Estreia em lombada quadrada

Não é um livro só meu — eu o divido com metade da torcida do Corinthians, todos mais bem-sucedidos nessa coisa de ser autor. Mesmo assim, é minha estreia em lombada quadrada! E você, querido leitor do laranjinha, não poderia ficar de fora da festa: venha me ajudar a pagar mico na noite de autógrafos de Humor Vermelho.
Trata-se de uma coletânea organizada por Isabella Saes e publicada pela editora carioca Usina de Letras, com crônicas de blogueiros, cantores, publicitários e outras profissões afins (incluindo um texto desta amadora que vos escreve).
Será quarta, dia 7, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Ouvi dizer que as Malditas vão passar por lá...
Viagem aos confins da Terra*
Misto de paradidático, obra de ficção e história em quadrinhos, Alexandre, o Grande e Sua Sede de Fama, de Phil Robins, não se enquadra em nenhum dos três estilos que abarca. Fruto de uma abrangente pesquisa sobre a biografia de Alexandre Magno, o conquistador da Macedônia, a obra aborda as principais passagens da vida do histórico personagem.
A partir de um vislumbre da tumultuada infância no palácio de Pela, é possível acompanhar Alexandre, o Grande, em suas primeiras guerras contra getas, ilírios, trácios, tribalos e tessálios, no norte da Grécia. Graças a seu talento como militar e estrategista, ele conseguiu um império de 5 milhões de quilômetros nos parcos 32 anos que teve de vida.
*Versão original de texto publicado na revista Nova Escola.
7 truques para não passar frio*
A gente põe meia calça, outro meião grosso por cima, casaco, gorro e cachecol, mas o frio ainda arranja uma brechinha e nos pega de jeito. E, com os termômetros baixando, sair das cobertas para trabalhar é um suplício só comparado ao maledeto xixi de madrugada. E o que dizer de tomar banho no inverno? É um parto para tirar a roupa e entrar no chuveiro e outro para sair do chuveiro e colocar a roupa... Bem que a gente podia fazer como os ursos e passar esta estação hibernando: dormir dois meses e acordar só na primavera não seria nada mal, hein? Enquanto a moda não pega, o jeito é driblar o frio. Por isso, se você também vive com pés gelados e nariz de foca, aqui vão uns truques espertos para passar o inverno quentinha, longe de gripes e resfriados.
Pés quentinhos
Nem meias aquecem seus pés à noite? Coloque-os sobre uma bolsa de água quente ou faça um escalda-pés antes de ir dormir.
Festa do pijama
Não quer vestir uma peça fria logo cedo? Use o pijama por baixo da roupa do trabalho. Ninguém vai ver, mesmo.
Sanduíche de cobertor
Não tem coisa pior do que cama gelada no inverno! Acabe com o problema colocando um cobertor por baixo do lençol e outro por cima. Outra técnica infalível é passar a cama com ferro ou aquecê-la com secador de cabelo.
Foguinho no banheiro
A molecada vai rapidinho pro banho quando tem foguinho no banheiro: ponha álcool numa panela, risque um fósforo e deixe no chão.
Xixi sem frio
Você sai da cama quentinha e quase tem choque térmico ao fazer xixi? Para não encostar no vaso sanitário gelado, sente-se nas mãos.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
O aspirador de pó
O trator da limpeza de 1,50 m irrompe no escritório rumo à varanda, com balde, vassoura, rodo, pano, escovão, aspirador de pó e... Êpa, aspirador de pó? Fui pé ante pé ver o que a Val estava aprontando quando a flagro, bravíssima, em cima do bebedouro dos passarinhos, dando golpes no ar com a mangueira do aspirador de pó.
– Val?
– ...
– Val! Vaaaaaal!!!
– Chamou, Carol?
– Deeeesliiiiga o aspiradoooor, Vaaaaal!
– Ah, é!
– Val, o que raios você está fazendo com o aspirador, mulher?
– Chupando as abelhas, Carol.
– !
– Você não disse que o beija-flor morre se for picado por abelha? Tô vendo o bichim na maior agonia, voando aqui e ali, mas ele não consegue chegar perto do bebedor porque tá com abelha.
– Val, não vá me dizer que você está chupando as abelhas com o aspirador de pó...
– Ah, tô sim, e já faço isso desde a semana passada. Não reparou que as abelhas deram uma sumida?
Gente estranha
Não é que eu seja pararraio de gente estranha, mas foi só pisar na doceria para dois garotos trocarem risadinhas. Chequei meu reflexo na vitrine para ver se o vento não tinha me deixado com o topete da Amy Winehouse. Nada. Respirei fundo e pedi meu brigadeiro com morango.
As pessoas sentem um misto de pena e desdém por quem almoça sozinho. Já estou acostumada a ser vista como alguém que só pode ser insuportável, carente ou uma chata de galocha para não ter nenhuma companhia durante as refeições. Mesmo assim, adoro comer sozinha. Faço isso sempre que ando sem inspiração para escrever. É meu segredinho para ter ideias de textos.
Fui para o caixa e um rapaz em outra mesa ficou me olhando. Eu devia estar com alface no dente. Ou aquelas rodelonas monstras de suor. Vai ver, esqueci o zíper da blusa aberto – como já aconteceu e só descobri ao ser avisada pelo porteiro, saindo de casa.
O que podia ser tão chamativo que faria as pessoas me olharem estranho? Feijão no dente? Meleca de nariz? Calça branca manchada de vermelho? Molho de tomate na camisa?
O rapaz levantou e foi direto para o caixa. Já estava saindo quando ele me segurou pelo braço, me encarou e disse: "Você acredita em amor à primeira vista?".
Ah, sim, claro. Eu sou mesmo pararraio de gente estranha.








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