A era dos pensamentinhos micros
"Tem gente que pensa que está no armário, mas está numa cristaleira: tá todo mundo vendo..."
Imagine alguém que acaba de descobrir que existe celular, orkut ou, sei lá, TV em cores. Me sinto assim desde que fui apresentada ao Twitter.
"Primeira tarefa ao chegar em casa: molhar as plantas. É o que você ganha quando passa dos 100 vasos. Agora já são 51 orquídeas!"
Tá bom, é mais um site para ver e ser visto. Verdade. Mas o narcisismo tem limite: 140 toques. Só valem pensamentinhos curtos. Como estes.
"Com uma unha de cada cor porque as meninas da redação resolveram testar em mim os lançamentos de esmaltes que acabaram de chegar..."
É como se misturassem o Orkut com o msn e botassem tudo em pílulas. E, como muitos comprimidos, é completamente viciante. Adorei!
"Os pernilongos não me deixam continuar. 34 comentários terão de esperar até amanhã. Licença que eu vou comer founde de queijo no friozinho."
E adoro o potencial que tem: subo links de posts e de comentários respondidos, que encaminho aos autores. Me sinto tão perto das pessoas!
"Acordei com um barulho na varanda. Fui seca achando que era sanhaço e acabei espantando a primeira maritaca visitante. Como é verde, nossa."
Se quiser papear, estou aqui. E já aviso: a próxima Promoção do Post Laranja será maquiavelicamente arquitetada por lá. Me aguarde...
"De tanto jogar Lara Croft com o iTunes no repeat, não posso ouvir Wagner Tiso que fico com vontade de botar shortinho e sair dando tiro..."
Como descartar eletroeletrônicos?*
Uma opção é doá-los para entidades filantrópicas, como casas que abrigam idosos ou jovens carentes. Alguns fabricantes recebem equipamentos de volta. Caso da Dell, que envia computadores em bom estado para centros comunitários. A fundação Pensamento Digital, de Porto Alegre e o Museu do Computador, de São Paulo, aceitam doações de computadores, teclados e mouses, entre outros, enquanto algumas ONGs e empresas de reciclagem, como a Sucata Eletrônica, de São Paulo, compram televisores, computadores, celulares, impressoras, câmeras digitais e até cercas elétricas.
No site www.cempre.org.br, você encontra uma relação de empresas que compram aparelhos usados. Baterias de celulares devem ser entregues nas lojas da operadora ou na rede de assistência técnica autorizada do fabricante.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial
Os dez mandamentos do usuário consciente*
1. Pesquise
É importante descobrir se o fabricante se preocupa com o meio-ambiente e se recolherá as peças usadas para reciclagem, depois que o aparelho perder sua utilidade.
2. Prolongue
Você não precisa trocar de celular todos os anos ou comprar um computador com essa mesma freqüência. Quanto mais eletrônicos adquirir, maior será a quantidade de lixo eletrônico. Por isso, cuide bem de seus produtos e aprenda a evitar os constantes apelos de troca.
3. Doe
Caso seja realmente necessário trocar o aparelho, mas se ele ainda funcionar, doe para alguém que vai usá-lo.
4. Recicle
Os grandes fabricantes de eletrônicos oferecem programas de reciclagem. Antes de jogar aquele monitor estragado no lixo, entre em contato com a empresa e pergunte o endereço de coleta.
5. Substitua
Procure sempre fazer mais com menos. Produtos que agregam várias funções, como uma multifuncional, consome menos energia do que cada aparelho usado separadamente.
6. Informe-se
O usuário da tecnologia deve ser adepto ao consumo responsável, sabendo as consequências que seus bens causam ao ambiente. Por isso, é importante estar atento ao assunto – somente assim será possível eliminar hábitos ruins e tomar atitudes que minimizem o impacto do lixo eletrônico.
7. Escolha o original
As empresas que falsificam produtos não seguem políticas de preservação do ambiente ou não se responsabilizam pelas peças comercializadas depois que sua vida útil chega ao fim.
8. Pague
Os produtos dos fabricantes que oferecem programas de preservação ambiental podem ser mais caros – isso porque parte dos gastos com essas iniciativas podem ser repassadas para o consumidor. A diferença do preço não chega a níveis absurdos e por isso, vale a pena optar pela alternativa verde. A diferença, muitas vezes, alivia a conta de luz.
9. Economize energia
Na hora de comprar um eletrônico, opte pelo produto que consome menos energia. Além disso, o consumidor consciente deve usar fonte de energia limpa (como a solar) sempre que possível.
10. Mobilize
É importante passar informações sobre lixo eletrônico. Muitos usuários de tecnologia não se dão conta do tamanho do problema. Divulgue, mas evite aqueles discursos longos e catastróficos dos “ecochatos”, que não são nada populares.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial
A tecnologia na onda verde - 2*
Anos atrás, quando termos como “sustentabilidade” causavam arrepios, as companhias se limitavam a assegurar que seus produtos chegassem às prateleiras. O que o consumidor fazia com eles não lhes dizia respeito. Hoje, elas começam a trilhar o caminho inverso: o do consumidor de volta à empresa. Diante desse desafio, enfrentam duas grandes dificuldades. A primeira é nos convencer a devolver os aparelhos velhos em vez de jogá-los no lixo. A segunda, bem mais dispendiosa, é produzir equipamentos menos tóxicos.
Nesse quesito, ainda não há soluções definitivas. Empresas de tecnologia como Lenovo, Itautec, Dell e HP vêem experimentando uma série de ações, que vão desde a escolha de fornecedores comprometidos com questões sociais e ecológicas até mudanças na composição dos equipamentos. Não resolve todo o problema. Mas já é um começo. Entenda o que cada substância causa ao organismo e ao meio ambiente:
Chumbo
É uma neurotoxina e também afeta os rins e o sistema reprodutivo. Pode prejudicar o desenvolvimento mental de uma criança.
Onde é usado: Computador, celular e televisão.
PVC
A queima desse plástico versátil libera dioxinas muito tóxicas.
Onde é usado: Em fios, para isolar corrente.
Retardantes de chama polibromados
Esse grupo de compostos pode causar danos à tireóide e afetar o desenvolvimento fetal.
Onde é usado: Diversos componentes eletrônicos, para prevenir incêndios.
Bário
Uma exposição intensa provoca distúrbios gastrintestinais, debilidade muscular, dificuldades respiratórias e elevação ou queda na pressão sanguínea.
Onde é usado: Em baterias e outras formas de acumuladores de energia.
Mercúrio
Associado a danos neurológicos e renais; prejudicial a fetos. Pode ser transmitido através do leite materno.
Onde é usado: Computador, monitor e TV de tela plana.
Berílio
Carcinogênico, o pó de berílio causa doenças pulmonares.
Onde é usado: Computador e celular.
Cádmio
Exposições longas a esse elemento carcinogênico provocam danos nos rins e ossos.
Onde é usado: Computador, monitores de tubo antigos, baterias de laptops.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial
A tecnologia na onda verde - 1*
Bário, berílio, cádmio. Qualquer pessoa que não seja um químico sabe pouco sobre esses elementos – exceto, talvez, que eles constam da velha tabela periódica do colégio. Embora pareçam exóticos e pouco usuais, esse e outros metais pesados estão na maioria dos equipamentos eletrônicos tão abundantes em nosso cotidiano. São eles que fazem baterias de celular durarem mais ou impedem computadores de explodir.
Enquanto são novas, máquinas e outros instrumentos tecnológicos costumam nos causar poucos danos — nada muito além de estresse ou irritação. Mas, quando viram sucata, se acumulam em aterros ou são incinerados, os eletrônicos revelam funções que não estavam especificadas no manual de instruções: seus metais pesados se decompõem contaminando o solo, o ar e a água e podem causar problemas de saúde que vão da má formação de bebês a graves seqüelas neurológicas, falência dos rins e câncer.
Por trás de computadores parcelados em 24 vezes, celulares gratuitos, tocadores de mp3 cada vez mais potentes e outros cacarecos eletrônicos vendidos a preço de banana está uma tecnologia barata, descartável e tóxica. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, segundo o Greenpeace, a cada ano são descartadas 50 milhões de toneladas de chips, circuitos, placas, computadores, celulares e outras parafernálias cibernéticas. É um número tão grande que é quase inimaginável. Se todo o lixo eletrônico gerado anualmente fosse colocado em um trem, seus vagões dariam uma volta ao redor do mundo — e, ainda assim, é difícil de conceber tamanha sujeira.
O tempo de vida útil dos aparatos eletrônicos diminui numa rapidez inversamente proporcional ao aumento de seu consumo. Em 1997, um PC pessoal durava pouco mais que meia década. Em 2005, com dois anos de uso, um computador já era considerado obsoleto. Hoje, bastam alguns meses para transformar qualquer equipamento em peça de museu.
Em todo o mundo, as empresas de tecnologia tentam mudar essa imagem de poluidoras e se esforçam para diminuir seu impacto ambiental. De 2005 para cá, muitas delas passaram a recolher os próprios equipamentos usados para depois reaproveitar a matéria-prima na linha de produção. É uma atitude modesta, ainda, mas que envolve uma mudança radical na maneira como elas têm de pensar seu negócio.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial








RSS feed