Flor do dia: Phragmipedium cardinale

Depois de dois meses de agonia, hoje eu finalmente decretei o óbito de uma das minhas orquídeas mais queridas e antigas, o Phragmipedium cardinale (lê-se fraguimipédium cardinale"). Agora que já se passaram várias semanas dos primeiros sinais de deteriorização da planta, eu até consegui conter uma lagriminha.
Orquídeas podem viver centenas de anos, por isso, dói muito quando se perde um vaso querido por ignorância ou negligência de iniciante. Eu fui muito alertada: Phragmipedium é um gênero difícil de cultivar, me diziam nos orquidários. Mas eu via aquela linda flor bojudinha, qual pipa presa na linha, e acabei não resistindo.
Em 2009, esse Phragmipedium cardinale foi morar em casa. À época, toda a minha coleção de orquídeas se resumia a uma meia dúzia de vasos, a maioria escolhidos por terem flores exóticas – o que, descobri depois, é um péssimo critério de seleção de plantas quando se é amador. Há apenas 21 espécies de Phragmipedium: as epífitas gostam de substrato misto ou de serem amarradas a uma árvore, enquanto as terrestres, a maioria, preferem ser cultivadas em solo com bastante composto orgânico.
Não sabia que o meu Phragmipedium cardinale era uma orquídea epífita e o soterrei em camadas e mais camadas de terra. Logo a flor caiu e as folhas perderam o viço. No ano seguinte, em vez de dar flores, a orquídea soltou três brotos, me enchendo de alegria e esperança. Em menos de doze meses, os brotos foram secando, um a um, a planta-mãe ficou toda ressecada e virou um montinho marrom retorcido. Eu continuava regando o vaso, mantendo-o úmido e num local ligeiramente ensolarado, borrifando-o com adubo da mesma maneira como fazia com as outras plantas.
E, então, quando já não havia mais nada a fazer, passei a usar uma técnica de mentalização que aprendi no A Vida Secreta das Plantas, estimulando a orquídea a se recuperar e crescer. A técnica é ótima de fato, porque surtiu efeito com várias outras plantas convalescentes que eu tinha em casa. Mas esse Phragmipedium não estava mais doente, estava morto. Por mais que eu me esforçasse em mandar a ele correntes de energia positiva, era para um cadaverzinho que eu rezava, entende? Hoje, enfim, aceitei isso: desmontei o vaso, pequei o que sobrou da plantinha, com as raízes tão secas quanto suas folhas, e enterrei-a, como convém aos entes queridos.
Tirei três lições do ocorrido. Primeira, peça ajuda para escolher orquídeas – pergunte, fuce na internet, participe de cursos gratuitos em sua cidade (há centenas deles pelo país). Quanto mais acertada a escolha da planta para as condições de sua casa ou seu apartamento, maiores as chances de êxito no cultivo. Segunda lição, seja rápido ao reagir aos primeiros sinais de que a planta não está indo bem. Vale levar uma folha que tenha manchinhas para um orquidário, chamar um jardineiro ou mesmo fotografar a orquídea e submeter a imagem aos fóruns de discussão na internet. Terceira lição, a mais doída: nem sempre amor e boa vontade são o suficiente. Aceite que isso faz parte da vida e seja um jardineiro menos culpado, quem sabe, até mais feliz.
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Isso me lembrou o livro O Pato, a Morte e a Tulipa, ilustrado pelo Wolf Erlbruch, uma das maneiras mais sensíveis e inteligentes de tocar no assunto, Emilio. E a história é bem isso o que você falou, vida e morte estão associadas, não há como escapar.
Vamu lá,.no verão a sacada recebe sol a tarde inteira qual a espécie mais recomendada?
Até mais.....bjoooo
Você quer orquídeas, né, Neusicleia? Se sim, mandabala nessas: quase todos os Oncidium (chuva-de-ouro) gostam dessas contições, além de muitas Cattleya (tente a Cattleya walkeriana, típica do Brasil), Epidendrum (quase todas têm porte grande) e Laelia (compre uma Laelia purpurata, tem um cheiro delicioso e flores bem grandes).
Sergio, espero que seu Phragmipedium tenha melhor sorte que o meu... Aconteceu o mesmo com as Masdevallia, ô espécie difícil, sô!
Que bom! Seja bem-vinda, Maria Edjane.








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