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Virgínia Berlim, uma experiência

Virgínia Berlim, Uma experiência Virgínia Berlim é o novo livro de Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal, Uma novela marrom. O subtítulo “uma experiência” acaba dizendo muito sobre a obra. Primeiro, o formato: Biajoni transformou cerca de 400 páginas de um romance tocado há anos em uma história de pouco mais de 40 páginas. Depois, a particularidade de haver um cd acompanhando o livro, com músicas de caras como Billy Bragg, Jeff Buckley, Lou Reed e Nick Cave, nomes que não foram escolhidos por acaso, já que Virgínia Berlim é uma história de amor, e poucos são capazes de falar de amor como esses caras. O que está escrito não sobrevive sem o que é ouvido. Som e palavras estão sincronizados de uma maneira que chega a ser perturbadora, por que a imersão do leitor na história é multiplicada, assim como sua empatia com ela. Todos nós temos uma trilha sonora associada a nossos casos de amor, não?

A princípio, o tamanho reduzido do livro causa desconforto. O típico leitor de romances espera mais, quer saber mais sobre os personagens, mais detalhes sobre o que os motivou e todas essas coisas, mas Biajoni rompe com tudo isso em nome da ação, do desenrolar de uma história que acaba assim dialogando com a experiência passada ou presente do leitor. É sua própria vivência amorosa que vai preencher possíveis lacunas deixadas pelo autor, e isso pode ser assustador.

Assustador por que nossa geração não sabe lidar com o amor. Ninguém nunca soube, na verdade, mas a "pós-modernidade" veio derrubar as ilusões de amor eterno e perfeito; e ainda não entendemos o que temos em mãos, o que ficou. Somos então, como dizem, a geração dos “amores líquidos”, das relações cada vez mais descartáveis, tão condizentes com o ritmo e com os valores de nosso tempo. Dentro deste contexto, o romance fugaz do casal de Virgínia Berlim é apenas mais um exemplo do gênero, certo? Errado.

Eu poderia bem ser, e já fui diversas vezes em minha vida, esse rapaz de um escritório que se apaixona pela mulher comprometida. Você, leitora, pode ter sido também essa mulher comprometida que aceita um amor proibido. Será que nossas relações foram ou são descartáveis? Aceitamos essa classificação?

Contardo Calligaris disse certa vez, questionado a respeito da eternidade do amor, que o único amor eterno é aquele não vivido, aquele que reside na fantasia não realizada. Concordo com a interpretação psicanalítica que ele dá, e acrescento: aceitar o encontro amoroso, o mergulho no escuro de uma relação, conturbada ou não, é aceitar a possível finitude do amor. Sendo assim, a história de Virgínia e seu amante representa, acima de tudo, um ato de coragem.

É a coragem de enfrentar a confusão, as incertezas, os medos e dúvidas, o desamparo e a posterior indiferença presentes em qualquer história de amor vivida intensamente; e que por desventura acabe. E quando este fim chega só nos resta encher o copo de uísque, acender um bom charuto e colocar um disco do Chet Baker; respirar fundo e seguir em frente, esperando pela próxima Virgínia que vai virar nossa cabeça.

A história intensa desse livro me fez balançar, me deixou triste e pensativo durante dias, mas no fundo só me fez perceber o quanto tento ser corajoso em relação ao amor, e tenho orgulho disso. Mais do que os “amores líquidos” de curta duração, me incomodam os amores não vividos, preservados na covardia das fantasias ilusórias do que não se realiza.

* Aos que me mandaram seus livros, prometo escrever logo mais resenhas aqui.

Permalink27.10.07, 01:44:10, by Doni Email , Livros , 3 comentários

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Comentário de: Erika · http://oncoto.erikamurari.com.br

As pessoas em geral, ao meu ver, têm se esquecido que amor não é feito só de palavras, há gestos, atos, vivências... principalmente as vivências têm sido evitadas.

E anda cada dia mais difícil achar que o queira vivenciar junto.

Beijo Doni. Ótimo final de semana prá vc.

PermalinkPermalink 27.10.07 @ 10:06



Comentário de: Salvador Camino · http://www.salvadorcamino.com

Valeu cara, tava esperando pra ler esse livro e tinha me esquecido dele.

PermalinkPermalink 27.10.07 @ 12:11



Comentário de: claudia lyra · http://www.loucaporblog.wordpress.com

Também fiquei triste quando li Virginia Berlim. Principalmente porque ficou bem claro, no livro, a impossibilidade de se lançar num "mergulho no escuro de uma relação" sem ferir aqueles que estão a nossa volta. A vontade de viver sem amarras bate forte por vezes, mas a gente constata que tem nós fortes nos segurando e que não é conveniente mexer nisso. Fazer o que, né? Tocar em frente... hehehehe...

PermalinkPermalink 27.10.07 @ 15:53



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