ProBlogger? Blogueiro Profissional? Não, eu não.
Antes de mais nada é importante dizer que não tenho nada contra quem escreve um blog, ou quem tem qualquer outro tipo de atividade, em nome da remuneração. Fazer uma coisa "por dinheiro" é uma questão de escolha; algo que envolve aptidão, vontade e/ou necessidade, e isso depende de cada um. Também não tenho nada contra a idéia de ser remunerado por minhas atividades, é óbvio. Trabalho pago de forma merecida é sempre bom.
Agora é hora de falar da minha relação com essa idéia de "blogueiro profissional". Quase duas semanas já se passaram da estréia do Interney Blogs e nosso condomínio é notícia principalmente por inserir o lance da "possibilidade de remuneração" na brincadeira, algo que ainda não existia na blogosfera tupiniquim. Eu mesmo andei abusando da palavra profissional em meu post de estréia no portal: falei sobre fazer parte de um projeto onde as pessoas criariam conteúdo de qualidade, sempre com o máximo profissionalismo; e um pouco mais abaixo no texto falo sobre o meu orgulho de fazer parte do primeiro portal profissional de blogs do Brasil.
Nada do que escrevi deixou de ser verdade. Tenho orgulho do profissionalismo com o qual os projetos envolvendo o IB são tratados e discutidos internamente, e também acho um avanço que o blog seja pela primeira vez oferecido como um produto de verdade, diferenciado das ferramentas institucionais chamadas de blogs que vemos em diversos portais e jornais por aí. Duvido que o futebol fosse melhor na época do amadorismo e também não acredito que bons eram os blogs da "era de ouro"; do tempo em que escrevíamos sem ganhar nada. Bobagem!
O fato é que devemos encontrar um meio termo. Eu ouvi o canto da sereia que me fez por um momento pensar em subverter um pouco as coisas. Tive sim vontade de passar a escrever para ganhar, deixando de ganhar por escrever. É perceptível a sutil diferença? As estatísticas são bem detalhadas e fica fácil perceber qual tipo de assunto rende mais visitantes e quais fazem chegar aqui mais usuários do Google. A gente fica acompanhando as visitas diárias e pensa "se eu colocar a palavra x ou a expressão y em um post, terei mais visitantes e mais renda". Mas rápido percebi que isso mataria um elemento vital para mim: o lúdico. No processo, aprendi e confirmei muitas coisas sobre mim.
Nunca fui bom em ganhar ou economizar dinheiro. Se a leitora por um momento pensou estar interessada em mim, já vou avisando que não sou um bom partido no sentido tradicional do termo: não sei buscar uma vida estável e tenho sérias dúvidas sobre se serei um bom provedor para a futura prole. Acho que até entendo porque tantas vezes apenas cumpri o papel de amante: deve ser o sexto sentido de vocês. Sou quase um analfabeto funcional em assuntos capitalistas: gosto de dinheiro, sei que é bom, mas não consigo aquele "plus a mais" necessário para realmente entender o funcionamento da máquina e fazer renda (a faculdade de Administração que o diga, ainda devem lembrar de mim por lá como motivo de piadas). Resumindo, sou um cara perigosamente sem ambições financeiras.
Então, nunca serei ProBlogger ou blogueiro profissional, no sentido de que isso passa a idéia de que como tal tenho a renda como objetivo principal. Também não me vejo como um psicólogo ou psicanalista "profissional" no futuro próximo. Sou obsessivo com as coisas que faço, mas sempre por algum motivo diferente da remuneração. Um ingênuo talvez, ou burro. Escrevo e tenho um blog porque escrever para mim é tão necessário quanto comer ou respirar. Sou escritor porque eu explodiria se não desse minhas opiniões sobre tudo e todos e se não contasse ao mundo as histórias que estão acontecendo neste instante em minha cabeça. Quero ser psicólogo pelo delicioso desafio intelectual da coisa, pelo contato direto com este conhecimento sobre algo tão incrível quanto o ser humano. Quero ser psicólogo para ajudar pessoas em um ambiente que me é muito caro (não sei explicar o motivo): o hospital.
Bem, o que ficou muito claro para mim até agora é que só aceito ser remunerado por minhas paixões, e por nada mais que isso. Felizmente (ou não), eu não saberia ser diferente. Sou apenas blogueiro, e serei apenas psicólogo.
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Curiosamente li hoje um desabafo (por outro motivos) de outro blogueiro, dublê de taxista, em www.taxitramas.blogger.com.br .
Não estamos roubando, Doni, mas damos tantas explicações às pessoas que parece que sim, né?
Eu também me sinto assim, devendo uma explicação, como se fosse a Eliana Tranchesi ou a Bispa Sônia! Pelamor! Vamos tentar relaxar, precisamos.
;-)
Abraços.
R: Dora, "bloggar profissionalmente" no Brasil ou em qualquer lugar do mundo (bem, quase qualquer lugar) é possível sim, e faz sentido também. Mas pense em profissionalismo como excelência (sempre tentei ver dessa forma) que tem a remuneração e a audiência como conseqüência da credibilidade, e não como a necessidade pura e simples de ser remunerado. Além disso, não podemos deixar a diversão de lado hehehe
R: O Kenji mata a charada. Ter conteúdo de verdade e relevante vem BEM antes de ganhar dinheiro, senão você fica refém dos seus anúncios. E realmente o caminho a percorrer é longo, mas já estamos nele. Profissionalismo, eu quis dizer em meu texto, é oferecer um produto realmente bom e respeitável, e não somente ser remunerado para escrever (leiam o texto que o Kenji cita).
Mas eu me vejo como aquele moleque que sempre jogou no campinho de terra e de repente recebe a proposta de jogar por um clube. Por mais que digam que é "trabalhar brincando", sabemos que o buraco é mais embaixo, basta ver o número de palmeirenses que já jogaram no Corinthians e vice-versa.
Dentro desse ambiente, a decisão de como gerir seu blog é de responsabilidade de cada um, bastando que se saiba o que está fazendo. Se o cara quer ganhar dinheiro, usar frases chaves para chamar gente para o blog, perfeito, desde que ele tenha essa consciência e assuma o que está fazendo. Acredito muito no bom senso de cada escritor, e principalmente do leitor, que vai saber identificar o blogueiro que mais responde às suas expectativas.
Eu quero que meu blog seja bem visitado, que eu ganhe muito dinheiro, que eu tenha bons leitores e bons comentaristas, mais ou menos nessa ordem. Sou mesquinho, mercenário? De maneira alguma, sou apenas um trabalhador, respeitador das leis, e desejoso de pagar minhas contas em dia. Além, e principalmente, de querer olhar mais para o lado esquerdo do cardápio. Quero poder dar para a minha mãe o que os anos de trabalho injusto e insalubre não possibilitaram a ela conseguir. E quero MUITO que todos aqui do IB tenham o mesmo sucesso.
Trabalhamos, pagamos impostos e geramos empregos. Como dizia meu falecido pai sempre que eu questionava seu destino todas as manhãs "Vou trabalhar para a grandeza do Brasil". Não é vergonha ou demérito algum estar aqui, como querem provar alguns românticos. E pra quem estiver com culpa, eu adapto aqui uma frase do Gene Simmons respondendo às lamúrias do Kurt Cobain, que supostamente repudiava a fama: "Se o teu dinheiro te incomoda, basta pedir o número da minha conta".
um beijo para todos vocês.
vamos SER AINDA MAIORES E MELHORES.
Prometi que ia pensar melhor sobre esse assunto, embora minha opinião não seja a mais importante do mundo.
Hoje, é fácil para mim, concordar com o Ian e achar essa idéia de profissionalismo legal, porque eu sei quem é quem.
É fácil para ti Doni, ou para o Ian, ou para o Alê, defenderem esse ponto de vista "profissional", porque vcs sabem o que estão fazendo, gostam do que fazem francamente.. vcs merecem receber por isso, ninguém vive de brisa.
Então qual o problema?
A proposta do Interney Blogs, me parece boa, já que foi reunido gente boa que escreve bem sobre coisas ótimas, desde a época do SpamZine. Tô errado?
Por outro lado, me incomoda a idéia de uma propaganda disfarçada de "post". Quando eu escrevo no meu bloguinho, por exemplo, que é legal comprar a segunda temporada de "BattleStar Galactica", estou falando do meu seriado favorito, não quero dar grana pra Universal.
Estou falando de um assunto que É bacana pra mim, apenas isso. Mas quem vai saber se estou fazendo propaganda ou se estou falando de meu seriado favorito?
Não sei, talvez, como vcs dizem, a gente perceba isso logo de cara. Tenho medo de tudo isso perder a graça. É fácil pra vcs saberem que não é uma propaganda, porque vcs me conhecem, então sabem que eu não faria uma propaganda escamoetada.
Na outra ponta da tabela, vai chegar uma hora (e me parece que já chegou) em que os pro vão usar um blog APENAS para se beneficiar com a grana. E como em tudo na vida capitalista, teremos os bons e os maus escritores, do mesmo modo que temos jornalistas marrons, dentistas carniceitos, publiciOtários (ok, é pleonasmo) e por ai vai...
Todo esse monte de blablabla para reafirmar minhas convicções em que eu, como publicitário, cada vez mais admiro os amadores. SEI diferenciar (na maioria das vezes), propaganda de opinião, faço isso o tempo todo e mesmo com minhas desconfianças, acho bom que gente como tu Doni, (e como o Ian, o Alê, etc) façam um troco honesto, sem misturar as bolas e descuidar da sagatiba - porque essa - eu to ligado!
;-)
Abraços
T§
Mas vc está imensamente certo: se não gostar verdadeiramente do que escreve, quem gostará?
Mas "ouvindo" As razões do IAN, não deixo de concordar com êle. Enfim, complexo não?
Abraço
R: Valter, na verdade as razões do texto e do comentário do Ian não são excludentes... Até resolvi fazer outro texto a respeito.
Não vejo nada demais em passar a receber uma remuneração por algo tão prazeroso quanto escrever é para vc, mas penso que a sua motivação é que não pode mudar, sob pena de seus escritos perderem o sentido e a qualidade (no sentido de característica) que encanta seus leitores.
Te compreendo perfeitamente, sou nada ambiciosa e sempre fui muito enrolada em matéria de finanças pessoais (embora preze meu estilo de vida). Mas o fato é que, ao fazermos as coisas sem um intuíto específico (no seu caso, financeiro), podemos muito bem sem querer acertar o alvo. E uma grana extra no final do mês não faz mal a ninguem, não é verdade?
Parabens por participar desseprojeto tão interessante. Tb sou leitora do Pensar Enlouquece, vcs estão entre os meus favoritos.
Aí, mesmo assim, tivemos coisas maravilhosas. E que continuam rendendo até hoje, no bolso da gravadora e na alegria de quem assobia aquelas canções.
Se por aqui vocês souberem aliar esse interesse comercial com textos deliciosos, por que não? O que não pode é virar é uma espécie de Polishop muito mal disfarçada. Portanto, continuem inteligentes, meus caros. Isso, vcs tem de sobra.
Por enquanto, é bacana imaginar que alguém por aqui poderá escrever um post pensando: "Ei, o que vai me pagar a cerveja do fim de semana?" Bom, não? Além disso, só o tempo vai dizer...
Beijos estratégicos...
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