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Como braços de equilibrista

criança pulando no mar

Ano novo tem cheiro de caderno em branco, borracha sem uso, lápis apontado. É como se a gente estivesse de volta à estaca zero, prontos para começar a fazer cagada. Ainda que em poucas semanas o caderno fique cheio de rasuras, a borracha, emporcalhada, e o lápis vire um toco, eu adoro essa sensação de frescor que só as novidades têm.

A novidade para a garota da foto foi mergulhar sem tampar o nariz. Enquanto eu almoçava num restaurante de Búzios (RJ), um grupo de oito animadas crianças se divertia no deck. O desafio era ver quem dava o salto mais diferente – os dois meninos mais velhos sempre ganhavam. Essa garota, já entrando na adolescência, era a única da turma que pulava tampando o nariz. As outras crianças não pareciam se incomodar com isso. Aliás, nem ela, que mergulhou e escalou o deck dezenas de vezes sem cansar.

Eu já tinha saído do restaurante e feito um monte de fotos da molecada quando vi que a garota se preparava para pular de novo. Preparei a câmera para uma foto de um ângulo diferente, nada mais. Mas o clique revelou o exato momento da novidade. Uma supresa para nós duas.

Posto essa foto para me inspirar na coragem da menina se 2010 resolver mostrar os dentes. Quando eu estiver à beira de arrancar uma folha do caderno ou tiver ganas de quebrar o lápis, poderei dar uma passadinha por aqui. E fazer de conta que tudo é possível.

criancas no deck


Viagem ao centro de si

Acabo de voltar de uma daquelas viagens de lavar a alma, perfeitas para a contemplação. Eu, que falo como se as palavras fossem acabar, adoro períodos assim – de silêncio, de contar as horas pelas sombras, de comer fruta no pé e ver o tempo nas nuvens.

Boas viagens são tão intensas fora quanto dentro da gente. E nem é preciso ir muito longe para ter uma grande experiência. Duvida? Pois eu já vi muita gente desperdiçar um por-do-sol de calendário só porque passou a tarde em frente à TV. Ou estar em um lugar paradisíaco num momento infernal da vida.

Se você está de férias, não tenha medo do desconhecido. A comida é esquisita? O sotaque soa estranho? O lugar cheira diferente de sua casa? Apenas sinta. Observe. Se deixe levar. Se você não pode (ou não quis) viajar, faça um passeio por sua própria cidade com olhos de turista. Olhe para cima, procure ângulos pouco usuais. Repare no detalhe da fachada de um prédio. Experimente um novo sabor. Ouça os passarinhos (eles estão por todo o canto!).

Tire os olhos do chão e descubra seu próprio cartão-postal!


PS: Fiquei um tempão fotografando esta garotinha entretida com uma pá e um baldinho nas areias de Búzios (RJ). Apesar de ela estar alheia à beleza em redor, tenho certeza de que curtiu sua viagem interior.


Saiba combater o consumismo infantil*

Bola, boneca, bicicleta... a lista ao Papai Noel fica cada vez maior, mas salário nenhum dá conta de tantos pedidos! Antes de fazer hora extra para garantir o presente da molecada, pare e pense: será que seu filho não foi atacado por um surto de consumismo? Afinal, a TV fica 24 horas bombardeando as crianças com propagandas de brinquedos, roupas infantis, parques de diversão e outras maravilhas que pesam na carteira dos pais. E antes que você se sinta culpada por não conseguir dar tudo o que seu filhote quer, saiba que mimá-lo não o transformará em um adulto mais responsável e consciente. Veja só como segurar a onda do seu consumistinha:

- Reforme os brinquedos velhos
Façam juntos roupinhas para as bonecas que rabiscadas e rodinhas para os carrinhos quebrados. Uma boa mão de tinta os deixará como novos!

- Estimule o senso crítico
Explique à criança como funcionam as propagandas. Saber que está sendo influenciado é o primeiro passo para seu filho se conscientizar.

- Presenteie com vale-passeio
A família toda pode se presentear com vales exclusivos: “vale 1 hora de massagem da mamãe”, “vale 1 partida de futebol com o papai”, “vale 1 banho de mangueira”...

*Versão original de texto publicado na revista AnaMaria.


Passarinho me contou*

Quem pensa que árvores não podem se apaixonar ainda não conhece Casal Verde. Nele, a escritora e blogueira Índigo conta a história de Silvia e Walter — ela, uma fícus toda certinha e podada, ele, um flamboyant espaçoso e cheio de bossa. Por mais diferentes que fossem, os dois viviam se paquerando à distância, sem que um desse conta do interesse do outro.

A coisa seguiria nesse impasse não fosse a esperteza de Benjamin, o bem-te-vi de ideias ligeiras, que chamou os outros passarinhos para dar uma de cupido. Da noite para o dia, todas as pessoas que passavam em frente ao Plaza Center encontravam um fícus muito diferente dos outros. E não é que funcionou?

*Versão original de texto publicado na revista Nova Escola.


Antes do ovo*

Depois de botar uma fita na pata, a pata finalmente consegue chamar a atenção do pato, que só nadava e não queria nada com ela. Já a Galinha não teve grandes dificuldades em conquistar o galo — por isso, quando pata e pato procuravam uma casa para morar, galo e galinha já tinham encontrado a sua fazia tempo. O que ninguém imaginava era que os dois casais acabassem dividindo o mesmo teto, digo, ninho. Ainda mais agora, que os filhotes começam a bicar os ovos...

Pinto ou pato, os bebês de Os Patinhos Lindos e os Ovos de Ouro, de Edy Lima, nascerão em uma família bem diferente.

*Versão original de texto publicado na revista Nova Escola.

Categoria: Livros, Crianças

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