Jesus não quer que eu case
Se você costuma percorrer o “circuito cultural” de minha cidade com certeza já o viu. Roupas brancas e largas, cabelos compridos e uma longa, grisalha e fraternal barba. Ele vive de vender a palavra, em forma de poema. Eu, que costumo levar mocinhas para primeiros encontros em cinemas, bares de gente que se acha descolada e exposições, o vejo constantemente.
O que me chamou a atenção nele, logo de cara, foi o approach: sua maneira de levar a palavra com tanto entusiasmo a mulheres lindas. E esse entusiasmo dele parece ser ainda maior quando a moça está comigo. Talvez uma forma de salvá-las do pecado que eu represento, vai saber.
A primeira foi Karla. Dia lindo de verão e nos encontraríamos no vão livre de um famoso museu para um almoço leve seguido de uma maravilhosa tarde de amor. Quando cheguei, ela já estava lá; uma saia perfeita para a estação e longos cabelos negros sobre um top branco. “Um anjo caído do céu, com certeza”, pensei. Só que Jesus deve ter pensado o mesmo, já que estava todo galanteador enquanto falava com ela. Cheguei a tempo de ouvir o diálogo:
- Você é a mulher mais bonita do mundo!
- Sou nada. E além do mais sou muito tímida, pare com esses elogios!
- Tímida? Eu posso te ensinar a deixar de ser tímida... Vamos tomar um café?
Neste momento eu a abracei. Karla pareceu muito feliz em me ver e Jesus, ciente de todo seu poder e carisma, sorriu e disse “pense em minha proposta, moça bonita”. Depois dessa, o almoço não foi tão leve quanto havíamos planejado.
Depois veio Luciana. Primeiro encontro em famoso bar ao ar livre perto do já citado museu. O papo estava ótimo – afinal a mesa de bar é o meu elemento. Luciana sorria, debruçava-se discretamente sobre a mesa e mexia nos cabelos. Encontro promissor, até que precisei ir ao banheiro. Na volta, Jesus estava lá, sentado em minha cadeira, recitando a palavra que não está na Bíblia para ela. Minutos de papo que pareceram horas e que levaram embora todo o clima; comigo, é claro, porque ela adorou a simpatia do messias.
A última foi Julia. Mulher admirada há tempos. Sorriso largo, jeito de menina. Doçura, beleza, inteligência e bom humor. Primeiro encontro sonhado que finalmente iria se realizar na forma descompromissada de um cinema seguido de jantar. Subíamos de mãos dadas o acesso às salas quando aconteceu:
- Que menina bonita! Você gosta de poesia?
- (não acredito que é esse senhor de novo, isso é perseguição!) NÃO, ELA NÃO GOSTA DE POESIA, e estamos atrasados, passar bem!
- Marcos! Como você é grosso! Se eu soubesse disso não teria saído com você, vamos embora!
O resultado? Não freqüento mais igrejas e, por via das dúvidas, agora só paquero pela Internet. Acho que vi um Jesus_2007sp num chat outro dia...
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maristela
benzadeus, jesus tranca-foda ninguem merece.
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