Sobre filtros de processo seletivo
Talvez eu devesse ficar fora desta questão, mas como fui citado em posts relativos a essa polêmica, não posso deixar de dar uma opinião aqui. O Fábio Seixas está envolvido no projeto do WeShow, e deixou recentemente um post em seu blog, sobre vagas para trabalhar lá. O texto:
“A WeShow Brasil (www.weshow.com/br) está contratando surfers para selecionar os melhores vídeos do mundo. Se você tem entre 18 e 25 anos, é inteligente e sabe onde encontrar as grandes pérolas da internet, esta vaga tem a sua cara. É crucial escrever bem e ter fluência na língua inglesa. Vagas para o Rio de Janeiro”.
O Cardoso fez um post reclamando do limite de 25 anos, dizendo que isso é discriminação, ao qual o Fábio respondeu:
“a idade não é limitador para trabalhar no WeShow, é apenas um filtro do processo seletivo. Isso quer dizer que, do ponto de vista de processo de seleção, é mais otimizado entrevistar pessoas dessa faixa etária já que, em processos seletivos anteriores, se mostrou a faixa etária que trouxe candidatos mais adequados à vaga.
Não há discriminação de forma alguma, mas do ponto de vista de processo, não faz sentido gastar esforço da equipe de RH/seleção entrevistando pessoas que muito provavelmente não se adequam a necessidade que a vaga exige”.
Começou a polêmica, e eu comentei:
“Só eu achei que essa de “filtro do processo seletivo” é outra forma de dizer “discriminação”? É como dizer que “anexar sua foto ao currículo para sabermos se você é a loira gostosa que queremos contratar não é discriminar as feias competentes, mas só um filtro do processo seletivo”. Droga, eu sou inteligente, sei achar vídeos legais e falar inglês, mas não vou poder ganhar 1000,00 só porque tenho 31 anos…”
É fato que meu comentário foi irônico, e faço um mea-culpa aqui. Acredito também que comentários surgidos usando expressões como “idiota” e “demente” não foram felizes, e levaram também o Fábio a falar em irresponsabilidade dos blogueiros, gerando um ciclo de acusações perigoso e desnecessário, que desvia a discussão da questão inicial. Vou dar minha opinião na história porque adoro dar palpites! ![]()
Sobre a questão que o Noronha levantou, de que empresas da web 2.0 devem ter seu trabalho descentralizado, e que os funcionários podem fazer seu serviço em casa, eu digo que não é bem assim. A opção logística de ter funcionários dentro da empresa ou não envolve custos e contingências que devem ser analisados caso a caso.
Agora, o problema central da polêmica, que está um tanto esquecido: sim, limitar a idade dos candidatos para uma vaga como essa é discriminar, mesmo que sem intenção explícita. Limites de idade para vagas que dependem apenas de trabalho intelectual e de informação não fazem sentido, em minha opinião; sendo aceitáveis apenas em situações bem diferentes, sei lá, uma vaga para ginasta olímpica, por exemplo. Assim como não faz sentido não contratar pessoas de tatuagem ou cabelo comprido (já teve empresa dizendo que não me contrataria por eu ter tatuagem, e fiquei feliz por não ser aceito lá), ou gays, ou qualquer que seja a característica física, a maneira de vestir ou a “minoria” a qual a pessoa pertença. O único critério a ser avaliado em um processo seletivo do gênero deveria ser o da competência e das aptidões pessoais do candidato para trabalhar em equipe, se for esse o caso. A idade, mesmo que seja um indicativo de algum valor estatístico nessa situação, não poderia nunca ser um limitador, já que sempre podem existir pontos fora da curva!
Acho que devemos deixar de lado a discussão pessoal que começou com esse episódio e discutir a relevância desse tipo de prática, que é um padrão dos processos de seleção no Brasil, de forma que muitas pessoas acabam dizendo “mas todo mundo faz isso, é prática normal das empresas e não devemos ficar chocados” ou “a empresa tem o direito de contratar quem ela quiser”. Não, não tem!
Podemos e devemos discutir sim porque uma pessoa notadamente bem intencionada como o Fábio Seixas faz uso de um “filtro de processo seletivo” como esse, não por uma crítica pessoal, mas para questionar e rever o paradigma, o porquê de tantas empresas usarem tais “filtros”. É arriscado sim esbarrar no preconceito e na discriminação e, não que eu queira interferir diretamente nos critérios de seleção do WeShow, trazer essa discussão à tona é uma oportunidade e tanto de questionar alguns valores tão arraigados nos departamentos de RH de 9.75 de cada 10 empresas.
Não acho que o Fábio seja uma pessoa preconceituosa, chego a duvidar disso, mas esse “filtro” de idade está baseado em conceitos (tidos como normais por muitas pessoas) que legitimam práticas discriminatórias. Ora, o projeto do WeShow é um legítimo exemplo da web 2.0 e da inovação, do pioneirismo, que ela representa ou quer representar; que tal sermos inovadores também, pioneiros na discussão responsável dessa questão? Que tal deixarmos de achar que as coisas são "normais" porque todo mundo faz?
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Nunca ouvi falar en degenerescência estética com o passar dos anos.
Bravo! Para você, noronha e outros que ridicularizem com classe essa palhaçada.
Abraços
maristela
Acho que está mais ligado ao público-alvo, talvez essa seja a principal faixa etária que o site pretende atingir, e isso justificaria a escolha por pessoas dessa idade para procurar conteúdo.
A idade não influencia somente no preparo físico, influencia também nos gostos, uma pessoa de 30 e poucos anos pode achar um absurdo o que um garoto de 18 pode achar o máximo. Óbvio que sempre há exceções, mas como o Fábio mesmo falou, com esse filtro poupasse trabalho do RH.
É muito difícil um gerente de banco ter menos de 30 anos, por mais competente que possa ser. E isso não tem haver com discriminação, mas isso ocorre porque as pessoas tem mais respeito por profissionais mais velhos e estes também pressupõe-se ter mais experiência para lidar com certo problemas. Portanto o caso do WeShow seria apenas uma escolha ligada as características das pessoas dessa faixa-etária.
Só uma puxada de saco no final ... primeira vez que comento, mas eu adoro teu blog.
Sobre os gerentes de banco, mais uma vez, a estratégia de marketing baseada no estereótipo... As pessoas tendem sim a associar a idade com a responsabilidade, e isso é, de uma maneira bem velada, preconceito. Aliás, até com implicações psicológicas sérias para quem vai ficando mais velho, pois tem que, de um dia para outro, deixar de ser porra-louca para ser o que a sociedade espera dele hehehe. Eu realmente não gosto disso não. ;-)
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