O Par Perfeito
Leia qualquer revista feminina e você verá a mesma queixa várias e várias vezes: os homens - esses garotinhos com dez ou vinte ou trinta anos a mais - são um caso perdido na cama. Não estão interessados nas "preliminares"; não têm nenhum desejo de estimular as zonas erógenas do sexo oposto; são egoístas, ávidos, desajeitados, sem sofisticação. Essas queixas, você não pode deixar de perceber, são algo irônicas. Naquela época, tudo que nós queríamos eram as preliminares, e as garotas não estavam interessadas. Elas não queriam ser tocadas, acariciadas, estimuladas, excitadas: na verdade, costumavam nos bater se tentássemos fazer isso. Não é na realidade muito surpreendente, então, que não sejamos muito bons na coisa. Passamos dois ou três anos longos e importantes da nossa formação ouvindo dizer, com bastante ênfase, para nem pensarmos nisso. Entre as idades de catorze a vinte e quatro, as preliminares deixam de ser algo que os garotos querem e as garotas não, e passam a ser algo que as mulheres querem, mas para o qual os homens não têm tempo. (Ou pelo menos é o que eles dizem. No meu caso, eu gosto das preliminares - principalmente porque as ocasiões em que tudo que eu queria era tocar estão alarmantemente frescas na minha mente.) O par perfeito, na minha opinião, é aquele formado pela leitora de revistas femininas e um garoto de catorze anos.
- "Rob Fleming", Alta Fidelidade.
10 (ou mais) músicas que me fizeram ser.
Este pequeno romance que escrevemos todos os dias e chamamos de vida sempre tem uma trilha sonora. Mas, mais do que "acompanhar a ação", as músicas podem ser as grandes responsáveis por determinados turning points que, no fim das contas, nos fazem ser quem nós somos. Sim, eu acredito que a música tem todo esse poder.
Abaixo, uma lista de "músicas que moldaram minha personalidade", que postei no meu twitter nesta madrugada. Resolvi copiar e colar a lista aqui (os links levam para os vídeos das músicas):
10 - John Lennon: Watching The Wheels [adolescente tímido compra 1º disco com seu 1° dinheiro] http://bit.ly/3EI4Jq
09 - Os Mutantes: Ainda vou transar com você [era apaixonado por ela no colegial, mas continuei virgem] http://bit.ly/3FN8hV
08 - Black Sabbath: The Wizard [ganhou a primeira guitarra e tocava alto pra irritar os evangélicos da rua] http://bit.ly/y3E2x
07 - Sonic Youth: The Diamond Sea [o primeiro pé na bunda, daqueles de fazer morrer um pouco] http://bit.ly/10jQqG
06 - Bauhaus: Ziggy Stardust [de gritar com a cabeça pra fora do carro, chorando] http://bit.ly/4bMC5T
05 - Portishead: Sour Times [dias de verão com o inverno n'alma] http://bit.ly/1toQ2D
04 - At The Drive In: One Armed Scissor [a trilha sonora de um grupo de amigos, e eu queria esse cabelo] http://bit.ly/2E0pJc
03 - Neil Young: Like A Hurricane [o maior delírio apaixonado da história da música. Só.] http://bit.ly/12QWtZ
02 - Pixies: Debaser [a primeira vez que minha cabeça explodiu de verdade] http://bit.ly/2dPNux
01 - The Rokes: Piangi Con Me [ Rock Italiano dos 60's, tocou em casa durante toda minha infância] http://bit.ly/1wL3wi
00 - Jane's Addiction: Mountain Song [eu não existiria sem esse vídeo. E sim, 11 músicas] http://bit.ly/4dFJNT
vale-tudo
Já perceberam que os melhores blogs são sempre os mesmos?
O vale-tudo está para o boxe assim como a dança da galinha está para o balé, como o Bonde do Tigrão está para Mozart — ou como a vulgaridade da Mulher Melancia está para a elegância de Márcia Haydée. Um arremedo de dança do acasalamento homossexual, o vale-tudo é o retrato de uma época em que o que importa é sempre, e apenas, o resultado. Não importa que para isso seja necessário dar uma cotovelada no rosto do oponente ou uma joelhada em seu estômago. Se o boxe tem a beleza estética que decorre da sistematização e da limitação das possibilidades da agressão, o vale-tudo é apenas violência rasteira. E feia. E completamente homossexual.
Badminton e peteca são esportes mais masculinos que esse vale-tudo. Até patinação no gelo é mais masculino, porque eventualmente o patinador com seus paetês e suas calças justas vai sentar a moça em seus ombros, os dois frente a frente, e vai lembrar a todos uma das melhores razões pelas quais é bom ser homem. Enquanto isso lutadores de vale-tudo fazem meia-noves intermináveis com a voracidade de um amor vespertino e urgente, cabeças enfiadas com sofreguidão nas virilhas dos seus parceiros, e na falta de outros fluidos se contentam com a urina em seus calções.
Vale-tudo é um sujeito dizendo para o outro “vem e me domina, meu homem”. Por baixo, o sujeito aperta com as pernas os quadris do seu amor com força, chama-o para si, e os abraços são fortes e esganados e desesperados, “diz que eu sou teu”. Não é à toa que um dos movimentos ali se chama submissão. É um sujeito meio depravado dizendo para o seu objeto de desejo “vem, cachorro, eu sou o teu senhor, faz a minha vontade”, variação sado-masoquista de uma relação de domínio. Vale-tudo é sexo selvagem, sem limites, em que o cheiro do sangue se torna o maior afrodisíaco imaginável. É por nunca ter conseguido enxergar o vale-tudo de outra forma que durante muito tempo brinquei com a idéia de fazer um curta-metragem sobre essa coisa bizarra a que chamam “esporte”, mostrando as cenas desses lutadores atracados em suas lides de amor enquanto, em BG, ouviríamos Serge Gainsbourg e Jane Birkin cantando Je t’Aime (Moi Non Plus). Mas uma moça já fez esse filme.
- Leia Rafael Galvão em Sobre o Boxe
Paris 2004
We're all about each other. *
A busca por um grande amor nunca me pareceu tarefa das mais difíceis. Em minhas fantasias (que sempre tiveram status de verdade, é claro), era só questão de achar uma garota que preenchesse alguns poucos requisitos: falar Francês, amar Frank Sinatra, tocar baixo e ser ruiva, com sardas. Essa Mulher Nota 1000 seria a "mulher da minha vida", sem dúvida alguma.
Mas aí apareceu você. Uma ferrenha odiadora do idioma do Tin Tin, fã do Genesis que detesta o velho Sinatra e que morre de rir do quanto eu me emociono com "a voz". Pior, sua pele sem sardas e seus fartos cabelos negros (não adianta dizer que são castanho escuros) não poderiam te deixar mais distante da ruiva de meus sonhos, e você não toca nem triângulo. Acontece.
Mesmo assim, você me conquistou já no primeiro sorriso que deu ao sentar-se à mesa, naquele restaurante. Almoço corrido em dia útil, que nem era um "encontro" propriamente dito. Dois amigos que se reencontravam apenas, e eu contei cada segundo até que pudesse te ver novamente. Nada mais chavão que falar do brilho de seus olhos escuros e do seu sorriso metálico, eu sei, mas um apaixonado deve ter garantido o seu direito de ser previsível e um tanto bobo.
De qualquer forma, eu ainda não tinha ideia, naquele momento, do tamanho da história de amor que estávamos começando. Arrisco dizer que só contigo entendi o que significa de verdade essa coisa de "amar alguém". E, de repente, tudo era com você e sobre você, mesmo quando estava longe. A mulher idealizada da fantasia deu lugar a um sentimento real com cheiro, gosto, sabor e calor. Ninguém no mundo sabe ouvir um disco dos Cardigans como nós dois, sem falar no Super Furry Animals que embalou nossa conversa alegre na cama, depois da primeira noite juntos. E foram tantas outras noites inesquecíveis...
Você me ajudou a ser um homem um tanto melhor, ainda que tão imperfeito. Foi meu incentivo maior quando busquei a Psicologia, e eu não poderia estar mais feliz com esta escolha. Serei eternamente grato a você por isso e pelos telefonemas que duravam horas; pelos olhares sempre tão carregados de orgulho; pelas risadas que só você dava ao ouvir minhas piadas infames; pelas novas bandas compartilhadas; pelos pratos deliciosos que fez para mim e por não ter demonstrado notar o quanto eu estava atrapalhado e nervoso quando fui cozinhar para você. Sou grato pelo dia em que foi me buscar na sala, enrolada no cobertor, naquela noite em que eu não queria sair da janela, preocupado que estava com nosso futuro, e também pelo livro da Clarice Lispector que, eu juro, logo vou ler. Sinto falta de cada momento em que segurou minha mão com força. Sinto falta até dos tapas que você dava nela quando eu colocava a mão na sua bunda, em lugares públicos. É que eu nunca fui muito de resistir a você, me perdoe.
Para você eu escrevi alguns de meus melhores textos, mesmo que você não saiba. Até um livro eu escrevi inspirado por você... Num mundo ideal, já teríamos hoje nossa casa com varanda e quintal, onde você vestiria sua lindíssima saia preta, rodada, e dançaríamos juntos, ao som de Brenda Lee, todos os dias. Nossa geladeira seria naquele estilo anos 50, do jeito que você gosta, e eu aprenderia a apenas comer coisas saudáveis, para que você não brigasse comigo.
Mas, sabe-se lá o motivo, alguns grandes amores não foram feitos para durar, ou pelo menos não são garantia de que os casais ficarão juntos. Diferentemente do que nos fazem acreditar, encontrar um amor recíproco não é certeza de felicidade, não é certeza de que tudo dará certo. Poderia escrever mais alguns parágrafos teorizando a respeito, mas não quero. Basta aceitarmos que a vida as vezes afasta pessoas que se amam...
Você disse que "acabou e nem percebemos". Sei do quanto não gosta da França, mas sou obrigado a responder que nunca terá acabado, já que sempre teremos Paris.
Minhas 10 músicas preferidas

Na verdade, as dez músicas mais ouvidas por mim desde abril de 2005, segundo meu perfil no last.fm. Mesmo assim, posso dizer também que são as minhas favoritas dos últimos tempos. Cada uma dessas canções está relacionada a pessoas, lugares e sentimentos. Todas estão impregnadas de amor, paixões, angústias, saudade, amizade e solidão também. Espero que gostem:
10. "Rain", por The Clientele, no disco Suburban Light
09. "Sky Blue Sky", por Wilco, no disco Sky Blue Sky
08. "Sentimental Journey", por Doris Day, no disco 16 Most Requested Songs
07. "Canção Postal", por Lô Borges, no disco Lô Borges
06. "Kayleigh", por Marillion, no disco Misplaced Childhood
05. "Music When The Lights Go Out", por The Libertines, no disco The Libertines
04. "Our House", por Crosby, Stills, Nash & Young, no disco Déjà Vu
03. "Late At Night", por Buffalo Tom, no disco Big Red Letter Day
02. "Fourth Of July", por Galaxie 500, no disco This Is Our Music
01. "Carla", por The Very Sexuals, no disco Carla
Outras opções:
- Download direto
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Mulher de um homem só - lançamento

E o Alex Castro está lançando seu primeiro romance, "Mulher de um homem só". O fato é digno de nota não só pela qualidade de seus escritos, mas pela solução encontrada por ele para viabilizar a publicação da primeira edição.
Fazer literatura é uma tarefa árdua. Não bastasse a dificuldade inerente à escrita, um ofício que nem de longe nos dá o prazer e o glamour que as pessoas pensam; e o desdém de quem acha que escrever livros hoje em dia é sempre uma maneira de gente sem talento conseguir auto-afirmação, existem barreiras bem mais concretas, do ponto de vista econômico mesmo. Resumidamente, gastamos muito publicando para poucos.
E aí vem o Alex Castro e propõe um modelo que não só facilita o parto da primeira edição de seu livro como também aproxima bastante o autor de seus leitores, talvez o maior ganho nisso tudo. O que Alex fez foi transformar a todos em Médicis, não presidentes do Regime Militar, mas mecenas de sua obra. Quem garantiu o livro em pré-venda, antes de ele ir para a gráfica, tem seu nome numa página de agradecimentos, e quem fizer a maior contribuição até o dia do lançamento leva uma edição numerada (a edição 1 até agora está com uma pessoa que pagou RS 200,00). Claro que se você não comprar na pré-venda, poderá garantir sua edição no dia do lançamento.
Mesmo que o livro não fosse MUITO bom, já seria admirável o quanto Alex é arrojado na busca por viabilizar seus projetos, na luta por sua arte. Outro dia, numa conversa despretensiosa, ele me disse algo que não esquecerei: "Doni, artista não pode ter pudor". Sensacional, e sorte nossa que ele não tem.
LANÇAMENTO DE UM LIVRO SÓ:
São Paulo: 1º de agosto de 2009, no Canto Madalena, a partir das 19h.
Rio de Janeiro: 7 de agosto, no Amarelinho da Cinelândia, a partir das 18h.
O livro será vendido nos lançamentos por R$25 e, posteriormente, pela internet, por R$28 (+ frete de R$4,40 + taxas PagSeguro 2,00)
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Mad Men Yourself
Mad Men, minha série favorita, volta no próximo dia 16, em sua terceira temporada. Para promover o acontecimento, o canal AMC criou o MadMenYourself, site onde você pode criar seu próprio avatar, com todo o glamour da Madison Avenue do início dos anos 60. Aí está o meu:

Chegando cedo para mais um dia de trabalho na Sterling Cooper, de péssimo humor!












