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As The World Falls Down

Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth, EUA/Inglaterra, 1986) não é um grande filme. A jornada de uma adolescente para salvar seu irmão de virar um Goblin, num "mundo mágico" repleto de efeitos risíveis e que lembra vagamente Alice no País das Maravilhas, hoje não levaria ninguém ao cinema (não que as produções atuais sejam muito melhores).

Mas é um filme dos anos 80, o que faz com que nossa nostalgia perdoe boa parte de suas falhas. Não importa o David Bowie over e meio canastrão ou as fantasias ridículas quando o que está em jogo são nossas recordações de infância, não é?

Eu também era um garoto nos anos 80, mas não sei dizer se o que me arrepia ao pensar neste filme são "boas recordações de infância". Havia duas pérolas aí. Em primeiro lugar, a protagonista é a Jennifer Connelly com 16 anos! Imaginem, por um momento, o que significava a Jennifer Connely, aos 16 anos, para um reservatório de hormônios...

Bem, a outra pérola é a canção As The World Falls Down, que virou um grande vício meu. Não sei se era minha sensibilidade adolescente ao apelo pop (essa música tocava o dia inteiro em todas as rádios que eu ouvia) ou o fato dela combinar perfeitamente com meus invernos amorosos desde então. Porque eu a acho extremamente triste, e era minha trilha sonora para tardes angustiadas pensando na minha "menininha ruiva" da vez.

O tempo passou, Jennifer Connelly se transformou na minha grande musa da década seguinte e o David Bowie virou um dos meus profetas musicais, mas minha relação com essa música continua a mesma. "Existem promessas de amor, não pode ser tão triste", alguém pode dizer. É verdade, "I'll place the sky within your eyes", "I'll place the moon within your heart" e "I'll be there for you" são belas promessas de amor. Mas dúbias como the Goblin King, o personagem de Bowie no filme. E aí está o sensacional desta canção, o que me faz ouvi-la com um aperto no peito.

O amor é dúbio. Parece mesmo ser essa tábua de salvação à qual nos apegamos quando o mundo está desabando, não? Perde-se o chão (ou você descobre que ele já não existia), mas você pensa que tudo bem, afinal "tem aquela pessoa que vai estar ali para você". O problema é que normalmente essas promessas são apenas isso, promessas, e apaixonar-se não parece fazer nenhum sentido. Assim como também não faz sentido que a gente continue se apaixonando, fazendo algo tão perigoso e que acaba de maneira triste, na maioria das vezes. Fico pensando que talvez a graça seja essa. Num mundo de incertezas, existe outro caminho possível, além de mergulhar de cabeça no que não faz nenhum sentido?

Vídeo com letra de música no blogue é coisa de 2005, eu sei. Mas como ser um tanto ultrapassado é parte do meu estilo, lá vai:

David Bowie - As The World Falls Down

Veja a letra de As The World Falls Down.

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Permalink08.07.09, 05:24:24, by Doni Email , Música , 2 comentários

Firefox 3.5

Mozilla Firefox 3.5

Saiu há pouco o Mozilla Firefox 3.5. Você pode clicar aqui para baixar ou, se já for usuário do navegador, clicar em Ajuda/Verificar atualizações para a atualização automática. Abaixo, um vídeo mostrando as novidades:

What's new in Firefox 3.5? [em inglês]

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Permalink30.06.09, 14:14:47, by Doni Email , Tecnologia , Deixe seu comentário

Isobel Powell

Quero que ouçam com atenção a canção abaixo, em especial a partir de 1 minuto e 29 segundos:

Baden Powell - Canto de Xangô

"Canto de Xangô" é parceria de Baden Powell com Vinícius de Moraes, e está no disco Os Afro-Sambas (1966) que tem também uma versão que Baden fez em 1990, ao vivo em Paris, se não me engano.

Agora, ouçam "October's Sky", quarta faixa do disco Amorino (2003), de Isobel Campbell:


Isobel Campbell - October's Sky

É mesmo IGUAL ou estou ficando louco? :D

Update: Seguindo uma sugestão do Fábio Shiraga, resolvi sobrepor as duas faixas. O resultado:


Isobel Campbell & Baden Powell - Outubro de Xangô

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Permalink22.06.09, 03:16:56, by Doni Email , Música , 2 comentários

Muricy Ramalho deixará saudade

Muricy Ramalho Desde ontem, Muricy Ramalho não é mais o técnico do São Paulo, e sinto-me triste, quase como que vivendo o luto pela partida de uma pessoa realmente próxima. E talvez isso não seja mesmo um exagero meu, afinal este senhor é parte da minha vida desde muito antes de dar ao glorioso São Paulo F.C. o Tri-Hexa Campeonato Brasileiro. Também não o conheci apenas em 1994, quando nos deu o título da Copa Conmebol, ainda como técnico interino e com um time de revelações capaz de resultados surpreendentes.

Na verdade, Muricy é um dos heróis fantásticos da Mitologia que embalou meus sonhos de infância, junto de Batman e de Superman; e também de Valdir Peres, Nelsinho, Paranhos, Arlindo e Gilberto Sorriso; Chicão (o Deus da Raça), Pedro Rocha (o 10 da Celeste Olímpica), Terto, Serginho e Zé Carlos. Ele era o meia-direita deste time que foi Campeão Paulista de 1975 e que fazia brilhar os olhos de meu pai, um homem que me ensinou o que é saudosismo e que se referia a estes heróis como quem fala de entidades místicas, maiores que a história, maiores que o tempo e que a própria vida.

E meu pai tinha um carinho especial por Muricy. Cresci ouvindo histórias sobre sua habilidade e velocidade, sobre a objetividade com que ia em direção ao gol sem pensar em quem estaria pela frente, sobre a força de seu chute e sua vontade de vencer. Bom humor não era mesmo uma característica sua, e naquela época era já um personagem folclórico. Grande aposta da imprensa paulista, teve a carreira bastante abreviada por problemas físicos e tornou-se técnico, menos de 10 anos após abandonar os campos, sendo auxiliar de Telê Santana.

Mas não é apenas por tê-lo como alguém tão próximo que sentirei falta de Muricy Ramalho. Na verdade, ele deixará saudades em todos os torcedores do São Paulo F.C. por uma série de outros motivos. Muricy, a despeito de todos os seus erros e acertos, é legítimo representante de uma estirpe quase extinta, de um tipo que quase não existe mais no futebol brasileiro: Muricy é um legítimo Boleiro. É claro que não estou falando do que hoje a imprensa costuma chamar de boleiro. Muricy está longe deste tipinho egocêntrico que ganha mais dinheiro do que é capaz de assimilar e que, só por jogar futebol, se utiliza de linguajar e comportamento próprios, pretensamente despojados, mas cuidadosamente construídos por assessores de imprensa.

Falo aqui de alguém que tem o futebol em seu sangue, que ama seu clube apaixonadamente e que tem neste esporte não só um instrumento de trabalho, mas a própria razão de viver. Muricy é um homem simples, gente como a gente, para quem viver é como correr atrás da bola neste grande gramado, fugindo de volantes brucutus e de juízes mal-intencionados, e acima de tudo um vencedor. E nem é por ser um vencedor que ele deveria continuar no São Paulo; e também não é por amar o Tricolor desde sempre.

O fato é que, enquanto Boleiro, Muricy era um dos únicos elos a garantir a ligação deste clube de glórias que fazia brilhar os olhos de meu pai com este outro, atual, que confunde modernidade e eficiência com uma irritante falta de punch que mascara os mesmos vícios de sempre, presentes em todas as diretorias do futebol nacional. É como se o São Paulo tivesse acreditado na história de que é o legítimo representante desta classe média tão paulistana e tão sem sal, e ficasse montado neste marketing que pode sim gerar orgulho em alguns, mas que aos poucos vai matando a paixão dos que são homens do povo, como Muricy é. Quando fala que "isso aqui é trabalho, meu" com seu sotaque, Muricy nos mostra que é como o torcedor do São Paulo de uma cidade feita de bairros e de gente que quase não existe mais. Esse é o jeito de falar das ruas onde crianças jogavam com bola de meia, é o sotaque carregado que faz os Cariocas rirem da gente mas que faz tão bem ouvir.

Exagero talvez, eu sei, mas vejo a demissão do Muricy da mesma maneira com que encaro antigas moradias de imigrantes dos bairros tradicionais dando lugar a prédios de horrível arquitetura neoclássica onde vão morar pessoas que devem ser tanto menos autênticas quanto forem "importantes". E é esta autenticidade que o São Paulo F.C. está perdendo agora, em nome dessa falta de paixão, dessa aparência sempre tão padronizada e engomadinha que se pretende moderna. Interessante que alguém com o perfil de Ricardo Gomes, vindo diretamente da França, tenha sido contratado, não? A tal República do Morumbi, tão PSDB, deve estar feliz da vida. Mas o verdadeiro são-paulino só pode lamentar, enquanto sonha acordado com um clube que talvez não exista mais agora, definitivamente.

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Permalink20.06.09, 14:35:09, by Doni Email , Futebol , 38 comentários

Mesóclise dominical

Agora há pouco, no MSN:

Camila diz:
Sexy mesmo é uma mesóclise
Manda uma mesóclise pra cima de mim q eu me derreto
Doni diz:
olha...
vc não deveria ter me contado isso
vou armado para nosso próximo encontro
com o pronome oblíquo átono, pronto pra ir no meio do seu verbo... HAHAHAHAHAHA
Camila diz:
hahahahaha
Só uma ressalva
Pô, átono?
Tônico não é assim mais másculo não?
Doni diz:
calma
passa a mão que fica tônico
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
(oh god)
Camila diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Now we're talking!

Permalink31.05.09, 22:58:50, by Doni Email , Humor , 5 comentários

Podcast: Especial Ronnie Von

Ronnie Von

A fase psicodélica e mais criativa do até então Príncipe da Jovem Guarda. São músicas dos discos "Ronnie Von" (1969), "A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Imperio de Nuncamais" (1970) e "Cavaleiro de Aruanda" (1972).

A lista de músicas:

1) Meu Novo Cantar [o manifesto da nova fase]
2) Espelhos Quebrados
3) Atlântida [versão de "Atlantis", do Donovan]
4) Cavaleiro de Aruanda [Um hino em homenagem ao Orixá Oxóssi]
5) Dindi [o clássico da Bossa Nova]
6) Rose Ann [uma declaração de amor e uma colagem de ritmos, incluindo a chanson]
7) Rock Pros Meus Nervos [com muita pegada Soul]

Ouvir | Download | iTunes | RSS

Permalink30.05.09, 19:45:16, by Doni Email , Podcast , Deixe seu comentário

Magic Number

O De La Soul está de disco novo. Ouvi a respeito e bateu a nostalgia. Voltou para a "vitrola" a obra-prima do Hip-Hop Old school, "3 Feet High And Rising", que está completando 20 anos. Abaixo, a primeira porrada do disco:

Magic Number - De La Soul

Sim, eu já quis ser DJ.

Permalink12.05.09, 18:36:26, by Doni Email , Música , Deixe seu comentário

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