Ainda vou transar com você
Nestes últimos dias a minha melhor amiga é a insônia, e em períodos assim torno-me um cara bastante nostálgico. Na verdade não sei se estou insone por estar nostálgico ou o contrário, mas não vem ao caso. O fato é que noites em claro nos fazem pensar em uma série de coisas, e quando pensamos em uma série de coisas não dormimos.
Hoje resolvi enfrentar essa introspecção toda com um tratamento de choque que sempre dá certo. Peguei meus velhos discos dos Mutantes do armário, quer dizer, da pasta /home do meu disco rígido e os coloquei pra tocar em minha vitrola, ou seja, no Amarok. Funcionou no início, a primeira música foi “Minha menina”, e eu nunca resisto a ela: danço, canto, dou cambalhotas e piruetas pela sala (a empregada fica bastante assustada, mas um dia ainda vou tirar ela pra dançar também). Depois veio “Ainda vou transar com você” e a nostalgia voltou, e lembrei que havia começado um artigo baseado nela dias atrás. Lá vai:
Eu sei que eu não faço nada
Mas eu gosto, gosto muito de você, de você, de você...
de vocêeee
Já faz muito tempo. Ainda existiam coisas como o Nirvana e o movimento grunge e eu gostava do Batman e de basquete. E eu também gostava muito de você, a mocinha do colégio, de frases inteligentes e tiradas rápidas, de sorriso largo e corpo curvilíneo. O seu nome não importa agora.
Eu sei que eu não vou à escola
Mais eu gosto, gosto muito de você, de você, de você...
de vocêeeee
Éramos parceiros de risadas, de olhares, de abraços... Cúmplices. Eu não fazia nada mesmo além de passar as tardes nas quadras ou com um violão na mão, mas passava este tempo também pensando em você.
Você não acredita
em nada dessa história
de eu tocar com você, com você, com
você...
com você...
Você tinha namorado e não me levava muito a sério. Não acreditava em nada dessa história. Mas havia algo, não havia? “Não insiste, você é especial demais e eu posso não resistir”.
Alimente essa que eu ainda
Vou transar com você, com você...
com vocêeee
Naquele dia eu voltei para casa pensando na música e pensando que você seria minha.”Há, eu ainda vou transar com você, e ainda seremos namorados!”
Andam dizendo que a vida não está com nada
Eu acho
que não
E digo tá, tá, tá de todo o meu coração:
Legal
Mesmo sendo tímido demais e não tendo coragem de me declarar eu fiquei eufórico e tão seguro de mim... Acho que naquela semana joguei como nunca, fiz provas perfeitas e não parava de sorrir e cantar. Lembra de quando eu cantava pra você? Estava tão confiante que cantei esta mesma música, te olhando nos olhos. Você sorriu tímida e me pediu para parar, e eu tive que de alguma forma controlar meus hormônios e minha paixão adolescente.
Venham vós ao nosso reino aqui no Brasil
Rock’n’roll, paz e amor aqui no Brasil
E talvez o fim de
semana não tenha mais fim
E talvez a nossa música não tenha
mais fim
E talvez a nossa vida não tenha mais fim
O futuro era todo nosso, não era? Nossa semana não teria mais fim, e nem a nossa vida. E eu ainda iria transar com você! Mas o tempo passou e a escola ficou lá, e nos afastamos. Você casou, sei que tem muitos filhos, e eu andei perdido pela vida. O “Rock'n'roll, paz e amor” revelou-se uma bela de uma utopia, um sonho do qual já acordamos faz tempo, em algum momento pouco depois dos vinte anos. Faz parte.
Mas se quer saber, está escrito em algum lugar, nas leis do Universo (tem que estar), que o apaixonado pode e deve se alimentar de utopias e de sonhos. É o bom da vida: cada vez que nos apaixonamos ouvimos a “música” acreditando que ela não terá mais fim, e não tem mesmo. A ouvimos repetidas vezes ao longo dos anos, nem que seja para sentir saudade.
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Mas e aí, depois disso, vc dormiu?
Gostei muito do seu texto é realmente muito nostalgico e muito gostoso lembrar da adolescencia tão comum em todos e tão única e especial...
Um forte abraço
R: muito obrigado!
Acho que disse que iria me abster de controvérsias. O jogo terminou, os Lakers venceram mas tirando o Derek Fisher, meu ídalo(sic), o resto é o resto.
Palpite para o jogo do bicho de amanhã: 24, o número da camiseta delezinho, Kobe Bryant.
R: Paul Pierce está fazendo história. Boston Campeão amanhã.
R: tenho sim!
Esse trecho me lembrou uma crônica que escrevi, onde falei de "Antiguidades versus modernidades"
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