Quem te viu...? Quem, TV?
Tudo começou (ou terminou) nos anos 50, quando este senhor Groucho Marx, aparentemente apenas um irresponsável, mas na verdade totalmente comprometido com o “american way of life”, proferiu a triste frase: “Para mim a televisão é muito educativa. No minuto em que alguém a liga, eu vou para a biblioteca ler um bom livro”.
Foi como dar um tiro na testa deste bebê que acabava de nascer e que possivelmente iria revolucionar o processo de difusão do conhecimento. A venda de aparelhos de TV caiu vertiginosamente e as pessoas correram para as bibliotecas. Todo e qualquer lixo passou a ser chamado de “literatura”. As idéias mais idiotas passaram a encontrar eco na sociedade apenas por aparecerem na forma de brochura.
Alguns heróis tentavam manter viva, mesmo que respirando com dificuldade, a injustiçada indústria do entretenimento televisivo. Era uma vida de luta no submundo, na clandestinidade. Os coitados eram perseguidos pela Polícia Intelectual, que preferia ler todas as baboseiras escritas pelos Beatniks do que admitir a genialidade de “I Love Lucy”.
O golpe maior veio quando o absurdo “1984”, de George Orwell, ganhou status de grande obra. As pessoas não perceberam que tal livro só invadiu as livrarias porque era interesse dos poderosos manter aquele estado de coisas. O povo diabolicamente manipulado achava mesmo que um dia haveria um “Big Brother” a nos filmar constantemente, e que tais imagens seriam difundidas para desconhecidos que iriam nos vigiar e esmiuçar nossas vidas.
O triste resultado está nesta massa uniforme de pessoas tristes e sem atitude, sempre de cabeça baixa, que vivem folheando livros passivamente. São prisioneiras deles, esquecendo a própria vida para viver a inércia repetitiva de acompanhar as letrinhas pretas em fundo branco, esquecendo completamente do mundo real.
Hoje, já mais de cinqüenta anos passados, a maior parte das pessoas está escondida atrás de óculos enormes, tentando manter a pose de intelectual-que-leu-todos-os-clássicos. Elas simplesmente não acompanharam as guerras vergonhosas, o terrorismo, a corrupção. Não viram o homem pisar na lua (e incrivelmente acreditam mesmo assim, são mesmo passivas). Não viram as manifestações pela democracia em todo o mundo, não perceberam o crescimento vertiginoso do crime organizado e, pecado maior, não assistiram a Seinfeld e nem aos desenhos Hanna & Barbera. Triste fim para a humanidade.
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abração!
Odeio pose de intelecutal, por isso meus óculos são completamente opostos ao estilo.
Odeio faustão, gugu, fantástico e outros, por assim dizer, 'enlatados'(???!!!).
Adoro filmes.. e não me venha com aqueles mal-feitos chamados de.. como é mesmo o nome? ahhh fala sério, nem me lembro, de tão ruins.. tipo franceses..fora do circuito.. acho que eles têm mesmo é um curto-circuito na cachola.
Adoro desenho animado.. detesto Seinfeld, adoro Charmed, Friends...
Alucinada? to delirando? sei lá...
Mas não espere nunca de mim correr prá biblioteca..mas se for prum sofá na frente da TV, eu serei a primeira a chegar.
Beijo
Tente relê-lo com vistas aos todos os tipos de regimes totalitários. Evidente que para Orwell, em sua época, o mais óbvio seria aproximar-se da crítica ao regime stalinista.
Mas sejamos sinceros: qual a diferença do cidadão da classe média Orwelliano, subjugado ao extremo de sua intimidade mental, do sujeito que acorda de madrugada para trablhar para os outros, não vê os filhos crescerem, deixa de divertir-se, despeja sua juventude e vivacidade dentro de uma empresa por 10h, 12h diárias e, ao chegar em casa, é o espectador de "Big Brother" ou da novela das oito?
É dificil saber quem nos obriga a levar essa vida insalubre, mas sabemos que somos obrigados a ela, com riscos a nossa própria existência.
"Quem controla o presente controla o passado". E isso fez Wilson levar um tiro na nuca.
Abraços, meu amigo.
A mistura do livro, da tv, e das outras mídias, como rádio e internet...
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