Cães
Outro dia fui cortar o cabelo e fiquei ouvindo aquela conversa jogada fora pelo barbeiro. Sim, eu gosto de cortar o cabelo em barbeiros tradicionais, moda antiga, e às vezes tenho o prazer de fazer a barba com navalha e toalha quente também. Nesse dia a conversa estava animada, as pessoas discutiam riqueza e pobreza, e características de pobres e ricos. Eu apenas ouvia.
Num determinado momento alguém veio com essa: “eu detesto pobre porque pobre é triste. Pobre chora até morte de cachorro”. Bem, foi difícil não me lembrar do casal de cãezinhos vira-latas que eu perdi poucos dias antes desse fato. Debi e Lóide (meu pai foi bastante criativo nessa) eram irmãos. Ela pequena, pelo avermelhado, ele marrom e branco, um bom tanto maior.
Foram meus parceiros durante um período realmente difícil em minha vida. Em determinados momentos, chegar em casa e brincar com os dois era o que de melhor havia em meu dia. Mas nos últimos anos eu confesso não ter tido tempo para eles; nem os vi envelhecendo, na verdade. A Debi morreu de câncer. Não havia nada que se pudesse fazer, e foram noites de muita agonia. Ficar do lado dela na madrugada, conversando com ela e a acariciando na cabeça para que não gritasse de dor, foi uma experiência que me ensinou muito sobre a vida. Acabou sendo um alívio quando ela se foi, pois não sofreria mais. O Lóide morreu um mês depois. Simplesmente parou de comer, e a veterinária disse que a causa foi velhice misturada com o “desgosto” de perder a parceira de uma vida toda. Eu o entendo.
Ainda temos a Buffy Summers, um poodle que é a bebê da casa, e confesso me preocupar absurdamente com ela. Um dia ela precisou de uma cirurgia e a veterinária me disse que quase não a fez, porque eu fiquei tão preocupado e nervoso que até ela teve medo.
Ontem, tarde da noite, o labrador aí da foto apareceu aqui no portão de casa, faminto e com muita sede. Estava muito frio e o deixamos entrar. Tudo bem, o bairro todo já sabe que ele está aqui e provavelmente faremos anúncios para procurar pelo verdadeiro dono. É um cão dócil e brincalhão, e tenho receio que exista alguma criança doente por ele. Mas no fundo, gostaria que o dono não aparecesse... Passei o feriado correndo pelo quintal com ele e jogando bola. Já dei a ele o nome de Lex Luthor, e ele atende. Se eu sento no chão ele vem lamber meu rosto – pois é, foi um caso de amizade à primeira vista.
Lá vou eu adotar mais um cão. E provavelmente eu sofreria sim se algo acontecesse com esse animal que conheço há apenas dois dias. Eu devo ser realmente pobre!
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Adeus: a senhora do café, o tchau para o pai e o último dia
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Eu tb tenho um labrador, só um tantinho mais dourado que esse. Seu nome é Schumacher, mas nós o chamamos de Schumi. Ele é paulistano. O adotei qdo ainda morava em SP.
Bjos
um amigo da minha mãe esses dias me chamou de Santa Clara, pois onde vou a bicharada vai atrás!
Mas depois que você convive com um animal, não consegue se ver sem nunca mais, comigo é assim..
São mais que amigas, são irmãs por escolha (mesmo uma delas sendo chegada a um regime ditador).
O risco é que se uma tragédia dessas acontece em um periodo ruim da vida, acho que até eu vou junto.
Amo minhas cachorrinhas!
Parabéns pela iniciativa.
Abraço forte
Palavra do veterinário aqui, que adora ler e escrever.
Sou pobre e miserável. Choro, até lendo o seu texto. Confesso que câes e crianças me emocionam pela ingenuidade e por que não dizer, genialidade.
Você não vai querer se livar desse lindo labrador, eles são terrívelmente apaixontes... brincalhões, alto astral.
Bom chorar as vezes e assumir nosso amor e humildade por essas criaturas!
Beijos
Pequenos, grandes, com ou sem raça,macho ou fêmea,não faço distinção.
Se pudesse acolheria a todos!
Pena que tenho tanto espaço para eles no meu coração e não tenho espaço físico para acolhe-los.
Não perca esse presente que a vida lhe deu!
Se eu disser que quase chorei ao imaginar a dor da cadelinha você acreditaria?
Sou pobre, paupérrima aliás...
Quando a minha veinha morreu (ao que tudo indica, consumida pelo câncer também, mas graças a Deus sem chorar de dor) eu chorei muito muito...
Para mim, não há ser humano melhor que um cachorro!
R: ele está comigo até hoje ;-)
Não ligo de ser pobre mas MUITO feliz.
Porque hoje posso dizer sem nenhuma dúvida que o sou muito mais feliz hoje que tenho minha Amora comigo!
Acho que só quem tem o amor de um animal pra saber do que falamos...
E como está o Lex Luthor?
R: ele está ótimo, é uma das alegrias da casa!
Aliás, eu choro até por cachorro q não é meu, se vejo um machucado ou abandonado então... Eu gosto tanto de cães, que periga eu montar um canil. hehehe
Lindo o Lex mesmo. Eu me apaixonaria. Ainda mais que amo labrador.
Depois dê mais noticias dele.
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