Os 10 maiores discos da música nacional - parte II
Para ver a primeira parte da lista (do 10º ao 6º lugar), clique aqui.
05. Novos Baianos - Acabou Chorare
Não sei se as novas gerações imaginam que Pepeu Gomes é um dos maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos. Acabou Chorare o tem em grande forma e é o resultado de uma experiência lisérgica em um sítio, só possível nos anos 70. João Gilberto um dia bateu na porta de Moraes Moreira pedindo veementemente que eles não fizessem aquilo com o samba. Reacionário. O samba precisava do fôlego de Brasil Pandeiro e de Besta é Tu. Precisava do lirismo de Preta Pretinha e de Acabou Chorare. Talvez nem meus amigos mais próximos saibam, mas não há canção que me represente melhor que Mistério do Planeta, na voz de Paulinho Boca de Cantor.
04. Vários - Tropicália ou Panis Et Circencis
Tudo bem, boa parte dessas pessoas hoje é muito chata para dizer o mínimo, mas o Tropicalismo (não compreendido no seu tempo e ainda motivo de muitos modismos hoje) é para mim um dos movimentos artísticos mais importantes não só da nossa música, mas da música mundial. Oswald de Andrade não imaginava que seu espírito de antropofagia seria tão bem assimilado. Quem poderia dizer que um dia as guitarras se uniriam tão bem a Vicente Celestino? Tom Zé, Gal, Gil... Era o início (e ápice) das carreiras de todos eles, e todos estão juntos nesta obra-prima (detesto a expressão, mas cabe aqui).
03. Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)
Ney Matogrosso é o nosso Alice Cooper. Ou era em 1973. Os Secos & Molhados foram um furacão que varreu a parada de sucessos naquele ano, desbancando o Rei Roberto Carlos do primeiro lugar (algo inédito). Ainda hoje é um disco forte e criativo, inusitado. Imagino o efeito que teve naquele ano a dança do Ney em meio àqueles homens de cara pintada.
02. Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
Foi muito difícil escolher apenas um disco dos Mutantes para entrar nesta lista. Eles talvez sejam minha maior influência musical e todos os discos são marcantes para mim em diversos momentos. Posso dizer que foi o Arnaldo Baptista quem me ajudou a sobreviver ao período de adolescência. A divida comédia ou ando meio desligado foi o escolhido porque na contabilidade final reuniu o maior número de músicas que até hoje passo o dia cantarolando. Também entrou na lista pela deliciosa "desconstrução" do clássico Chão de Estrelas de Orestes Barbosa. Mário de Andrade dizia que "tu pisavas os astros distraída" era o verso mais bonito da língua de Camões e ele está lá, firme em meio a toda a balburdia dos Mutantes. Flavio Cavalcanti deu umas boas marteladas neste disco por tamanho desrespeito para com nossa música. Ele não sabia o que fazia.
01. Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda
Jorge Ben (Jor) talvez seja o compositor menos compreendido e mais subestimado da música brasileira. O Samba esquema novo de Jorge foi um sopro de criatividade para o samba e para a bossa nova já no início dos anos 60. Ele estava lá nos primeiros álbuns dos Mutantes e foi o cara que trouxe a eletricidade para o samba, enquanto outros faziam passeatas contra as guitarras elétricas. Nunca se deve pensar em Jorge como o compositor pop chato dos anos 90. A Tábua de Esmeralda (1974) é o grande ápice de sua carreira e quem não conhece este disco não conhece a música brasileira. Os temas são variados, mas ao mesmo tempo se intercalam dentro de uma harmonia única e absolutamente rica. A alquimia, a religião, o amor, todos cantados com aparente simplicidade e absurdo lirismo. Há humor, reflexão, fé, beleza. Minha teimosia, uma arma pra te conquistar é meu hino quando estou apaixonado, desde adolescente, e impossível não se arrepiar ao ouvir Errare Humanum Est e Zumbi.
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/3539 Posts similares:
Os grandes impactos musicais da minha vida
A discografia dos Mutantes - 1968 a 1973
BLOGCURSO PRIMEIRO GRAU: COMO SE DAR BEM EM PAPOS SOBRE MÚSICA BRASILEIRA
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
Uma ressalva: O disco dos Mutantes que entraria na lista dos "5 mais" seria "Mutantes e seus cometas no país dos Baurets".
Até.
Um disco apenas do chico é muita economia. E Jorge Ben é certamente o mais superestimado da MPB. Abs
'Acabou chorare' é sensacional também e na terceira colocação da minha lista, porque na segunda vem 'Gil e Jorge - Ogum e Xangô'. Maravilhosos.
Faria algumas várias modificações nessa lista, mas é mais ou menos isso mesmo. Faltou 'Urubu' de TJobim e 'Transa' de Caetano (mas é o meu gosto apenas).
Abraço.
Deixe seu comentário:












