A arte de fazer pazes*
Sabe aquele dia em que você acorda com a pá virada, sai da cama do lado errado e pisa no chão com os dois pés esquerdos? É só uma questão de tempo para brigar com o primeiro que aparecer na frente... O pior de tudo é que, depois que a irritação passa, é tão difícil fazer as pazes, né? Para voltar a viver em paz com quem você ama, confira o passo-a-passo de como acertar as contas e não deixar nenhuma mágoa:
1º passo – Descubra a hora certa
Deixe passar o tempo necessário para as duas partes esfriarem a cabeça. Lembre-se que para tentar uma reaproximação é preciso tranqüilidade.
2º passo – Comece com carinho
Um carinho na mão, um abraço ou um beijo no rosto quebram qualquer clima chato e podem dar início a um diálogo com mais sensibilidade.
3º passo – Ceda um pouquinho
Não repita o discurso de antes e não tente ver quem tem razão. Não precisa concordar com tudo: você cede daqui, o outro cede de lá, e vocês se entendem.
*Textos originalmente publicado na revista AnaMaria.
Pratique a terapia do abraço*
Poucas coisas na vida são tão gostosas quanto dar e receber um abraço apertado, daqueles que parecem envolver até a alma. Um abraço muitas vezes vale mais do que palavras e tem poderes fantásticos sobre a saúde e o bem-estar. O abraço acalma, alivia a dor e transmite conforto, segurança, carinho e respeito. A verdade é que o abraço funciona como uma ponte de energia entre as pessoas. Que tal construir algumas pontes abraçando quem você ama?
- Apaixone-se novamente
Essa ponte é sustentada pela paixão e pela cumplicidade. Aproveite! Ficar coladinha com o marido, noivo, namorado ou paquera não tem preço.
- Dê um abraço-sanduíche
É bom demais, não é? Se tiver mais de um filhote, vale até um abraço-sanduíche: agarre todos de uma vez!
- Dê colo ao seu bicho de estimação
Esse abraço vem com um bônus: enquanto você oferece afeto, ganha lambidas e aquela carinha de satisfação.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Invejinha básica*
Quando perguntadas sobre o que invejam nos homens, nove em cada 10 mulheres costuma dizer que é a mordomia de poder mijar em pé. Algumas comentam sobre utilidades mais nobres para o membro viril. Uma minoria responde que não há nada que gostaria de ter que já não tenha, como se vê, uma mentira descarada. Nada?!? Nem andar sem camisa em dia quente? Nem ter pêlos no buço e ser considerado sexy? Nem ser cuidado como bebê só por causa de uma gripe? Francamente, que falta de criatividade...
Eu adoro ser mulher, mas é claro que gostaria de curtir alguma vez uma dessas exclusividades masculinas. São características bacanas, mas ainda não valem à pena abrir mão de ser menina. O que me faz realmente fritar de inveja não é ter pêlos no rosto, peito liso ou algo balançando entre as pernas — é ter nascido sem um GPS natural.
Tem dúvida? Pegue uma mulher e um homem e mande-os a um lugar que eles não conhecem. Ela vai dirigir com prudência, parar a cada posto de gasolina para pedir informações e chegar direitinho no lugar. Já ele vai se perder pelo caminho porque não quis perguntar nada para ninguém, vai dar luz alta para o carro da frente “que não anda” e, em pouco tempo, chegará ao lugar. Peça que repitam a operação daqui um ano: ela fará tudo de novo, mas ele, não. Desta vez, ele acertará de primeira. E ainda chegará 15 minutos antes.
Esse mundo é muito injusto...
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
Barato bom*
Foi logo no primeiro dia de aula que minha irmã descobriu que teria apenas quatro anos para aprender a lidar com suas próprias fobias. Nada mais natural a se pedir a quem escolheu por profissão ouvir sobre medos e problemas alheios. “Mas eu tenho pavor de barata!”, choramingou. “Comece com fotos”, sugeriu a professora, na tentativa de estimular a aluna a ver imagens do abominável inseto sem subir numa cadeira.
Quando descobri que a fobia da minha irmã precisava de um empurrãozinho para sumir, passei a mandar cartas de incentivo – todas decoradas com baratinhas fashions, de meia-calça e cílios postiços. Sempre achei que elas ficariam menos assustadoras se dessem uma depilada e passassem um batonzinho de vez em quando.
Dia desses, a danada se formou e fiquei horas matutando uma maneira de presenteá-la, mas nenhuma solução convencional me animava. Anel de formatura? Ela já ganhou uns dois. Flores? Prefiro as de terra, que não morrem em três dias quando bem cuidadas. Fui remexer numa caixa de fotos e lembrei das baratinhas. A essa altura, minha irmã só pode ter virado uma cruel matadora de insetos, daquelas que nem se dão ao trabalho de pegar inseticida, mandam ver logo na chinelada.
Fiz uma baratinha de pelúcia, com retalhos de tecidos floridinhos que eu tinha em casa. Botei dois laços nas antenas, enchi com saquinhos plásticos e caprichei nas asas. Admito que não ficou lá com um acabamento dos mais primorosos, não. Minha irmã abriu o pacote, deu uma leve estremecida, pegou a barata na mão e ainda ajeitou uma das antenas. Adeus, fobia!
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
Pedir, repetir, tripetir
Durante toda minha infância, a frase que mais ouvi foi: “Come mais um pouquinho, filha...”. A despeito da comida perfumada e saborosa de minha mãe, eu e meus irmãos demos muito trabalho para comer. Tive uma fase pró-feijão; aí, mudei, só queria saber do caldo; meses depois, comia os grãos bem escorridos e deixava no prato várias cascas sem feijão, rabinhos de feijão e outras espécimes que não passassem por meu controle de qualidade. Minha frescura durou até que minha mãe se enchesse e passasse a bater o feijão no liquidificador.
Por conta disso, cada vez que eu ou meus irmãos repetíamos um prato, minha mãe faltava só estourar rojão. Com o tempo, aprendi a preparar minha própria comida e deixei de nove-horas — afinal, um cozinheiro valoriza o que preparou porque sabe a trabalheira que deu para fazer.
As coisas iam bem, comigo repetindo pratos ao menos uma vez por semana, até que levei um namorado para comer em casa. Para quem comia dois Big Mac no café da manhã e tomava gemada antes de dormir, repetir era a coisa mais óbvia do mundo. Vi o moço encher o prato de arroz, feijão, brajolas e fritas, numa dimensão jamais experimentada em casa. Do outro lado da mesa, a montanha de pedreiro escondia o rapaz, que só abria a boca para enfiar o garfo. Quando minha mãe preparava seu bordão do “come mais um pouqui...”, ele já estava no segundo prato. Eu e minha irmã nos entreolhamos em silêncio enquanto observávamos o segundo prato sumir e dar lugar a um terceiro prato.
Do que concluo duas coisas: a) repetir é um elogio, mas tripetir exige preparo psicológico; e b) namorados precisam descobrir que facas têm utilidade, sob o risco de acabar o relacionamento. O meu não chegou à sobremesa.








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