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Thirteen

Valquíria, Andréia, Ana, Bárbara, Lia, Samira... Todas meninas perfumadas, de olhos brilhantes, que fizeram meu coração bater mais forte antes dos 15 anos. Mas o primeiro contato real, ainda que tímido, foi com a Luciana. Naquela pequena sala de aula as cadeiras e mesas foram afastadas pela professora para dar lugar a um baile em que as crianças vestiam roupas de domingo (ela estava de vestido vermelho) e dançavam ao som de baladas "lentas" dos anos 70. Eu disse que não sabia dançar, e estava morrendo de medo de pisar nos pés dela, mas a resposta foi a prova de que as mulheres desde cedo já sabem lidar com determinadas situações: "relaxa, é só colocar as mãos na minha cintura, se aproximar e ouvir a música". Foi o momento mais feliz da minha vida até então, e passei uma semana inteira apaixonado por ela.

A paixão foi embora, mas continuei ouvindo a música, que com o tempo deixou de ser "lenta". Uns anos depois do primeiro baile eu continuava não sabendo como me comportar perto dessas mocinhas que mexiam tanto comigo e ficava horas trancado no quarto ouvindo Paint It Black; sonhando chegar na escola no dia seguinte e encontrar um sorriso no rosto da escolhida da vez. Imaginava situações em que eu vencia os valentões e conquistava o coração da menina que então toparia voltar para casa segurando minha mão, ou me deixando levar o material para ela. Eu a faria rir com minhas piadas inteligentes e falaríamos de música também. Eu apresentaria a ela os Rolling Stones, o Led Zeppelin e Os Mutantes, e naturalmente viveríamos o grande amor de nossas vidas.

O grande amor não veio, não assim e não naquela época, mas as músicas continuaram fazendo parte da história. Uma delas é Thirteen, do Big Star. O sucesso mais emblemático da banda precursora do power pop é considerado pela revista Rolling Stone "uma das mais belas celebrações da adolescência na história do Rock", e é verdade. O ano era 1972, e Alex Chilton, na época com 20 anos, ao contar a singela história de um jovem casal apaixonado que discutia Paint It Black enquanto voltava da escola, escreveu uma das canções definitivas sobre o amor, sobre um tipo de amor que talvez nem exista fora do cinema ou de nossas lembranças idealizadas. Não se deixe enganar pela simplicidade da letra e do arranjo composto em menos de 20 minutos. Thirteen está carregada de uma nostalgia triste que é alimentada por nossos sonhos, pela nossa busca eterna por amores simples e impossíveis. Toda canção deveria ser assim.

Big Star - Thirteen

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Permalink28.01.10, 18:33:59, by Doni Email , Egotrip, Música , 3 comentários

Até Que Meus Olhos Te Escutem

Data: 27/11/2009
Local: Livraria da Vila - Lorena: Alameda Lorena, 1731 - Piso Superior
Horário: 19h00 às 22h00
Sarau: 20h00, com interpretações dos contos por Deborah Graça e Rosana Ray
Estacionamento na porta da Livraria.

Vamos?

Permalink24.11.09, 18:33:12, by Doni Email , Livros , Deixe seu comentário

O Par Perfeito

Leia qualquer revista feminina e você verá a mesma queixa várias e várias vezes: os homens - esses garotinhos com dez ou vinte ou trinta anos a mais - são um caso perdido na cama. Não estão interessados nas "preliminares"; não têm nenhum desejo de estimular as zonas erógenas do sexo oposto; são egoístas, ávidos, desajeitados, sem sofisticação. Essas queixas, você não pode deixar de perceber, são algo irônicas. Naquela época, tudo que nós queríamos eram as preliminares, e as garotas não estavam interessadas. Elas não queriam ser tocadas, acariciadas, estimuladas, excitadas: na verdade, costumavam nos bater se tentássemos fazer isso. Não é na realidade muito surpreendente, então, que não sejamos muito bons na coisa. Passamos dois ou três anos longos e importantes da nossa formação ouvindo dizer, com bastante ênfase, para nem pensarmos nisso. Entre as idades de catorze a vinte e quatro, as preliminares deixam de ser algo que os garotos querem e as garotas não, e passam a ser algo que as mulheres querem, mas para o qual os homens não têm tempo. (Ou pelo menos é o que eles dizem. No meu caso, eu gosto das preliminares - principalmente porque as ocasiões em que tudo que eu queria era tocar estão alarmantemente frescas na minha mente.) O par perfeito, na minha opinião, é aquele formado pela leitora de revistas femininas e um garoto de catorze anos.

- "Rob Fleming", Alta Fidelidade.

Permalink29.10.09, 13:30:12, by Doni Email , Comportamento, Livros , 6 comentários

10 (ou mais) músicas que me fizeram ser.

Este pequeno romance que escrevemos todos os dias e chamamos de vida sempre tem uma trilha sonora. Mas, mais do que "acompanhar a ação", as músicas podem ser as grandes responsáveis por determinados turning points que, no fim das contas, nos fazem ser quem nós somos. Sim, eu acredito que a música tem todo esse poder.

Abaixo, uma lista de "músicas que moldaram minha personalidade", que postei no meu twitter nesta madrugada. Resolvi copiar e colar a lista aqui (os links levam para os vídeos das músicas):

10 - John Lennon: Watching The Wheels [adolescente tímido compra 1º disco com seu 1° dinheiro] http://bit.ly/3EI4Jq

09 - Os Mutantes: Ainda vou transar com você [era apaixonado por ela no colegial, mas continuei virgem] http://bit.ly/3FN8hV

08 - Black Sabbath: The Wizard [ganhou a primeira guitarra e tocava alto pra irritar os evangélicos da rua] http://bit.ly/y3E2x

07 - Sonic Youth: The Diamond Sea [o primeiro pé na bunda, daqueles de fazer morrer um pouco] http://bit.ly/10jQqG

06 - Bauhaus: Ziggy Stardust [de gritar com a cabeça pra fora do carro, chorando] http://bit.ly/4bMC5T

05 - Portishead: Sour Times [dias de verão com o inverno n'alma] http://bit.ly/1toQ2D

04 - At The Drive In: One Armed Scissor [a trilha sonora de um grupo de amigos, e eu queria esse cabelo] http://bit.ly/2E0pJc

03 - Neil Young: Like A Hurricane [o maior delírio apaixonado da história da música. Só.] http://bit.ly/12QWtZ

02 - Pixies: Debaser [a primeira vez que minha cabeça explodiu de verdade] http://bit.ly/2dPNux

01 - The Rokes: Piangi Con Me [ Rock Italiano dos 60's, tocou em casa durante toda minha infância] http://bit.ly/1wL3wi

00 - Jane's Addiction: Mountain Song [eu não existiria sem esse vídeo. E sim, 11 músicas] http://bit.ly/4dFJNT

Permalink23.10.09, 22:00:53, by Doni Email , Egotrip, Música , 4 comentários

vale-tudo

Já perceberam que os melhores blogs são sempre os mesmos?

O vale-tudo está para o boxe assim como a dança da galinha está para o balé, como o Bonde do Tigrão está para Mozart — ou como a vulgaridade da Mulher Melancia está para a elegância de Márcia Haydée. Um arremedo de dança do acasalamento homossexual, o vale-tudo é o retrato de uma época em que o que importa é sempre, e apenas, o resultado. Não importa que para isso seja necessário dar uma cotovelada no rosto do oponente ou uma joelhada em seu estômago. Se o boxe tem a beleza estética que decorre da sistematização e da limitação das possibilidades da agressão, o vale-tudo é apenas violência rasteira. E feia. E completamente homossexual.

Badminton e peteca são esportes mais masculinos que esse vale-tudo. Até patinação no gelo é mais masculino, porque eventualmente o patinador com seus paetês e suas calças justas vai sentar a moça em seus ombros, os dois frente a frente, e vai lembrar a todos uma das melhores razões pelas quais é bom ser homem. Enquanto isso lutadores de vale-tudo fazem meia-noves intermináveis com a voracidade de um amor vespertino e urgente, cabeças enfiadas com sofreguidão nas virilhas dos seus parceiros, e na falta de outros fluidos se contentam com a urina em seus calções.

Vale-tudo é um sujeito dizendo para o outro “vem e me domina, meu homem”. Por baixo, o sujeito aperta com as pernas os quadris do seu amor com força, chama-o para si, e os abraços são fortes e esganados e desesperados, “diz que eu sou teu”. Não é à toa que um dos movimentos ali se chama submissão. É um sujeito meio depravado dizendo para o seu objeto de desejo “vem, cachorro, eu sou o teu senhor, faz a minha vontade”, variação sado-masoquista de uma relação de domínio. Vale-tudo é sexo selvagem, sem limites, em que o cheiro do sangue se torna o maior afrodisíaco imaginável. É por nunca ter conseguido enxergar o vale-tudo de outra forma que durante muito tempo brinquei com a idéia de fazer um curta-metragem sobre essa coisa bizarra a que chamam “esporte”, mostrando as cenas desses lutadores atracados em suas lides de amor enquanto, em BG, ouviríamos Serge Gainsbourg e Jane Birkin cantando Je t’Aime (Moi Non Plus). Mas uma moça já fez esse filme.

- Leia Rafael Galvão em Sobre o Boxe

Permalink17.10.09, 02:40:20, by Doni Email , Blogosfera, Esportes , 3 comentários

Paris 2004

I'm all about you, you're all about me,
We're all about each other.
*

A busca por um grande amor nunca me pareceu tarefa das mais difíceis. Em minhas fantasias (que sempre tiveram status de verdade, é claro), era só questão de achar uma garota que preenchesse alguns poucos requisitos: falar Francês, amar Frank Sinatra, tocar baixo e ser ruiva, com sardas. Essa Mulher Nota 1000 seria a "mulher da minha vida", sem dúvida alguma.

Mas aí apareceu você. Uma ferrenha odiadora do idioma do Tin Tin, fã do Genesis que detesta o velho Sinatra e que morre de rir do quanto eu me emociono com "a voz". Pior, sua pele sem sardas e seus fartos cabelos negros (não adianta dizer que são castanho escuros) não poderiam te deixar mais distante da ruiva de meus sonhos, e você não toca nem triângulo. Acontece.

Mesmo assim, você me conquistou já no primeiro sorriso que deu ao sentar-se à mesa, naquele restaurante. Almoço corrido em dia útil, que nem era um "encontro" propriamente dito. Dois amigos que se reencontravam apenas, e eu contei cada segundo até que pudesse te ver novamente. Nada mais chavão que falar do brilho de seus olhos escuros e do seu sorriso metálico, eu sei, mas um apaixonado deve ter garantido o seu direito de ser previsível e um tanto bobo.

De qualquer forma, eu ainda não tinha ideia, naquele momento, do tamanho da história de amor que estávamos começando. Arrisco dizer que só contigo entendi o que significa de verdade essa coisa de "amar alguém". E, de repente, tudo era com você e sobre você, mesmo quando estava longe. A mulher idealizada da fantasia deu lugar a um sentimento real com cheiro, gosto, sabor e calor. Ninguém no mundo sabe ouvir um disco dos Cardigans como nós dois, sem falar no Super Furry Animals que embalou nossa conversa alegre na cama, depois da primeira noite juntos. E foram tantas outras noites inesquecíveis...

Você me ajudou a ser um homem um tanto melhor, ainda que tão imperfeito. Foi meu incentivo maior quando busquei a Psicologia, e eu não poderia estar mais feliz com esta escolha. Serei eternamente grato a você por isso e pelos telefonemas que duravam horas; pelos olhares sempre tão carregados de orgulho; pelas risadas que só você dava ao ouvir minhas piadas infames; pelas novas bandas compartilhadas; pelos pratos deliciosos que fez para mim e por não ter demonstrado notar o quanto eu estava atrapalhado e nervoso quando fui cozinhar para você. Sou grato pelo dia em que foi me buscar na sala, enrolada no cobertor, naquela noite em que eu não queria sair da janela, preocupado que estava com nosso futuro, e também pelo livro da Clarice Lispector que, eu juro, logo vou ler. Sinto falta de cada momento em que segurou minha mão com força. Sinto falta até dos tapas que você dava nela quando eu colocava a mão na sua bunda, em lugares públicos. É que eu nunca fui muito de resistir a você, me perdoe.

Para você eu escrevi alguns de meus melhores textos, mesmo que você não saiba. Até um livro eu escrevi inspirado por você... Num mundo ideal, já teríamos hoje nossa casa com varanda e quintal, onde você vestiria sua lindíssima saia preta, rodada, e dançaríamos juntos, ao som de Brenda Lee, todos os dias. Nossa geladeira seria naquele estilo anos 50, do jeito que você gosta, e eu aprenderia a apenas comer coisas saudáveis, para que você não brigasse comigo.

Mas, sabe-se lá o motivo, alguns grandes amores não foram feitos para durar, ou pelo menos não são garantia de que os casais ficarão juntos. Diferentemente do que nos fazem acreditar, encontrar um amor recíproco não é certeza de felicidade, não é certeza de que tudo dará certo. Poderia escrever mais alguns parágrafos teorizando a respeito, mas não quero. Basta aceitarmos que a vida as vezes afasta pessoas que se amam...

Você disse que "acabou e nem percebemos". Sei do quanto não gosta da França, mas sou obrigado a responder que nunca terá acabado, já que sempre teremos Paris.

* Paris 2004 - Peter, Bjorn And John

Permalink22.09.09, 17:55:29, by Doni Email , Egotrip, Relacionamentos , 10 comentários

Minhas 10 músicas preferidas

Long Road

Na verdade, as dez músicas mais ouvidas por mim desde abril de 2005, segundo meu perfil no last.fm. Mesmo assim, posso dizer também que são as minhas favoritas dos últimos tempos. Cada uma dessas canções está relacionada a pessoas, lugares e sentimentos. Todas estão impregnadas de amor, paixões, angústias, saudade, amizade e solidão também. Espero que gostem:

Leitores do feed: é necessário acessar o post original para visualizar o player

10. "Rain", por The Clientele, no disco Suburban Light
09. "Sky Blue Sky", por Wilco, no disco Sky Blue Sky
08. "Sentimental Journey", por Doris Day, no disco 16 Most Requested Songs
07. "Canção Postal", por Lô Borges, no disco Lô Borges
06. "Kayleigh", por Marillion, no disco Misplaced Childhood
05. "Music When The Lights Go Out", por The Libertines, no disco The Libertines
04. "Our House", por Crosby, Stills, Nash & Young, no disco Déjà Vu
03. "Late At Night", por Buffalo Tom, no disco Big Red Letter Day
02. "Fourth Of July", por Galaxie 500, no disco This Is Our Music
01. "Carla", por The Very Sexuals, no disco Carla

Outras opções:

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Permalink30.07.09, 11:40:04, by Doni Email , Egotrip, Música , 5 comentários

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