A Revolução dos Blogs
Resolvi republicar este texto (originalmente de 30 de julho de 2006) para dialogar com este post do Marmota. Os textos não são novos, mas a discussão é bem atual:
Quando surgiu a proposta do Conselho Nacional de Jornalismo, com o intuito de “orientar, disciplinar e fiscalizar” a atividade dos jornalistas eu tive uma discussão acalorada com um partidário do governo a respeito do absurdo do projeto. Em dado momento meu interlocutor disse “não entendo a sua revolta, pois sabes que qualquer revolução que pretenda ser bem sucedida precisa partir da tomada dos meios de comunicação”. Minha resposta foi o silêncio.
Detesto abandonar qualquer discussão e quem me conhece sabe o quanto isto pode me tornar inconveniente, mas existem momentos nos quais você precisa avaliar de forma madura se vale a pena continuar ou não, e neste momento não valia. O fato é que a pessoa tinha razão neste ponto específico e estava me dizendo algo que eu sempre soube: informação é poder. Continuar discutindo, naquele caso, seria ir além da questão do momento para falarmos de ideologias.
Lembrei-me disso tudo ontem, ao ler a matéria da revista Época sobre a blogosfera. Mais do que a alegria de ver alguns conhecidos e bons amigos citados em uma boa (e neste ponto, rara) reportagem sobre o fenômeno dos blogs, o que me fez sorrir foi ter a clara noção de que estamos vivendo uma revolução. Talvez por ter tido início com alguns geeks tão diferentes do “revolucionário-padrão” e por ainda precisar de muitas adesões ela não tenha o charme do “pegar em armas para depor a burguesia em nome do proletariado”, mas a revolução dos blogs está aí.
Em recente seminário sobre a Anistia Internacional eu disse que “lutar pela liberdade de expressão e pela livre circulação da informação é das principais formas de enfrentarmos a tirania e as injustiças ainda tão presentes em nosso mundo. Mesmo sob tortura, mesmo pressionado, um homem não perde sua capacidade de pensar, de acreditar, de ter ideais e, se ele tiver como se expressar e atingir outros homens, nenhuma ditadura (de Estado ou não) estará segura”. Imaginem as possibilidades, imaginem o que poderemos ter em um futuro não tão distante, a partir do momento em que passamos, “pessoas comuns”, a gerar e a transmitir informação e conteúdo com a velocidade e com a capacidade de interação da Internet? É apenas o começo de algo muito maior, e quem bem define o momento é a Rosana Hermann: “O rádio e a TV tornaram-se poderosos meios de comunicação DE massa. Aí veio a Internet. E surgiu o meio de comunicação DA massa”.
Ainda falta muito. É preciso garantir o acesso de mais pessoas aos computadores, é preciso garantir que mais pessoas sejam alfabetizadas e capazes de lidar com eles. É preciso lutar contra qualquer tentativa de manipulação da Internet em nome de interesses escusos. Mas, se pudesse encontrar hoje a pessoa com a qual discuti anos atrás, diria a ela que sim, que ter o controle sobre a informação é importante, mas que precisamos sempre decidir com sabedoria por quais revoluções iremos lutar. Estou gostando desta tal revolução dos blogs, e quero ela cada vez mais democrática.
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