Flor do dia: Oncidium "Sharry Baby Sweet Fragance"

Quando comecei a me interessar por orquídeas, descobri fascinada que havia uma espécie com cheiro de chocolate. Aquilo me surpreendeu duplamente: primeiro, até então, eu imaginava que orquídeas eram aquelas flores grandes e repolhudas sem cheiro nenhum. Segundo porque me parecia uma coisa meio bizarra que algo tivesse naturalmente cheiro de chocolate sem ser... hmmm, digamos, um cacaueiro.
Como todo bom bebedor de vinho sabe, os cheiros não têm nada que ver com quem o produz. Um vinho pode ter aroma de cerejas sem ter sequer passado perto de uma plantação de cerejas, assim como é capaz de exalar cheiros menos agradáveis, como couro ou estrume, por exemplo. Isso acontece porque ele forma as mesmas moléculas químicas que dão o cheiro de cerejas ou estrume às coisas.
Depois dessa explicação rasa de química, dá para ter uma ideia de como uma orquídea é capaz de exalar odores igualmente surpreendentes: há espécies que cheiram a melão (Maxillaria madida e Lycaste dowiana), uva (Spathoglottis plicata), mel (Oncidium pumilum), coco (Maxillaria tenuifolia). E, como não poderia deixar de ser, há também a turma do Cascão: quase todos os Bulbophyllum recendem a carniça e o Oncidium ornithorrynchum parece um misto de remédio com peixe estragado (o meu está com botões, ai, ai...).
Com tantos odores, agora você nem vai estranhar que haja uma orquídea com cheiro de chocolate, vai? Uma, não, várias, mas a mais famosa e fácil de encontrar certamente é o Oncidium "Sharry Baby Sweet Fragance", que dá longas hastes com pequenas flores castanhas e cor de creme. Trata-se de um híbrido criado pelo homem, uma planta resistente, barata e que floresce até duas vezes por ano. A minha é católica e dá flor sempre em março ou abril, mas nunca de forma tão abundante quanto neste ano: tem quatro hastes carregadas (só aparece uma na foto porque minha varanda é estreita e todas as tentativas de englobar as quatro hastes resultaram em fotos desfocadas...)!
Pelo jeito, ela gostou de ganhar vizinhos: está em um vaso coletivo, entre um animado Oncidium lanceanum e uma Brassolaeliocattleya silenciosa, que em três anos ainda não deu flor. Quem sabe vendo a vizinhança em festa ela pegue o jeito, né?
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Se são, rapaz! Dá vontade de atacar uma caixa de bombons!








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