Amamentação
Estive lendo o Plugbr agora, que aliás tem um post pelo lançamento do Interney Blogs, e percebi com prazer que o Silvano Vilela abre espaço no blog para discutir questões de saúde e que ainda convida outros blogueiros a participar. Eu que sou estudante de psicologia e alguém diretamente envolvido com a área da saúde resolvi criar aqui as categorias Saúde e Psicologia, porque para viver uma vida de prazeres é necessário também se cuidar, não é verdade? Para inaugurar tais categorias, reproduzo um texto meu do qual gosto muito:
Amamentação
- Gosta de peito, não é?
- Olha – balbuciei, minha língua acariciando um de seus mamilos – eu gosto de peitos desde a época que eu mamava. - trecho de Freudiano?, um texto escrito pelo Homem-Baile.
O trecho acima resume bem a relação da maioria dos homens (eu incluso) com os seios: um belo e interessante, mesmo que óbvio, fetiche. Uns gostam de bundas, outros de pernas, ombros, olhos ou mesmo pés. Eu gosto das mulheres completas (ainda bem), mas tenho um carinho especial pelos seios. Poderia escrever aqui um verdadeiro tratado sobre a volúpia do amor, sobre o calor e todo o aconchego que pode ser encontrado entre os seios de uma mulher, mas quando li a convocação da Denise para uma blogagem coletiva a respeito do tema amamentação vi uma oportunidade única de transcender o fetiche e tocar outros aspectos...
Não sei quantos são os homens que percebem isso, mas a beleza e a simbologia que envolvem a imagem dos seios desnudos de uma mulher estão muito além do puro desejo. Na teogonia presente na mitologia da nação Iorubá minha mãe Iemanjá é a rainha do mar e mãe de quase todos os Orixás que comandam o Universo. Não é por acaso que, como símbolo da maternidade e da fertilidade, ela seja representada com fartos e lindos seios nus. Assim como a deusa, quando uma mulher permite que seu seio toque a boca de uma criança ela a está presenteando com vida, proteção e amor. É um ato quase divino, mesmo que tão aparentemente simples e natural.
Mas na vida nem sempre há espaço para o simples. E seria ingênuo pensar que uma lactante deva obrigatoriamente estar preparada para o ato de amamentar. Ser mãe envolve uma série de conflitos e de questões que confrontam a mulher a cada segundo, talvez mesmo antes de saber-se grávida. Moro na periferia de uma grande cidade (São Paulo) e diariamente tomo contato com mulheres, muitas delas bastante jovens, grávidas e completamente perdidas e desinformadas. Como futuro profissional da área de saúde passei a ter um olhar mais atento para estas pessoas, e as encontrei inseguras, desorientadas em meio a mitos e crendices repetidos à exaustão pela família e pelos amigos, e sem qualquer orientação.
- “Eu me sinto fraca, então meu leite é fraco, não posso amamentar”.
- “Meus seios ficarão flácidos se eu der de mamar, não posso deixar acontecer”.
- “Minha mãe falou que já nos primeiros meses devo dar para o bebê uma mamadeira reforçada com fubá e muito cházinho”.
Bem, vamos a alguns fatos. Antes de mais nada, devemos informar as novas mamães (acho isso um dever de todos) que se elas têm leite, ele não será forte ou fraco, mas sim exatamente o que o bebê precisa. O líquido parece mesmo as vezes bem “ralo”, mas todos os nutrientes necessários para a criança em seus primeiros 6 meses de vida estão nele, ela não precisa de nenhum complemento alimentar. A partir de 6 meses e até pelo menos 2 anos é interessante, aí sim, que a criança possa ter outros alimentos, sempre com orientação médica. O ideal é que o seio esteja disponível ao bebê durante todo o dia, sempre que ele queira mamar, mas como a vida moderna não permite isso, a mãe deve tentar amamenta-lo ao menos 8 vezes a cada 24 horas. Outro ponto importante: os órgãos responsáveis pela defesa do organismo do bebê contra os agressores externos (bactérias e vírus) ainda não estão desenvolvidos no nascimento, e vão demorar para estar. Além disso, mesmo que estes órgãos pudessem funcionar “com força total”, o organismo não teria tempo suficiente para ter contato com os agressores e levantar suas barreiras, então é através do leite que a criança recebe suas primeiras e mais importantes “vacinas”. A mãe compartilha com o bebê os anticorpos que o organismo dela levou anos para produzir. Sendo assim, amamentar a criança é protege-la de possíveis infecções e de outras tantas doenças. A amamentação só é contra-indicada no caso de a mãe ser portadora de algumas doenças infecciosas, usuária de drogas (também as lícitas) ou estar tomando determinados remédios que um médico seguramente pode informar quais são.
Há uma outra questão importante, diretamente ligada à minha área de atuação: ao amamentar, a mãe cria com a criança um vínculo afetivo que vai nortear a relação dele com ela e dele com o mundo durante toda a vida. Ser amamentado, ter esse contato físico e amoroso tão importante nos primeiros meses de vida é um primeiro passo para futuros relacionamentos afetivos saudáveis. Apenas quem aprende a receber amor e proteção desde muito cedo saberá amar e proteger quando adulto.
São inúmeras também as vantagens da amamentação para a saúde física e mental da mulher (um assunto muito pouco comentado). Amamentar ajuda a estabilizar o sistema hormonal da mulher; evita o risco da tão perigosa hemorragia pós-parto e pesquisas indicam que mulheres que amamentam têm reduzidos os riscos de doenças como câncer de mama e do ovário. Além disso, a amamentação também pode cooperar para uma mais rápida normalização do peso da mulher. Por último, existe também o ganho psicológico de uma mãe antes insegura sentir-se agora capaz de prover proteção, amor e sustento para um novo ser.*
*Este artigo foi originalmente publicado como parte da blogagem coletiva referente à Semana Mundial da Amamentação (de 01 a 07 de agosto de 2006), por iniciativa do blog Síndrome de Estocolmo. Leia também os artigos dos outros participantes
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Sexta Sub: mama, mamífero!
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Só você mesmo =)
Beijinhos
E enquanto lia fui pensando em várias outras coisas (teu texto abriu várias brechas para pensar mais e mais sobre o assunto) e cheguei a conclusão de que este é um tema para um livro inteiro...
beijos
(não ficam mesmo, cê jura, né?)
Só tenho uma coisinha a dizer, respondendo o que o Trotta perguntou: os seios ficam flácidos sim, principalmente quando a gente fica estourando de leite. Mas plástica tá aí pra corrigir essas coisas, né? Hehehehehe...
Ah!!! E o link do meu texto sobre amamentação é esse aqui, ó:
http://loucaporblog.wordpress.com/2007/08/04/semana-mundial-da-amamentacao/
Beijos!!!!
Ps - Adorei o domingo!
Pois bem, parir e amamentar foram as duas melhores coisas que já fiz na vida. As duas únicas coisas realmente boas, atrevo-me a dizer. E as duas coisas que me transformaram muito e definitivamente. Pela primeira vez na vida senti-me segura o suficiente para falar "cara, eu sou foooooooda"!! Meu guri mamou até dois anos, foram tempos enlouquecedores para mim, mas eu faria tudo de novo.
Qto aos seios flácidos... olha, comigo aconteceu, minhas peitolas já não eram lá essas coisas, agora, então, estão murchas e caídas. Embora eu me sinta decepcionada por isso (uma simples blusa decotada não vai me garantir sexo casual do bom, q pena!), encaro como mais uma faceta do meu amadurecimento. Petchos caídos, sim, mas que já nutriram um menino lindo e saudável. Recomendo o blog Matrice (http://matrice.wordpress.com/)
Bjim!
R: Taí um depoimento sensacional! E linda a maneira como você encara a mudança física! Feliz 2009 pra ti!
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