Meu jeito "hedonista" de escrever blogs
"É uma troca justa: eu gasto um bocado de horas do meu dia produzindo entretenimento de qualidade para os meus leitores. Esse produto é o resultado do meu conhecimento adquirido ao longo desses 28 anos, é o subproduto das minhas aventuras..."
Na discussão gerada em meu último post sobre o ser ou não ser ProBlogger o Ian deixou um comentário muito bom sobre porque é justo ser remunerado por um blog; e porque ter um blog pode sim ser um trabalho como outro qualquer. Ao mesmo tempo ele define perfeitamente o produto que temos em mãos, de uma forma que vai de encontro ao ponto de vista que tentei externar em meu texto. Ser profissional é ser remunerado? Pode ser, claro. Mas sempre achei que a palavra profissional fica melhor quando atrelada ao conceito de excelência, de fazer bem aquilo que é nosso trabalho.
Penso assim porque em minha opinião qualquer atividade produtiva tem que equacionar remuneração E realização. Já trabalhei preso em escritórios tempo demais, sempre perdido em tarefas repetitivas e desprovidas de sentido (não que todo escritório seja assim), e sei muito bem que ganhar para realizar um trabalho assim nunca me deixou feliz. Abro mão, sem pensar duas vezes, de uma bela porcentagem de remuneração em troca de realização pessoal (foi o que fiz ao abandonar o mundo dos negócios).
O blog é meu trabalho também, e dou a ele a mesma importância que dou à minha formação em psicologia, a minha outra atividade. Só que me relaciono com meu trabalho de uma maneira muito diferente da que está hoje associada ao blogueiro profissional no Brasil. É deste relacionamento com minha produção, qualquer que seja ela, que parte o meu método de trabalho (óbvio).
Tenho três características marcantes: sou extremamente vaidoso, completamente perfeccionista (de maneira patológica até) e "hedonista"; no sentido de que só me dedico com unhas e dentes ao que me dá prazer - entendem parte do motivo deste espaço se chamar Hedonismos? Nem vou entrar no mérito das contradições envolvidas nestas características, prefiro falar do que é para mim um bom texto: além de conter idéias bem colocadas e relevantes e toda aquela coisa que está nos manuais de redação, o bom texto deve me dar um pouco (um muito) da subjetividade de quem o escreveu.
De começo, todo e qualquer tema é válido. Eu tenho um caderninho no bolso; um bloco de anotações que me custou 70 centavos (idéia que emprestei do Marmota, que é jornalista), onde anoto idéias para possíveis textos. Só como exemplo, hoje anotei nele a idéia de escrever sobre um rodízio para pessoas que se alimentam de luz, ao saber de uma comunidade delas em MG. Dou especial atenção aos temas particulares também: muitos de meus textos falam dos meus amores e das minhas dores, diretamente. Mas aceito pautas, idéias e sugestões de textos. Pode acontecer sim de em algum momento eu ver que um assunto está quente e pensar "falar sobre isso me dará audiência". Aí então vem o método! Nunca sento para escrever sem antes responder a quatro perguntas:
- escreverei com sinceridade sobre o tema?
- tenho algo relevante a dizer ou apenas estarei fazendo reverberar uma notícia velha?
- quanto de mim, quanto de quem sou, estará neste texto?
- escrever sobre este assunto me dará prazer? (importante)
Se TODAS as perguntas tiverem respostas satisfatórias, escrevo o texto feliz, seja sobre um assunto "da moda" ou sobre um fato perdido da minha infância. E aí, que venha a remuneração (ela será merecida).
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Fui citado neste artigo do Chá Quente. Decididamente o mestre deixou um pequeno gafanhoto feliz hoje.![]()
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Na minha opinião vcs estão na direção certa. O caminho é longo e ainda desconhecido. O que sei é que já tem muita gente ganhando dinheiro com isto aqui(fora do Brasil)e mais dia, menos dia chegará a nossa hora também. E como tanto vc como o Ian disseram(acho que outros também) vcs investem tempo e dedicação nisto, por quê não serem remunerados por isto?
Abraço grande
Att
Marcelo
Fazer o que gosta e ainda receber por isso, é muito bom.
Abraço.
R: valeu, Rafael. Estou dando uma olhada em seu blog também!
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