Vímana?!
Nesta semana que passou alguns nomes do nosso "pop farofa" nacional ressuscitaram. Primeiro, Léo Jaime fez shows ao lado de Ian McCulloch em São Paulo (ver este post). Depois, Lulu Santos apresentou-se em um novo (e totalmente original) "ao vivo MTV". Espero que todos vejam que estou sendo irônico ao dizer que este show foi novo e original. Primeiro porque a MTV, apesar de ser muito legal em alguns momentos, não faz nada assim com estes "ao vivo" e "acústicos"... Aliás estou começando uma campanha aqui para que eles parem por favor de lançar essas porcarias todas. Segundo porque Lulu Santos também não é capaz de (ou não quer) fazer algo novo e original.
Agora, alguém acredita que este e outros grandes nomes da música "farofa" brasileira já formaram juntos uma banda de "Hard Progressivo" que tocou, entre outros, com Patrick Moraz (Yes, Moody Blues)? Pois é, lá na segunda metade dos anos 70 havia uma banda chamada Vímana, formada por Lulu Santos (guitarras), Lobão (bateria), Ritchie (sim, o "menina veneno" Ritchie - vocais e flauta), Fernando Gama (guitarras, também participou do Boca Livre) e Luiz Paulo (teclados). Lulu Santos praticamente nega a participação dele no Vímana, e se eu tivesse fotos como aquelas da época da banda também negaria até a morte. Lobão (que eu respeito muito) tinha apenas 17 anos na época e diverte-se com as lembranças... A inspiração da banda era o Rock Progressivo inglês e estadunidense, com elementos de música brasileira. O único registro da banda que chegou a ser lançado foi o single que tem a capa aí em cima (Vímana, Som Livre, 1977), com as músicas Zebra e Masquerade. Com sorte você pode encontrar estas músicas em formato MP3 usando os programas de p2p. Havia material para lançar um disco completo, todo gravado em 24 canais (primeira vez no Brasil), mas divergências entre Lulu Santos e o tecladista Patrick Moraz (que segundo a lenda havia acabado de entrar na banda para começar um projeto que competiria com sua ex-banda, o Yes) acabaram por terminar com o Vímana antes do lançamento deste. Uma curiosidade é este texto sobre um show da banda, na época:
MARCANDO PRESENÇA
Vímana
Teatro Tereza Raquel/Rio
14 a 17/10
O Vímana é um grupo que não tem feito muitas apresentações, mas tem marcado sua presença, tendo participado da "Abertura da Temporada de Verão" em 1974, com o Terço e Mutantes, e também do Hollywood Rock e Banana Progressiva. É um grupo estável, não tendo, nesses anos todos, alterado muito seus instrumentistas.
Atualmente, sua formação esta assim: Luiz Paulo, teclados; Lulu, Guitarra; Fernando Gama, baixo e Lobão; Bateria. Sua linha de trabalho é orientada para o som progressivo, com acentuadas inclinações para o "funky" e para o manancial da musica brasileira. Chorinhos já são ouvidos nos palcos do rock brasileiro.
O Vímana já gravou um elêpe, em regime de autoprodução, no Estúdio Level no Rio, tendo uma fita pronta para ser negociada. As gravadoras assustam-se um pouco com esse tipo de negócio, mas é a forma que foi descoberta para vencer as barreiras das salas de espera. Com a fita pronta, meio caminho já esta andado.
Luiz Paulo é, sem duvida, um dos melhores tecladistas eletrônicos que temos. Seu equipamento é complexo e muito bem usado. Foi um dos pioneiros do sintetizador no Brasil. Usa um piano acústico com captador Hellpinsteel, um Fender Rhodes 88, órgão Hammond L-102, Sintetizador Mini-Moog e Max-Korg, Clavinet Hohner D6 e uma mesa Peavey de 8 entradas, onde combina todos os teclados e manda para um amp Sunn de 120W.
O Guitarrista Lulu é um musico de estúdio, muito versátil, e com ótimo desempenho no palco. Esta usando uma Stratocaster Fender, Uma Rickenbacker 366 de 12 cordas, uma pedaleira e um amp Twin Reverb Fender.
Na Bateria Tama Imperial, um modelo semelhante à Octaplus Ludwig, com 8 peles afinadas, senta-se Lobão, um garoto de 18 anos, que estudou seis de violão clássico, mas optou pela vibração e o balanço da bateria.
Richard Court, o Ritchie, é um inglês que esta a quatro anos no Brasil. Ainda não tem a pronuncia de "native speaker", o sotaque carioca, mas isso não chega a preocupar na sua "mise-en-scene": Ritchie é certamente um dos mais expressivos cantores em potencial.
(AUTOR: Paulo de Castro).
Se a música do Vímana tem qualidade ou não é com vocês (eu mesmo ainda estou formando uma opinião). Mas é interessante ver como essas carreiras começam e que caminho elas podem acabar tomando... Legal ver também a "crítica" do Paulo de Castro. Como naquela época parecia ser importante falar dos instrumentos que os caras estão usando (ao menos para ele) e como é bizarra a classificação que ele deu ao Ritchie: "um dos mais expressivos cantores em potencial". A história do nosso pop rock é no mínimo divertida...
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/18046 Posts similares:
Resposta ao Marco Lima (Vímana again)
Lobão Acústico
Indies: Lunar 4 / Manacá / Oaeoz
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
Deixe seu comentário:












