Maria Cristina Mirizola
Uma grande amiga, a Yngrid, me pediu um espaço no blog para postar um texto dela sobre um caso relacionado à polêmica que envolve a cobrança (ou pedido) de valores em dinheiro para que alunos façam provas, em escolas da rede estadual paulista. Tenho uma opinião muito próxima à da minha amiga, e provavelmente escreverei a respeito. Antes, leiam o texto dela e digam o que acham:
Acredito na importância da comunicação como fonte de informação e como uma das mais poderosas vozes da nossa sociedade. Por isso resolvi escrever para vocês.
Hoje no café da manhã de nossa família, minha mãe, professora há mais de 30 anos das redes municipais e estaduais de ensino de São Paulo, nos contava sobre uma colega sua, diretora de uma escola. E ela nos contava como admira o trabalho de sua colega, de como ela é competente e zelosa por sua escola, de como usa bem o dinheiro que a ela é conferido: comprando material para os profissionais trabalharem, tendo uma escola bonita para as crianças, sendo extremamente exigente para com os professores, para que esses possam cumprir seu trabalho e ensinar bem aos alunos. Concluiu dizendo que esta senhora escolheu as escolas que passou como se fossem sua própria família, sua casa, trabalhando mais horas do que a “lei” exige e investindo seu próprio salário na escola, muitas vezes.
Esse tema veio à tona, pois essa diretora, é uma das diretoras “acusadas” pela imprensa por cobrar taxas de seus alunos.
Eu ainda não tenho filhos, mas quero tê-los! No momento que minha mãe me contava como os materiais eram guardados na escola de sua amiga, que ela tinha uniformes limpos e trocava as crianças que faziam xixi ou cocô nas calças durante as aulas, dos pratos e louças e das flores que decoravam a escola, acreditei que meus filhos poderão um dia ter uma educação de qualidade: mesmo se eu não puder pagar por ela, pois existem outras pessoas que como eu acreditam que podemos ter uma sociedade melhor, e que só a educação pode fazer isso.
Essa senhora é hoje apontada na rua como uma “criminosa”. Foi para a delegacia, filmada e criticada pela imprensa assim como um criminoso que vende drogas para as mesmas crianças que ela tenta levar para um bom caminho e para um futuro através da educação.
Senhores, o que queremos para o nosso futuro? Eu quero pessoas como estas, que podem errar por acreditarem num mundo melhor.
Hoje as crianças dessa escola não tem uma diretora, e os pais pedem a volta dela. Com o tipo de matéria que foi publicada, quantas pessoas foram estimuladas a fazer o bem? Quem terá coragem de fazer algo de bom, para ser duramente acusado em cadeia nacional, mesmo sem a apuração criteriosa dos fatos. O problema de fato, o Estado não fornecer material suficiente para as escolas, não foi atacado, e os responsáveis saem imunes e com suas imagens intactas.
Como acham que podemos ter um mundo melhor se pessoas como esta senhora - que tem algumas décadas de trabalho bem feito e direcionado ao bem dos outros - são incriminadas, tendo suas vidas, sonhos e moral duramente atacados sem ser levada em consideração toda a obra que construíram?
Nossa sociedade precisa de muito! Precisa de educação e precisa de mais denúncias! Precisa da exaltação dos bons exemplos e da bondade. Precisa que seja ressaltando o que as pessoas fazem de bom, para que as pessoas sejam encorajadas pelos exemplos dos outros a fazer o bem.
Essa diretora se chama Maria Cristina Mirizola, e para mim deve estar em pauta por primar pela qualidade do ensino público.
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Comentários, Trackbacks:
Acho que a universidade deveria ser paga com bolsas para necessitados porque universidade é extra. Aqui a maioria sai da high school para profissão que já aprende lá. No Brasil, os que estudaram em secundários fracos (públicos) acabam em faculdades pagas.
A estória narrada é revoltante. A base da educação e prioridade dos governos deveria ser K-12.
Tina, Johns Hopkins University SDB Fellow, 1999
Beijinho, SAVE THE EARTH!
Poderia eu perguntar: Para que precisamos de governo? Só serve para enriquecer as burras de uns poucos privilegiados e seus apaniguados. Deveríamos sim, trabalhar para acabar com esses canalhas que assaltam os cofres públicos. Viva a Anarquia como forma de governo. Não precisamos desses polícitos para nada.
É o que eu penso.
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