5 livros
Semana passada o Catatau me convidou para responder a um meme sobre livros e é óbvio que eu não poderia dizer não. A idéia é dizer as minhas cinco leituras mais “presentes” e “próximas”. Vamos lá:
La vie en close – Paulo Leminski. Trata-se de livro póstumo deste grande poeta curitibano. Poesia feita de experiências, de vida. São palavras que refletem, interpretam e confundem o homem. Delicioso: “Faça os gestos certos/ o destino vai ser teu aliado/ ouço uma voz dizendo/ do fundo mais fundo do passado. Hoje, não faço nada direito/ que é preciso muito mais peito/ pra fazer tudo de qualquer jeito. Ai do acaso/ se não ficar do meu lado”. Vivo repetindo esse poema como uma ladainha.
On the Road – Jack Kerouac. Sou louco pela geração Beat e, sem dúvida, por esse livro. A (bad) trip de Sal Paradise e Dean Moriarty pelo interior da América tem cores fortes e ao mesmo tempo difusas, tem cheiro e gosto. A trilha sonora é o Jazz que brota dos lamentos, dos sussurros, dos gritos e da cacofonia toda. Esqueci esse livro recentemente no carro de uma amiga em Florianópolis e, pelo que sei, ele está hoje em Porto Alegre. Comprei outro, que está desde então em minha cabeceira.
Primo Altamirando e Elas – Stanislaw Ponte Preta. Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, é o cronista por excelência. Um de meus personagens é uma singela homenagem à obra genial desse autor, que dizia que sua principal motivação eram as mulheres. Nesse livro o personagem principal é o “Mirinho”, que tem um método de produção dialética do conhecimento muito bem explicado pelo Rafael Galvão.
Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche. “Em outros tempos, blasfemar contra Deus era o maior dos ultrajes, mas Deus morreu e com ele morreram esses blasfemadores. De ora em diante, o crime mais atroz é ultrajar a terra e ter em maior conta as entranhas do insondável do que o sentido da terra“. A obra que anuncia a morte de Deus e o advento do super-homem, do além-homem, é bela e perturbadora, provocadora e inspiradora. É, hoje, meu livro favorito.
Marley e Eu – John Grogan. Porque nem tudo precisa ser filosofia ou literatura... A Carla estava comigo no momento da compra e me viu jogar rapidamente fora o papel que envolvia o livro e dizia “recomendado pela Veja”, ou algo assim. Tenho preconceito contra as indicações dessa revista, é fato, mas gostei muito desse. Não há nada no livro além de um sujeito que conta um período de sua história convivendo com um labrador, mas é um tipo de relato ao qual estou muito sensível. Perdi neste ano um casal já idoso de cães que estiveram presentes em todos os momentos da minha (difícil) história recente e tenho ainda dois: uma poodle completamente temperamental que passa boa parte do dia ao meu lado, e um labrador muito parecido com o do livro, estabanado e destruidor, mas que corre para o portão com seu cobertor na boca quando chega a hora de dormir. Não há como ser dono de cães e não se identificar muito com esse livro.
Os convites para responder esse meme, sem compromisso, vão para:
- Carla, do Enquanto seu blog não vem.
- Marcelo, do Martelada.
- Carlos, o Pesquisador Lógico.
- O Marconi Leal.
- Cris, do Usina.
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Comentários, Trackbacks:
É pena que a mídia daquele tempo não foi preservada; jornais fecharam, TV que pegou fogo... Ele era o máximo com suas "Certinhas do Lalau." Do beat generation gosto do Allen Ginsberg e do dono da City Lights, Lawrence Ferlinghetti. On the Road é um daqueles livros só pra menores de 30 anos. Mas você tem 31! Piadinha a la Groucho Marx.
Boa noite, Donizetti ;P
R: esse mesmo, "Mirinho" é o primo safado hehehe Também gosto muito do Ginsberg!
R: Pois é, não há nada de errado com a cultura pop, de qualquer gênero, se tem qualidade. É que há no Brasil um "ardor" das pessoas por parecerem sofisticadas as vezes, não? Ou melhor, acham que são sofisticadas por negarem o que é popular...
:*
R: não é bem um TOP 5... Foi mais uma olhada rápida naquilo que anda pela cabeceira hehehe
Rí, chorei, rí de novo... gargalhei alto... devorei em 2 dias.
Leminski é uma delicinha de ler.
Os outros vou ter que anotar na listinha de espera. rsrs
Eu fiz um desses em algum post passado.. se tiver a fim, dá uma olhada lá.
Beijo
Como assim, "nem tudo precisa ser literatura ou filosofia"? Marley e Eu É literatura. Literatura pop-corn, mas é literatura, catzo!
/mode revolts off
(Usar /mode é arcaico.)
Quer dizer que você passou a bola pra mim? Vou tentar fazer isso. Mas tá difícil voltar pra roça, vou te contar.
(Da tua lista, só li o Stanislaw e o Leminsky, além do Marley, lógico. Acho que nunca vou chegar no Nietzche.)
Beijoca.
De facto, ao terminar a leitura a primeira coisa que você quer fazer é reunir os dolares, extorquir a fonte materna e ir para a estrada
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