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Estreia em lombada quadrada

Não é um livro só meu — eu o divido com metade da torcida do Corinthians, todos mais bem-sucedidos nessa coisa de ser autor. Mesmo assim, é minha estreia em lombada quadrada! E você, querido leitor do laranjinha, não poderia ficar de fora da festa: venha me ajudar a pagar mico na noite de autógrafos de Humor Vermelho.

Trata-se de uma coletânea organizada por Isabella Saes e publicada pela editora carioca Usina de Letras, com crônicas de blogueiros, cantores, publicitários e outras profissões afins (incluindo um texto desta amadora que vos escreve).

Será quarta, dia 7, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Ouvi dizer que as Malditas vão passar por lá...


Dia de espanar a casa

Blog sem atualização é que nem casa de praia no inverno: pó por todos os lados, sapos no banheiro e um ninho de aranha em cada cômodo, rendando as quinas de paredes e as frestas do forro. Quando você, enfim, decide ver o mar, a preguiça de descer até a praia desencoraja qualquer aventura, porque o trânsito, os pedágios, a farofa... As justificativas se multiplicam até que a urgência bate e, quando você se dá conta, já está com um espanador numa mão e um rodo na outra.

Ainda não acabei a faxina por aqui, mas já ajeitei a fachada que é para não desanimar. Passei tinta nova no telhado e reformei as esquadrias das janelas. As portas não rangem mais e até aquela gaveta emperrada cedeu ao meu afã de botar as coisas em ordem.

Como uma bela temporada de sol se anuncia, pegue sua pazinha e seu baldinho e venha pra praia do Guindaste. Daqui a pouco vai passar o sorveteiro. E, quando a tarde baixar, vou lá dentro passar um café. Pra mó di a gente botá as cunversa em dia.

PS: Hoje o Guindaste completa 3 anos!


Polaroid doméstica

Você me pergunta se está tudo bem com minha "família que transcende espécie, filo, reino". Eustáquio está fazendo uma surpresa pra mamãe, mas como toda criança, não consegue fazer a coisa lá muito escondida: em breve, terei flores da minha planta carnívora primogênita.

Ronaldo, o gato temporário mais fixo de toda a história, ganhou uma dona, mas só deve voltar das férias na minha casa no ano que vem, quando está prevista a estréia da carreira extra-uterina de minha irmã. Até lá, tenho de amassar esse gato três vezes ao dia e esquentar suas orelhas a cada 12 horas. Prescrições médicas.

A prole residente está entrosada com o firangi – claro que isso não inclui Omblogsman, que adotou a técnica de invisibilidade do Ronaldo, método que tem se mostrado bem-sucedido até o momento.

Estou terminando os livrinhos prometidos aos ganhadores da última edição do Post Laranja. Nunca imaginei que doeria tanto reescrevê-los. Primeiro, tenho de driblar o momento não-acredito-que-escrevi-isso. Depois, preciso conter a gana tenho-de-corrigir-esse-texto. Vencidas essas etapas iniciais, há a fase putaqueopariu-que-letra-horrível e vou-amassar-isso-e-começar-de-novo, culminada pela crise existencial pare-de-gastar-papel-sua-irresponsável. No fim, tudo se resolve até que eu chegue ao momento final, quando meus dedos dóem tanto que a letra começa a ficar relaxada, me levando de volta à etapa três.

Junto com isso tudo, tem o trabalho na revista, os amigos velhos e os recém-adquiridos, gafieira, salsa, crises de enxaqueca cada vez mais frequentes e a contagem regressiva para viajar. Ah, claro, e a megasurpresa que estou preparando para o aniversário do Guindaste. Opa. Isso não era pra falar. Melhor eu parar por aqui.

Beijo,

Carol

PS: Quem disse que e-mail não pode virar post? Valeu pela ajuda, João Veiga!


O craque de cinco vidas

Se gato tem mesmo sete vidas eu não sei, mas que o Ronaldo já gastou duas, isso eu posso provar. Aos três meses, teve a cabeça prensada por uma porta de madeira de 100 kg. Aos cinco, levou um pisão de cavalo e quebrou a pata. Achei melhor impedi-lo de usar mais vidas e levei-o ao veterinário antes que ele pulasse de uma janela ou se atirasse na frente de um carro.

Durante os 11 km que separam a hípica do hospital veterinário, Fenômeno foi ronronando na caixinha de transporte: brincou com meu cabelo, mordeu o próprio rabo e deixou a perna quebrada em várias posições medonhas e impossíveis para ossos em seus devidos lugares.

Na clínica, passei aquela vergonha quando a atendente perguntou o nome do paciente. “É Ronaldo, moça. Mas eu juro que não tenho nada com isso. Foram os tratadores da hípica que deram esse nome para ele...” Ela se inclinou para olhar dentro da caixinha. “Ele é gordo?” A noite prometia.

Uma hora depois, Ronaldo ensaiava seus dribles em casa, a perna ruim presa numa tala desproporcional que deixou o vira-lata alvinegro mais pra Garrincha. “Fica quietinho que mamãe já vem”, e fechei a porta. Enquanto buscava capacete, corda, luvas de boxe e checava se é possível alugar escafandros para dar remédio a um gato, meus outros bichanos montaram guarda em frente à porta da lavanderia. Hipnotizados de ciúmes, nem se mexiam.

Reuni a maior quantidade de apetrechos anti-mordidas e arranhões que eu tinha em casa e levei para a lavanderia. Assim que abri a porta, Ronaldo veio manquetolando alegremente, arrastando a pata quebrada e um monte de esparadrapos subitamente imundos, babados e mordidos. Não precisou nem de dez minutos para arrancar a tala que o veterinário levou outra meia hora para refazer, agora envolvendo todo o corpo do pestinha.

Enquanto dirigia de volta para casa, ia pensando em todos os impropérios que falaria antes de dar cartão amarelo para o mocinho. Mas assim que abri a caixinha, mudei de ideia. Enrodilhado em seu corpinho famélico, Ronaldo dormia o sono dos craques. É, foi gol.

PS: Este post é uma homenagem à jornalista "coração de pudim" Bia Levischi e suas deliciosas crônicas de bigodes do Gatoca.


O Carandiru dos bichos

Cachorros atropelados, gatos procriando loucamente, animais revirando o lixo e espalhando doenças – todo mundo sabe que lugar de bicho não é nas ruas e sim numa casa quentinha, com uma família carinhosa, responsável e dedicada. Apesar disso, milhares de cães, gatos (até coelhos, cavalos, lagartos e tartarugas) são abandonados, aumentando a população de animais indigentes. A solução é a carrocinha, certo?

Bem, não do jeito que as coisas estão. No Centro de Controle de Zoonoses, a popular carrocinha, os bichos recolhidos acabam morrendo de fome, feridas, vermes ou puro descaso, mesmo. O volume de animais abrigados costuma ser muito maior do que a capacidade do lugar, resultando em uma cena de prisão como nos piores momentos do Carandiru. Será que nascer cão ou gato é crime?

Para mudar essa triste situação, voluntários e ONGs de proteção aos animais – Instituto Nina Rosa, Adote um Gatinho, Quintal de São Francisco, Gatoca, entre outros – estão organizando uma manifestação em frente à carrocinha de São Paulo. O encontro será nesta quarta-feira, dia 29, às 13 horas, na rua Santa Eulália, 86, Santana, São Paulo.

Será por coincidência que o lugar fica justamente em frente ao metrô Carandiru?


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