Memistória: Perseguindo Nisus - episódio 3
Para conhecer a história, leia também:
- Episódio 1, no Dossiê Alex Primo
- Episódio 2, no ius communicatio
Essas palavras tiveram o efeito de dardos jogados contra seu estômago. O medo e a vertigem o faziam sentir como que flutuando perigosamente no ar, Nisus já não era capaz de dizer se suas pernas tocavam o chão ou se suas mãos ainda seguravam o balaústre. Tentando ignorar por um momento o efeito hipnótico daquele distintivo, Nisus fixou o olhar nos passageiros que acompanhavam a cena, e o resultado foi apavorante.
Em meio a todos aqueles vultos estavam seus pais, sua irmã, e Sarah, sua noiva; e a decepção nos olhos dessas pessoas doía ainda mais que as palavras de seu perseguidor. Não havia mais como fugir. Se Sarah estava no ônibus, era uma questão de tempo até que ela descobrisse tudo sobre seu passado, tudo aquilo que ele tinha esperança de manter escondido pelo menos até o casamento, pelo menos até conseguirem construir uma vida o mais longe possível dali...
Mas Sarah não poderia estar justamente neste ônibus, e nem sua família, que vive em outra cidade. Ele não estava olhando para as pessoas que amava, mas sim para as expressões do medo e da culpa que haviam tomado conta dele. Quando voltou a si, Nisus percebeu que precisava ao menos ganhar tempo: “Não podemos discutir aqui, é muito perigoso”. O homem de casaco amarelo não teve tempo de responder. A freada repentina o jogou para a frente do veículo, e para cima de Nisus, que saltou para evitar o impacto com seu oponente, que bateu a cabeça.
O motorista conseguira impedir a colisão. Havia agora um carro atravessado na frente do ônibus; e alguns passageiros socorriam o homem de amarelo enquanto outros, assustados, levantavam-se tentando ainda entender o que havia ocorrido. Nisus percebeu que este era o momento de fugir, puxou a alavanca de emergência e em poucos segundos estava fora do veículo. Não havia ainda dado o terceiro passo quando sentiu um aperto forte em seu braço. “Você vem comigo”, disse o homem que o segurava, afastando discretamente o terno para o lado e mostrando a arma na cintura.
Caminharam até um carro estacionado em uma rua lateral e, quando a porta foi aberta, Nisus teve certeza de que as surpresas e o terror deste dia estavam apenas começando. Ali estava um homem que ele julgava morto há muito tempo, mas que agora sorria para ele. “Boa tarde, Nisus. Entre no carro, precisamos conversar”.
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A Olivia Maia já publicou o quarto episódio!
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Vou acompanhar!
fiquei muito empolgado com a idéia e os textos de perseguindo Nisus. li todos de pápum, e gostei tanto, que fiz uma brincadeira nesta tarde de domingo.
quero te enviar, pra vc ver o que acha. é bem coisa de menino fã de filme de ação. vc pode me enviar um email, já que não achei o seu aqui no blog.
abs
Rapaz, coloquei essa espécie de universo paralelo que fiz da história, lá no mue( é muito estranho falar meu blog!)
dá lá uma ohada
http://dancafragmentada.blogspot.com/2008/03/perseguindo-nisus-um-flashback-e-uma.html
valeu e abs
Por meio do blog da Dai tomei conhecimento desta 'memistória', ao ler teu texto, especialmente a frase:
Ele não estava olhando para as pessoas que amava, mas sim para as expressões do medo e da culpa que haviam tomado conta dele.
Minha mente imediatamente 'linkou' com a personagem principal de 'Crime e Castivo', cuja culpa o fazia imaginar que todos conheciam o crime que havia ele cometido.
Parabéns!
R: Muito obrigado!
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