Lakers x Celtics
Como todo bom garoto da periferia paulistana que cresceu nos anos 80, o meu esporte era... o Basquete! Mais do que uma mania ou passatempo, o basquete se tornou uma das partes mais importantes da minha identidade, e é assim até hoje. Num momento delicado como o início da adolescência, foi o meu caminho para a aceitação e respeito do grupo. Antes do basquete eu não passava de um cdf muito chato, mais interessado em agradar aos professores do que em fazer amigos, que havia crescido demais para a idade e que, meio bobão, era alvo fácil para os valentões da escola. Para piorar, era uma ameba tendo ataques epiléticos com a bola nos pés, o que só aumentava a crueldade das gozações e a vergonha que eu sentia por ser tão desastrado e grande.
Mas um dia, numa manhã gelada em aula de educação física (as manhãs não pareciam mais frias antigamente?) eu fui apresentado ao basquete, e ganhei meu passaporte para a turma dos grandes. Em alguns dias eu já era parte do grupo de "maloqueiros" que passavam o tempo todo na quadra (vira 100, acaba 200). Aos 14 anos, jogava junto daquele lendário porto-riquenho que dava fantásticas enterradas e de caras como o Marlon, uma verdadeira lenda no bairro até hoje, quando o assunto é a bola laranja. Recebi orgulhoso o apelido de Divac, um grande pivô iugoslavo que jogou nos Lakers e no Sacramento. Na mesma época, a Bandeirantes começava a transmitir jogos da NBA, e o narrador, de maneira ridícula, tentava comparar os Lakers ao Corinthians. Quase deixo de torcer para o time de L.A, mas não dava para resistir ao apelo quase místico daquela camisa amarela, e sou torcedor até hoje.
Mas, um time só é grande se tem um verdadeiro rival, e o amarelo do meu time, naquela época pré-Chicago e pré-Jordan, chocava-se com o verde do maior vencedor da NBA de todos os tempos, o Boston Celtics (16 títulos). Não dá para explicar facilmente o tamanho desta partida. Somados os títulos, essas equipes levaram trinta temporadas do campeonato mais difícil de ganhar que existe. Grosso modo, Lakers x Celtics é como Yankees x Red Sox, ou como São Paulo FC x algum outro grande campeão intergaláctico. Foram já dez finais entre os dois times, quatro delas terminadas apenas no sétimo jogo e oito vencidas pelo Boston.
E daqui a pouco (22 hs, Brasília) começa a 11ª grande final entre essas duas lendas do esporte. Tenho muito a fazer, muito a escrever, muito a pensar, mas NADA é mais importante do que assistir a esse jogo hoje (e todos os prováveis seis outros que virão). Só saio da frente da TV nos intervalos, para pegar mais uma cerveja, e fico arrepiado esperando que Bryant e Garnett repitam momentos como os mostrados no vídeo abaixo (esqueçam a música ruim e as declarações emocionadas):
Durante algumas horas desta noite, serei um garoto de 14 anos novamente.
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Que boas lembranças seu artigo me trouxe. Temos histórias MUITO parecidas, e entendo perfeitamente isso de fazer parte - finalmente - do time dos grandes.
Tinha milhares de fitas com jogos gravados, e também programas especiais que passavam na band (top 10 NBA, algo assim).
Meu time, diferente do seu, era o charlotte hornets. E os embates de larry bird e magic johnson, inesquecíveis. Tem gente que não conhece mesmo nada antes da era jordan.
Aliás, tentou jogar basquete depois de "velho"? Cara, eu sim. Saudade daqueles tempos que eu aguentava jogar triozinho quadra inteira, 100 vira 200 termina.
abraços,
Diego
R: Cara, sabe que até jogo bem ainda? O problema é quando a cabeça pensa e o corpo não corresponde... Sem falar nas dores depois da partida! hehe
E eu torcia pro Utah Jazz, da dupla John Stockton e Karl Malone. Tinha uma tabela de basquete dentro do meu quarto (!!) e ficava imitando as jogadas deles. E odiava todos os outros, o Charles Barkley, o Patrick Ewing, o David Robinson e — principalmente — o Clyde Drexler.
Bons tempos.
R: Cara, eu sempre odiei o Utah Jazz. Saca um jogo sem magia? Era a Imperatriz Leopoldinense do Basquete hehehe
Tinha até camiseta, não a oficial, que era muito cara, mas uma camiseta vermelha com o touro emborrachado. Era importada, mas tinha uma pinta de camelô que eu vou te contar...
Bjs!
R: Ainda espero ficar rico para poder comprar a minha camisa dos Lakers... rs
Gostei do teu post. Li alhures. Alto, é? Melhorou. Com olhos verdes, huh-huh.
R: Tina, vou confessar que uma vitória dos Celtics nessa série, dadas as condições, seria MUITO legal. O problema é que seria a nona vitória em onze finais. Desequilíbrio demais. Pobre Lakers!
Fiquei assustado com a sua história ser tão igual a minha. As únicas diferenças que eu era do interior do Paraná e torcia por Chicago, pois já existia o MJ.
Muito parecido.
Quando comecei no basquete o Bird tava em fim de carreira no Celtics e o chicago era uma constelação.
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