De castigo
Hoje acabou o castigo das rolinhas.
Depois de nove meses oferecendo quantidades cada vez maiores de alpiste, painço, niger, senha e outras sementes de nomes engraçados, vi que os passarinhos ficaram seletivos. Da misturinha que eu comprava pronta e acabava em segundos, os bicudos começaram a separar o painço.
Como todas as rações prontas têm painço, passei a comprar as sementes a granel. Dois dias depois, vejo as rolinhas jogando toda linhaça para fora. O canteiro ficou cheio de semente. Tanto passarinho passando fome na Praça da República e as rolinhas da minha varanda desperdiçando comida? Com o perdão do trocadilho infame, fiquei uma arara e suspendi o rango por duas semanas.
Dava dó ver as coitadas encolhidinhas na grade, esperando o PF. Resisti a pios e olhares pidões. Se estivessem com fome, que comessem linhaça. Às vezes, uma ciscava o chão, driblando estrategicamente as sementes. Quando encontrei uma orquídea revirada, resolvi ceder: a fome não as faria comer linhaça, mas perigava transformar em lanche os grãos de lesmicida que eu espalhei nos vasos.
Hoje, voltei à ração pronta. Enquanto escovava os dentes, ouvia o disque-disque do passaredo. Saí para dar uma olhada no refeitório e o chão era só pena. Eita, passarinhos barraqueiros, sô!
O corselete

Faz tempo que as Malditas não davam as caras por aqui. Bem, não só as caras, claro, porque isso, ao que parece, é o que menos importa nessas mocinhas assanhadas. Rabisquei esta meses atrás, consumida pela culpa de não estar atualizando o blog devidamente. Como todo fruto de autopunição, ela não se saiu lá muito bem.
Eu tentei fazê-la com um corselete – para mim, uma das peças mais sexy do vestiário feminino. Mas é claro que essa lingerie não se parece em nada com a rabisqueira preta que ficou em cima da coitada. Do que se conclui que esta pobre moça nasceu mesmo para a danação...
Dia de espanar a casa
Blog sem atualização é que nem casa de praia no inverno: pó por todos os lados, sapos no banheiro e um ninho de aranha em cada cômodo, rendando as quinas de paredes e as frestas do forro. Quando você, enfim, decide ver o mar, a preguiça de descer até a praia desencoraja qualquer aventura, porque o trânsito, os pedágios, a farofa... As justificativas se multiplicam até que a urgência bate e, quando você se dá conta, já está com um espanador numa mão e um rodo na outra.
Ainda não acabei a faxina por aqui, mas já ajeitei a fachada que é para não desanimar. Passei tinta nova no telhado e reformei as esquadrias das janelas. As portas não rangem mais e até aquela gaveta emperrada cedeu ao meu afã de botar as coisas em ordem.
Como uma bela temporada de sol se anuncia, pegue sua pazinha e seu baldinho e venha pra praia do Guindaste. Daqui a pouco vai passar o sorveteiro. E, quando a tarde baixar, vou lá dentro passar um café. Pra mó di a gente botá as cunversa em dia.
PS: Hoje o Guindaste completa 3 anos!
7 dicas para esquecer que você está de dieta*
Festa de criança, refrigerante quente, risolis pisado no chão, pais falando sobre os filhos, você se levanta a caminho da mesa de docinhos quando se lembra da palavrinha terrível: dieta. Parece que tudo perde a graça quando não podemos comer tudo o que queremos, né? Foi pensando nisso que a equipe do Vigilantes do Peso bolou estas sete dicas para esquecer a dieta... sem parar a dieta! Estranho? Veja só:
- Inclua guloseimas no cardápio
Libere-se para um docinho de vez em quando.
- Varie as refeições
Experimente novos pratos e fuja do tédio alimentar.
- Leia sobre vida saudável
Conheça as novidades em exercícios e alimentação.
- Pese-se 1 vez por semana
Não se prenda ao peso: repare em elogios e caimento de roupas.
- Comemore mudanças de hábito
Está fazendo lanches entre as refeições? Que bom!
- Compartilhe objetivos
Emagrecer em grupo é mais fácil do que sozinha.
- Seja persistente
Não desanime se o ponteiro da balança subir um pouquinho.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Passarinho me contou*
Quem pensa que árvores não podem se apaixonar ainda não conhece Casal Verde. Nele, a escritora e blogueira Índigo conta a história de Silvia e Walter — ela, uma fícus toda certinha e podada, ele, um flamboyant espaçoso e cheio de bossa. Por mais diferentes que fossem, os dois viviam se paquerando à distância, sem que um desse conta do interesse do outro.
A coisa seguiria nesse impasse não fosse a esperteza de Benjamin, o bem-te-vi de ideias ligeiras, que chamou os outros passarinhos para dar uma de cupido. Da noite para o dia, todas as pessoas que passavam em frente ao Plaza Center encontravam um fícus muito diferente dos outros. E não é que funcionou?
*Versão original de texto publicado na revista Nova Escola.








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