bem gerido, com clubes respeitados por sua grandeza e não mais vistos apenas como balcão de negócios para empresários, agentes e dirigentes desonestos? Quem sabe esta não seja apenas a primeira formiga a cair, dentre tantas que ainda precisam ser pisadas e exterminadas, em nosso futebol e nossa política? Quem sabe este clube da colônia portuguesa não tenha começado uma nova Revolução dos Cravos que agora vai se espalhar para além do futebol e contagiar outros setores da nossa sociedade?
É, eu sei. Mas não estou com a mínima vontade de acordar.
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Até que enfim é sexta-feira!
Vice da Gama
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