Estupidez em detalhes
Roberto Carlos é mais um triste caso de ícone popular que envelheceu e tornou-se uma caricatura de si mesmo. Como bem disse o Biajoni outro dia, ele poderia ter morrido em 1985, pois sem dúvida não sentiríamos a menor falta de sua obra posterior a essa época. Não é raro eu dizer para alguns amigos mais novos que sou fã do Roberto e receber em troca caretas as mais diversas. A mesma geração que tem hoje seus 20 anos e lota os shows do Chico Buarque (muitas das ninfetas que eu conheço são loucas por ele) despreza Roberto Carlos com toda a força, e em parte eu os entendo.
Mas não se enganem. Roberto Carlos não é idolatrado pelos ridículos shows de fim de ano na Globo ou pelas canções religiosas de qualidade duvidosa de muitos dos seus discos nos últimos anos. Estamos falando aqui do maior nome da nossa música popular, a maior fábrica de sucessos da música brasileira e alguém que sem dúvida alguma merece ser chamado de Rei. Um homem que conseguiu, neste país de sociedade completamente estratificada, atingir todas as classes sociais com suas canções. Um homem que ainda hoje tem programas de rádio dedicados a ele por todo o interior. Que delícia que é viajar de carro pela Dutra em direção ao Rio e ouvir os programas com as músicas do Rei durante a noite!
Roberto era o homem capaz de mandar tudo para o inferno por amor em uma época na qual qualquer bobagem dita era motivo de escândalos. Um cara capaz de chamar a mulher amada de estúpida e confessar estar querendo a namorada do amigo. Sejamos sinceros, isso não é para qualquer um. O que faltava era algo, um fato qualquer que ajudasse a resgatar a dignidade do Rei. Uma obra que mostrasse aos jovens que detestam Roberto mas adoram o chato do Seu Jorge a verdadeira dimensão e alcance da sua obra, ao menos na fase que vai dos primeiros discos da Jovem Guarda até o fim dos anos 70. Se ficarmos só no disco de 1971 teremos Detalhes, De Tanto Amor (minha preferida) e Amada, Amante; verdadeiros clássicos da música romântica universal. Você acha essas músicas ruins? Nunca amou. Simples assim.
O tal resgate da história e da importância de Roberto Carlos se fez finalmente possível através do livro Roberto Carlos em detalhes (Editora Planeta, 2006), resultado de 15 anos de árduo, dedicado e minucioso trabalho do historiador Paulo César de Araújo. Já conhecido pelo excelente Eu não sou cachorro não: música popular cafona e ditadura militar (Record, 2002) e fã confesso do Rei desde a infância, Paulo César consegue mapear toda a trajetória de Roberto Carlos, desde 1950, quando ainda criança ele tornou-se cantor na rádio de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, até as recentes dificuldades vividas com a doença e morte de Maria Rita. O resultado de tantas pesquisas e entrevistas (cerca de duzentas, com pessoas que acompanharam de perto e tiveram participação chave na vida do Rei) são quase quinhentas páginas de documentação realmente detalhada, mas sempre cheia de respeito para com seu objeto de estudo.
Além de superar muito bem a dificuldade em equilibrar os papéis de fã e historiador, Paulo César nos brinda com muito mais do que a vida de Roberto Carlos. Em RC em detalhes estão os bastidores da Bossa Nova e do início do Rock no Brasil, do Tropicalismo e dos festivais da Rede Record. Emocionam, por exemplo, as histórias envolvendo Tim Maia e Antônio Marcos, além dos detalhes deliciosos sobre a gênese de diversas músicas.
Mas, como digo no início deste texto, o Rei não é mais aquele. Está enganado o homem que nem se deu ao trabalho de ler a obra de Paulo César de Araújo e reivindica um direito à privacidade descabido. Roberto Carlos só existe como ídolo e só conquistou tudo o que tem pelas mãos dos fãs. Fãs estes que receberam a obra de Paulo César de braços (e carteiras) abertos. Talvez, se pudesse ouvi-lo, eu até entenderia os motivos de Roberto Carlos (o que foi dito até agora não me convence). Acontece que não consigo deixar de achar que o Rei está fazendo uso deste absurdo sistema judiciário que temos (vide o caso recente da modelo que gosta de algas versus o YouTube) para proibir um livro que veio exatamente para o redimir diante dos antigos e dos novos fãs. Ganhei o livro de presente de aniversário (obrigado, Ina) e deixei de lado leituras valiosas para mim (Jung, Lacan e Skinner; eu estudo psicologia) para mergulhar na história de RC. Minha admiração pelo cantor e homem Roberto só aumentou com a leitura do livro, e sou ainda mais fã. Acho que por isso dói tanto... No momento, Roberto Carlos, tudo o que vejo é Sua Estupidez.
* Leia também o Idelber: A última asneira da justiça brasileira
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Vamos ver se dia 19/04 falamos sobre ele "outra vez".
1.Qual o problema de gostar de Chico Buarque?
2.Se é tão bom vir ao Rio pela Dutra, pq não vem então?!
PS- O sistema juridico de protecao as liberdades individais tupiniquins sao tao incoerentes com a vida em uma sociedade livre e sem violencia que permitem esses aburdos da epoca da sensazala.
Vim fazer uma visita ao teu espaço e encontrei tantas letras que fui obrigada a escolher um post para ler... acabei lendo o "musica para conquistar homem" e não me arrependo nadinha! Que post lindo! Muito bom escrito e cheio de sensibilidade... masculina! Adorei!
Mas sabe, andei pensando, não acharia ruim se os homens de Londrina fizessem essa pesquisa no google e descobrissem trechos de músicas bacanas para usar nas cantadas... poxa, será que eles realmente acham que as mulheres gostam de ser chamadas de "glamurosas, cachoras" e afins do funck? Quem sabe se ao invés disso eu ou visse pelo menos algo como "quero sua risada mais gostosa..." desse para pelo menos abrir o sorriso?
Ou será que terei de continuar a fazer cara feia e o funk será o principal responsavel pelas minhas primeiras rugas?
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vc escreve um texto sensibilissimo e eu deixo um comentário totalmente tosco. Descupe, mas estava precisando desabafar... rs
beijos
R: Luana, agora que você falou eu lembrei sim da cara que você fez naquele dia, mas ao escrever o texto lembrei de uma série de outros momentos do gênero! De qualquer forma, quantas boas música do Rei você citou, vou ouvir hehehe
AMEI esse post, sempre vejo as mesmas caretas quando digo que GOSTO de Roberto Carlos, mas o antigo Robertão, não esse de agora.
Bj
bão espero que o Paulo Cesar consiga passar por cima disto tudo, eu o conheci pessoalmente e ele é uma ótima pessoa.
e ó, seu HEDONISMOS tá show! ainda nao consegui ver tudo, mas tudo que vi eu AMEI! Parabéns e longa vida de sucesso para voce e seus companheiros de Interney!
Beijocas
Juju
Gosto muito pouco do Robersáurus Rex. Só do álbum "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", de 76 (acho) que é bacaníssimo. No mais, ele pode ir pra Las Vegas cantar em portañol que não estou nem ai.
Vou pedir pra Gabi mandar pro Tremendão um piratex do "The Dears" e uma caixinha de gardenal.
Abraços
T§
Agradecerei muito se for possível
A braços do,
Abelardo Oliveira
O autor está de parabéns pelas colocações.
Com certeza o Roberto Carlos não leu essa obra.
como compositor sim. mas isso é normal. todos os grandes foram assim. mcartney, chico, caetano... ng faz mais nada. a fonte seca.
concordo tb q a geracao de 20 e pcos anos só conhece o roberto dos anos 90, q é mto ruim e de mau gosto. depois de 84, roberto fez mto pca coisa boa, mas o negócio é q ele nao precisava fazer mais nada. sua obra, de 61 a 84 é a melhor de todos. roberto é rei!!!
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