Flor do dia: Cyrtopodium cardiochilum

Por dois anos consecutivos, passei o Natal em São Pedro da Aldeia, uma cidade de 88 mil habitantes na região dos lagos, no Rio de Janeiro. O lugar é lindo, distante o suficiente da muvuca de Búzios, mas perto o bastante de Cabo Frio e suas ilhotas de água turquesa-vejo-meus-pés. Falante que somos, eu e Omblogsman fizemos amizade com os donos da pousada onde ficamos e, logo, já nos sentíamos quase em casa, dentro da piscina, com a vista calma de água, céu e nada.
Foi deles que ganhei esse Cyrtopodium cardiochilum, uma espécie de orquídea que dá que nem mato na região litorânea. Presente que só quem tem alma de jardineira curte: envolvidos em um jornal, estavam umas bolotas sujas de areia, quase sem folhas e com flor nenhuma. Eu vibrei de alegria por levar pra casa uma orquídea tão brasileira.
Montei o vaso colocando até umas conchinhas por cima, pro meu Cyrtopodium cardiochilum se sentir em casa. Como ela é planta de região quente e úmida, reguei abundantemente, mas exagerei na maresia e o broto apodreceu. Taqueopariu, vou matar meu presente! Pedi desculpas por meu dedo cinza, portei o broto podre e rezei para a plantinha me perdoar.
Um ano se passou até que ela decidisse que eu não era má pessoa e me acenasse com dois — DOIS — brotos tão parrudos que até tomei um susto. Passei meses diligentemente visitando-a para esmagar os malditos pulgões, que atacavam suas folhas com uma obstinação insuportável. E, no final do ano passado, ela deu duas hastes quilométricas e se encheu dessas pequenas flores amarelas, que cheiram a mel e atraem aquelas abelhas pretinhas.
Tive a pachorra de contar as flores: 111. Um massacre de beleza.
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É a própria, Sergio! Tadinha, vive infestada por pulgões, a vida dela não é mole, não. Dizem que, quando dá no pasto, cavalo adoooora comer as folhas do Cyrtopodium. Qualquer hora desses vou acabar provando, devem ser uma delícia, pelo jeito.








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