Sereias - 5

Esta peixuda aqui veio da porção mais abissal dos meus arquivos de 1996. Desenhei-a numa época de mergulho no universo mitológico das sereias, quando ainda não sabia que elas são símbolos muito mais profundos do que Wall Disney quis mostrar. As manchas de nanquim fazem desenhos irregulares que acabaram ajudando a formar a textura tigrada da cauda e do corpo. Depois de uma longa consulta a um livro sobre aquários, descobri que o desenho das nadadeiras laterais lembra um Pantodon buchholzi, uma pequena espécie de peixe típica da África. De todas as peixudas que integram a Série Sereias, esta aqui é provavelmente a mais bizarra.
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Sereias - 4

Atendendo a pedidos, a última peixuda da série, encerrando a temporada marítima por aqui. Ainda estou matutando para descobrir se ela está nua, se veste uma estranha roupa-película ou se apenas tem uma tattoo bem esquisita. Em uma coisa, vamos concordar: que cara de vagaba, hein? Esta aqui é de 1999, desenhada nas costas de uma folha quadriculada.
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Sereias - 3

Há outra coisa terrível para dizer sobre as sereias: elas não se parecem em nada com a história da Disney. Não há um felizes para sempre. Não há sequer um final mais ou menos feliz. Quando os autores do conto são os irmãos Grimm, o final é sempre trágico e inclui abandonar criancinhas na floresta escura e entupi-las de doces para comê-las no jantar. Estranha que essas histórias sejam consideradas literatura infantil, quando estariam bem melhor na prateleira de livros técnicos, ao lado de "Métodos Simples para Atormentar seu Filho".
Tudo isso para dizer que, no conto original dos irmãos Grimm, a sereia também é injustiçada. Ela precisa apunhalar a noiva do príncipe – é, o panaca se casou com a mulher errada – antes do nascer do dia. Não consegue, é claro. Mal amanhece, ela é transformada em espuma do mar. Bruno Bettelheim, o maior especialista na análise de contos de fadas, diria, anos mais tarde, que a espuma é o esperma do príncipe. Era só o que faltava. Quando não é Freud, é outro tiozinho que vem para detonar as sereias. Bem fazem elas de aparecer nesse blog só por três dias. Agora, elas vão voltar para as profundezas dos meus cadernos de desenho.
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Sereias - 2

Além de gostar delas como símbolo, achava as sereias ótimas de serem desenhadas: rabiscar pés é bem mais complicado do que desenhar rabos de peixe. Com tanta admiração assim, dá para imaginar o abalo sísmico que senti quando me disseram que Freud considerava as sereias o símbolo da frigidez feminina. Para ele, as sereiudas não passam de umas mal-amadas. Elas ficam cantarolando no mar, estrategicamente sentadas numa pedra, com o rabão dentro da água. Os pescadores olham e ficam encantados, sem saber que elas são lindas aberrações marítimas. Entram na água completamente tomados por aquela voz maviosa e nhóc. Isso, nada de kisssssss, não, é nhóc mesmo: as sereias comem os caras! Não é à toa que estão sempre insatisfeitas. Esta aqui é de 1999, numa fase bem menos pudica.
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Sereias - 1

Inaugurando finalmente as séries Guindaste, separei algumas peixudas. Metade mulher, metade peixe, as sereias sempre me fascinaram. Quando eu era criança, passava horas imaginando por onde elas fazia xixi. Depois que cresci, passo horas imaginando por onde elas fazem outras coisas. Seres estranhos, essas sereias. Esta aqui é de 1998, desenhada nas últimas páginas do meu caderno de faculdade.
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